Pílula de Química

 Refrigerante: uma bebida ou uma arma química?

Por Hélio Messeder

 (Leo Natsume/Mundo Estranho)

Vocês já ofereceram refrigerante para alguém que não toma mais essa bebida? Inicialmente a pessoa faz uma cara que parece que você está oferecendo um líquido extraído de Chernobyl  temperado com pedras de Cesio 137. Diante daquela cara, ela poderia dizer apenas NÃO e seguir sua vida, mas uma pessoa que não bebe mais refrigerante sente-se vitoriosa e com uma vontade incontrolável de converter as pessoas ao “não-refrigerantismo”, então ela diz sorrindo:

 “Não, obrigada. Me livrei desse vício. Tem 8409 mil anos que não bebo refrigerante. Você deveria parar. Esse negócio tem química. Causa câncer”  

Eu sempre fico achando que os adeptos do não-refrigerantismo tem uma competição interna, para ver quem fica mais tempo sem beber esse líquido do capeta. Nunca entendi por que dizer a quantidade de anos que não bebe refrigerante ajuda na construção do argumento. Imagina se isso vira moda? Quer namorar comigo? Não, me livrei desse vicio, tenho 5 anos sem namorar e você deveria parar com isso, tem muita química

 Os partidários do não-refrigerantismo estão em todos os lugares, inclusive e claro, nas correntes de zap zap do tiozão. Reproduzo aqui um trecho curto de uma dessas corrente que mostra o que acontece se você beber refrigerante: “Pesquisas realizadas pelo renomado Instituto Fleury apontaram grande quantidade de Fenofinol Ameido e Voliteral, substancias tóxicas e que causam, respectivamente, a má atividade dos rins e câncer.” Seria mesmo o refrigerante essa bomba ou essa arma química? 

Podemos dizer que o refrigerante é composto de água, açúcar, um xarope contendo várias substâncias em pequenas quantidades (cafeína, corantes, conservantes, acidulantes, óleos essenciais, cafeína) e CO2 dissolvido ( o gás do refrigerante). Basicamente 88% da massa total do refrigerantes é de água e quase todo o resto de açúcar (11%).

Não há muita ou pouca química no refrigerante. O que há é um conjunto de substâncias que solubilizadas em água e açúcar e com um gás dissolvido causa uma explosão de sensações na boca. Se tiver gelado, à medida que que o refri vai passando pela sua boca o gás vai se desprendendo do líquido, absorvendo a energia em forma de calor e dando refrescância. Uma combinação inacreditável para quem gosta de doce.

Uma lata de refrigerante tem cerca de 2 colheres de sopa cheias de açúcar. Não são 9 ou 10 colheres como aparece em algumas Fake News, mas ainda são muitas. Esse é o principal problema do refri. A quantidade de açúcar exagerada em cada dose torna o líquido um inimigo da dieta, das pessoas com diabetes e daqueles que não gostam muito de coisas adocicadas.  A acidez pode causar problemas para que tem questões no trato digestivo. Tirando isso, não há nenhum estudo comprovado, sério e de longa escala que mostre que o refrigerante é um veneno. As pesquisas que tentam associar algo ao refrigerante, apenas mostram que o açúcar em excesso pode estar vinculado a algum tipo de doença, mas açúcar em excesso não é problema único do refrigerante.

Que conclusão chegamos com tudo isso? Simples. O consumo moderado de refrigerante não causa mal nenhum. Diante de uma dieta equilibrada, fazendo exercícios físicos regulares, o refrigerante é um alimento como qualquer outro. O excesso é que pode causar problemas.  A química aponta que você precisa parar de se culpar se tomou aquele refri na festinha do domingo. 

Por fim, sucos de caixinha tem, no geral, tanto açúcar como refrigerante e não são bons substitutos.  Refrigerantes levemente gaseificados (aquarium, H20H!!) são muito parecidos com refrigerantes diets, são boas alternativas para o açúcar, mas há mais estabilizantes e adoçantes (outra pílula, rs). Assim, os diets também devem ser consumidos com moderação. Água com gás, sucos da fruta sem açúcar e água de coco podem funcionar como melhores substitutos.

Já ia me esquecendo: a corrente do whatsapp é falsa e eu sempre vou revirar meus olhos para os adeptos do “não-refrigerantismo”. O refrigerante é só uma bebida.  Como qualquer outra, aprecie com moderação.

Referências

GODINHO, Mariana da S. et al. Classificação de refrigerantes através de análise de imagens e PCA. Quim. Nova, v. 31, n. 6, p. S1-S4, 2008.

LIMA, A.C.S.; AFONSO, J.C. A química do refrigerante. Química Nova na Escola, n. 31, p. 210-216, 2009.

PIRES, Diego Arantes Teixeira; MACHADO, Patrícia Fernandes Lootens. Refrigerante e bala de menta: explorando possibilidades. Química Nova da Escola, v. 35, n. 3, p. 166-173, 2013.

https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/os-mitos-as-verdades-sobre-os-refrigerantes-7977007

http://www.saude.gov.br/fakenews/44771-refrigerantes-falta-de-atividade-renal-e-tumores-fake-news

https://noticias.r7.com/saude/nutricionista-destaca-os-beneficios-do-consumo-moderado-de-acucar-05092013

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