Insights do Cotidiano

O mundo

Por Priscilla Fraga

“Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus.
Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E
disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras
iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores.


Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche
o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros
incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem
pestanejar, e quem chegar perto pega fogo. ”

(Livro dos Abraços- Eduardo Galeano)

Há muito tempo os alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) eram invisibilizados pela sociedade, atualmente, com as lutas pela equidade no ensino- aprendizagem, passa-se a assegurar um sistema mais inclusivo na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Portanto, a luta por essa garantia de direitos é nova, tem pouco mais de vinte
anos, acompanhada de outras lacunas, principalmente as que tangem ao
desenvolvimento de recursos que viabilizem uma vida mais funcional, que respeite as dificuldades e limitações de cada um, pois todos têm algo a contribuir. Em referência ao texto de Eduardo Galeano, chamado “O mundo”, ele sinaliza a diversidade, pois, segundo ele, somos um mar de fogueirinhas, cada um com sua peculiaridade, e isso é o que nos torna tão especiais em estar e agir no mundo. Compreende-se que poucos são os alunos oportunizados a mudar o estigma e rótulos postos ao longo dos anos, pois comumente são vistos como incapacitados. ONGS, como o Projeto FAMA, em Salvador-BA, fazem a diferença na vida dos que participam do projeto, que tem o objetivo de incluir pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista no mercado de trabalho, incentivando o projeto de vida de cada um, potencializando e valorizando seus pontos de eficiência. Através de um atendimento multidisciplinar é feita uma entrevista com a família, analisando-se o contexto, os cuidadores e o quanto os responsáveis estão
comprometidos, com as mudanças que serão necessárias para que essa nova empreitada exigirá. São oferecidas três oficinas: Informática, artesanato e culinária, para, além disso, há um grupo terapêutico para a família que é requisito obrigatório, visando fortalecer os cuidadores emocionalmente e suporte pedagógico, auxiliando na conquista de novas competências e habilidades. Ver-se, portanto, a necessidade de incentivar a formação de políticas públicas voltadas para o tema, embasada em ações que já deram certo, como o Projeto FAMA, já que, como Clarice Lispector cita, “nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”. Assim sendo, um olhar atento e aberto ao outro torna-se condição necessária para versar sobre a inclusão, o que a torna mais delicada, pois isso depende de cada um, deste modo, uma escolha. Por isso, escolho deixar aqui o meu apelo, escolha ser diferente! O mundo precisa de pessoas assim como você, que parou e dedicou um pouco do seu tempo para ler esse texto.

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