Café com Pimenta

Por Juliana Barbosa

De repente 30!Felizmente 30! Rapidamente, 31

Ano passado, como rito de passagem de decenário, fiz este texto. Mas, resolvi não apagar, e sim, reescrever, em negrito, o que acredito que mudou em apenas um ano – que mais parece um dia. “Diz-se que todo ser humano, antes de morrer deve “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”. Eu fui seguindo esses conselhos, não necessariamente nesta ordem. Plantei mudas de árvores ainda criança, escrevi dois livros quando adolescente, mas, adiei a parte do “ter um filho”. Ao menos no sentido literal. Tive vários filhos: um diploma universitário, um bom emprego na minha área de formação, e todos os textos que eu “pari” e inspiraram tantas outras mulheres. Amigos partiram desta existência, superei traumas, outros “estamos em obras’! Este ano, ter um filho faz parte do planejamento. Hoje faço três décadas, mais um ano, com a reescrita. A tal fase balzaquiana (Refere-se a Honoré de Balzac, autor do romance do século XIX “Mulher de trinta anos”, ele descreve as angustias femininas, infidelidade, amor e amadurecimento.) Eu precisava mesmo ter escrito isso? Ok, continuo muito prolixa. Estou trabalhando isso, juro!

Voltando ao século XXI, a tal fase da crise dos 30. Aquela guria que idealiza uma vida estável, bem resolvida, e confortável, casa própria, carro, vários diplomas e, quem sabe, uma família. Bobinha! A vida não é um comercial de margarida, e você não nasceu num berço de ouro: meu berço era de madeira – sugestivo para quem teria que encarar a vida com resistência e força. Calma! Aquela garota que iria mudar o mundo ainda existe. E muda o mundo a sua maneira, começando a reforma por dentro, na mente.

Com a ingenuidade do comercial de margarina, tive pressa de viver: Li incontáveis livros, entrei na faculdade aos dezessete anos, tentei direito, não era o que eu queria, fui para publicidade, também não era bem aquilo, então fiz jornalismo e resolvi pousar por ali, na ânsia de ter estabilidade aos trinta. Neste meio tempo, me aventurei no curso de psicologia, paixão que pretendo retomar, e continuei estudando, estudando e trabalhando – comecei a trabalhar aos dezoito anos. Vivi plenamente a universidade, fiz amigos, tomei porres, encarei ressacas, admirei mestres, até chegar à fase do estágio. Eu já tinha vinte e quatro, morava sozinha, mas dependia dos meus pais, o salário mal dava para chamar de salário, acho que o termo correto era incentivo estudantil. Na minha corrida, eu estava longe. Tive amores, amadureci mais um tiquinho, mas o imediatismo continuava gritando: -“cadê a vida de comercial de margarina? ” Formei, fiquei desempregada, voltei para a minha primeira emissora (um bom filho a casa torna), e me acomodei achando que -“ agora vai”! Passaram-se anos, mudei para um apartamento melhor, comprei um carro – com certeza não foi com o salário de jornalista, então estudantes, repensem. Jornalismo é uma cachaça, mas, dá uma ressaca danada. Isso continua sendo verdade, mas, quem faz jornalismo, faz literalmente por amor pois, financeiramente o retorno não é aquele que a sua avó contaria para as amigas. Mas, quer fazer? Faça! Nada pior que um profissional insatisfeito. E quem não toma uns porres de vez em quando? Depois realizei o sonho de conhecer outro país, a Argentina. Mas, tomei uma topada daquelas! Aos 29 anos, meu gato morreu, deram meu cachorro, me separei, sofri dois acidentes de carro, internação de quase um mês no hospital, um sequestrinho básico, até meu telefone quebrou. Voltei para a casa da minha mãe. Sem nada daquilo que eu pensava ser, o que definia o que eu sou. Parece azar? Mas, não foi, não é. Eu sou luz, tive incontáveis livramentos pois, há um propósito nesta bendita existência. Tenho uma missão. Nunca duvidei, mas, existiriam provas maiores que estas? Quando o meu sol interior raiou, decidi me desfazer de tudo que já não fazia mais parte de mim: principalmente meu emprego. E, a partir daí pude ver que muitos daqueles que eram meus “amigos”, eram amigos da repórter. Mais para frente falarei sobre isso. O status, e a falsa impressão de celebridade que a profissão dá. Nunca fiz questão de TV, sempre fiz questão de fazer o certo. E fazer bem. Não somos o que temos, somos o que somos. Mas, neste mundo adoecido, as pessoas confundem as coisas. Então, dei início a um projeto audacioso, ainda mantido em segredo. Só não sabia como faria este sonho virar realidade. Prestes a trintar, conheci e me converti a filosofia humanística do Budismo de Nichiren Daishonin. Um botão de pause e o despertar do play: somos feitos de instantes. Somos seres em constante formação, aprendizado. Experiência maravilhosa! Continuo espiritualista, mas, me afastei da filosofia de Nichiren Daishonin por identificação nata com a doutrina espírita. Entretanto, creio na segregação soberba, talvez inconsciente, talvez não intencional, que todas as religiões têm. Como se a religião fosse um aquário, e a fé e a espiritualidade fosse todo o oceano. É complexo e, talvez, inexplicável. E é com este amadurecimento que aceitei com felicidade os meus 30 anos, e os poucos cabelos brancos. Galera! Não sei se posso dizer que são tão poucos assim! Quero ser melhor para mim, melhor para os meus, melhor para o mundo. Afinal, não existe uma vida de comercial de margarina. A vida é muito maior que um comercial, a vida é real! O texto do ano passado terminou, mas, o deste ano, não. Fiz um ensaio fotográfico empoderadissima! Isso resgatou minha auto estima mas, me ensinou sobre a maldade das pessoas. A distorção social, e os preconceitos que ainda existem. Inclusive, quando tiver condições financeiras farei outro. Só Deus e eu sabemos o quanto aquele momento representou na minha vida. O segredo era o mestrado em Portugal. Fiz uma campanha virtual (quem diria? Hoje, eu não faria.) Tive uma rede de apoio maravilhosa e cheguei até lá! A garota que sonha em conhecer o mundo conheceu mais um país!

