Um convite à reflexão. Nos dias de hoje, com quem andaria Jesus?

O MMQI faz uma proposta à você, caro leitor, durante a Semana Santa

Imagem- Reprodução/Internet

Por Gustavo Medeiros

O que vem a cabeça quando se fala de Semana Santa? Entre a dor e o martírio vivido por Jesus Cristo estão os nossos dilemas, a capacidade de se colocar no lugar dele nos instantes da sua condenação, crucificação, morte e ressurreição.

Fazendo uma leitura entre a época em que o Cristo viveu e a atual, vimos que não mudamos tanto nos valores e nas atitudes frente a certas situações que requer uma flexibilidade nos costumes. Continuamos nos apegando ao machismo como tábua de salvação, ao pieguismo religioso como elemento de manutenção da ordem social e ainda não nos livramos da capacidade de assumir a individualidade perante o mundo e as coisas ao nosso redor.

Jesus veio justamente no momento em que as situações pediam uma mudança de mentalidade e comportamento das sociedades dominadas pelo Império Romano, que ditava a ordem e os costumes na época.O Cristo preconizava a ruptura por meio de suas posturas desafiadoras, ao arrebanhar para si os relegados sociais como as prostitutas, os miseráveis, as adúlteras, os doentes, tudo aquilo que era um expurgo da sociedade na época.

Passagens como as da mulher adúltera mostram a falta de capacidade que temos em julgar o outro em seus defeitos e escolhas. Então, seguir os passos do Cristo é se despir da velha roupa “passadista” que ainda vestimos, isso requer renúncia. E tudo se resume a um pedido, cercado de prerrogativas que não foram implícitas pelo rabi da Galileia, basta apenas sentir o seu amor pela humanidade.

Afinal de contas, com quem o Cristo andaria?

Imagine nos dias de hoje o Jesus Cristo em meio a tanta tecnologia, celulares com acesso fácil às redes sociais, meios de transporte rápidos e eficientes se comparados a sua época? Assim como a seu tempo, optaria entre aqueles que, de qualquer forma, estão alijados dos espaços de poder e de seu lugar de fala.

Ele andaria ao lado dos gays, das lésbicas, dos drogados,dos travestis, dos jovens pobres das periferias,das pessoas com deficiência, das vítimas das guerras e da opressão. Condenaria o Estado Islâmico, o Talibã, chamaria Trump, Bolsonaro, Duterte e seus similares de Raça de Víboras ou, se muito, canalhas. Abraçaria as donas de casa, as mulheres espancadas por seus maridos, envolveria com o seu amor as crianças vítimas da pedofilia e do trabalho escravo. Além do mais, não teria cerimônia para falar do quanto é nocivo viver triste ou com depressão, este mal que aflige a sociedade mundial neste século.

Imagem-Facebook

Diante deste cenário, comparado a Galileia do Século I, será possível imaginar que Jesus está voltando, assim como as igrejas neopentecostais preconizam? Muito provável que não. Para falar a verdade, a essência dos ensinamentos dele, tão atuais para os dias de hoje, está voltando e estamos chocados, pois ainda não colocamos em prática o sentimento de solidariedade ao ver uma nação africana devassada por um ciclone.

Em meio a isso tudo, Jesus volta por meio dos seus ensinamentos e exige que sejamos mais humanos,pois,acreditem, ainda não somos nem a milésima proporção do modelo de humano perfeito que o próprio galileu foi.

O que consola, em meio a um cenário preocupante dos dias e hoje é que estamos caminhando, conscientes que muito há por fazer. Da mesma forma que existem tantos problemas, há soluções e pessoas, escondidas dos holofotes de tragédias e perversidades produzidas pela mão do homem, que praticam o bem em suas feições práticas e simples. São elas que salvam o mundo a cada instante.

É com o pouco que essas pessoas fazem, que o bem se multiplica e nem precisa julgar de onde vem e a que religião pertence. Os ensinamentos do Cristo não possuem autoria religiosa,pois são,por si só, e para efeitos de evolução, um legado universal.

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