Mas, vivi experiências que poderiam ser evitadas se eu fosse mais prudente, menos imediatista, mais madura e, principalmente, me planejasse mais. Outra coisa que aprendi muito foi que confiança é sagrada, e não devemos simplesmente entregá-la a qualquer um. Amizade é divina, não devemos chamar todos de amigos. E que se você quiser conhecer uma pessoa, de verdade, dê poder e dinheiro a ela. As faces podem ser as piores. A traição é uma violação sentimental e moral. Entretanto, lá em terras lusitanas, reencontrei pessoas que me deram uma família. Descobri que amigo pode virar irmão, independentemente do país em que ele esteja. Aquele que te socorre, que te abraça pelo olhar, usando a tela do celular. Trabalhei como jornalista e repórter em Portugal! Pense! Mas, sentia saudades do meu pai, meus irmãos, as pessoas que considero família, que nem sempre tem nosso sangue – isso, até um pernilongo tem! E senti o quanto eu sou abençoada em ter mãe. Não qualquer mãe, a MINHA MÃE. A saudade maior era a dela. E todas as vezes que ela ia ao hospital, eu me sentia impotente. Um oceano nos separava. E ela precisava de mim – e eu dela. Eu voltei ao Brasil com o sonho do mestrado não realizado, minha mãe precisando de mim e eu, mais uma vez, desempregada. Pensei que iria voltar ao sofá e deprimir novamente. Bolso vazio, sem celular – de novo e sem dinheiro. Mas, é real, procurem ajuda quando a barra estiver pesada. Procurei. O cérebro é um órgão como qualquer outro, e a dor que aperta o peito, vem de lá. O médico que cuida da nossa saúde mental é o psiquiatra. E quem vai nos orientar para uma vida mais saudável é o psicólogo. O que tem de errado nisso? Nada! Cheguei com Doze quilos a mais, com a saúde debilitada. Minha mãe, que sempre foi e é minha melhor amiga, – somos uma dupla de quatro, eu e ela, ela e eu – me deu de presente de aniversário um celular para que eu possa trabalhar. Voltei ao peso normal, continuo trabalhando a forma como eu me enxergo, e talvez este exercício leve uma vida inteirinha! Estou revendo os meus conceitos de amizades, percebendo quantos amigos me acolheram nesses cinco meses. Amigo que é amigo, sabe o que o outro está passando. Procura saber. Insiste. Visita. Não isola por falta de dinheiro, desemprego, status. Mas, tudo passa, e isso também passará. Focando, voltarei a Europa, e quem sabe a Portugal, spoiler! E o Sofá? Não faz parte da rotina. Criei um projeto. Mas, o projeto, ou melhor, o Muito Mais Que Isso já se tornou uma realidade. E era apenas uma ideia que eu tinha, de ter espaço para escrever. Espero lançar meus livros, desenvolver o aplicativo do MMQI, e ao lado da minha equipe maravilhosa, ver nossa realidade virar um sonho de tão gostoso de viver! Gratidão a essa energia que move o universo e que nos deu o presente da vida e este planeta que é uma lindeza e É REDONDO! Os tempos políticos já foram melhores, mas, não tivemos tempo de Temer antes, quiçá agora. Ninguém vai soltar a mão de ninguém. O amor prevalecerá. A vida é Muito Mais que isso! Não é curta, ela só passa muito rápido! Não consegui chorar, mas, sinto vontade. Tem motivo, mas não resolve nada de verdade. Talvez seja parte daquela coisa que chamam de maturidade.

Imagem: Internet

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