Até Quando??? Futebol sofre com atos racistas das torcidas

Preconceito toma conta das arquibancadas nos estádios e escreve mais um capitulo lamentável no esporte mais popular do mundo

Foto- Hugo Gloss (Reprodução)

Por Gustavo Medeiros

Esporte acolhido pelas classes populares ao longo dos tempos, o futebol presenciou, nos últimos dias, grandes manifestações racistas nas arquibancadas dos estádios europeus e brasileiros. Isso é o reflexo do contexto que está determinando a realidade de nações e sociedades, que estão influenciadas por uma onda conservadora.

Os fatos que aconteceram recentemente se somam a tantos outros que ocorreram de fora para dentro das quatro linhas, cenas que devem marca carreiras e desestabilizar atletas, que saíram dos subúrbios e comunidades para brilhar nos gramados. São negros, pobres,em sua grande maioria, que se sentiram feridos em suas origens e em suas identidades.

Na Europa, que vê com perplexidade e medo o ressurgimento de uma extrema-direita xenófoba, etnocêntrica e racista, casos de descriminação racial vem tomando conta das arquibancadas com gritos, insultos e gestos que, tem por finalidade, desestabilizar emocionalmente o jogador adversário, de preferencia negros. Com isso, o futebol fica em segundo plano, dando lugar a cenas lamentáveis que vem de fora dos gramados.

Taison e Dentinho – Preconceito das arquibancadas para os gramados

Nos gramados europeus, jogadores mais experientes como Mario Balotelli, Lukaku e Daniel Alves já sofreram com a ira daqueles que se dizem “torcedores”. Recentemente, na Ucrânia, os brasileiros Dentinho e Tayson, que jogam pelo Shaktar Donetsky, foram hostilizados por adeptos do rival Dinamo Kiev, em partida valida pelo campeonato local.

Reprodução – Instagram

Ao tocarem na bola, os atletas receberam ofensas dos torcedores visitantes, que imitavam sons de macacos. Irritado, o jogador Taison fez gestos obscenos para a torcida rival em resposta aos insultos. Com isso, o juiz teve que paralisar a partida. Neste momento,os dois brasileiros foram amparados pelos companheiros de equipe e os atletas do Dinamo foram em direção à arquibancada para pedir que os torcedores parassem com as ofensas.

Após o recomeço da partida, o atacante do Shaktar foi expulso pelo ato obsceno.

Inglaterra x Bulgária – 6 a 0, atos nazi-fascistas e demissão

Pelas eliminatórias da Eurocopa no dia 14 de outubro, a Inglaterra venceu fácil a Bulgária por 6 a 0. Entretanto, para além do placar dilatado, o que marcou, de forma negativa, a partida foram os cânticos racistas entoados pelos torcedores búlgaros durante todo o primeiro tempo. Além disso, os adeptos fizeram uma saudação nazista. As vitimas eram os jogadores negros do “English Team”.

Com o protocolo adotado pela UEFA contra este tipo de ação, o jogo teve que ser interrompido por duas vezes, em uma delas os torcedores foram avisados pelo sistema de som do estádio. Foi o tempo o necessário para as manifestações cessarem. Após o termino da ´partida, o então presidente da federação búlgara de futebol, Borislav Mihailov, pediu demissão. Seis torcedores foram detidos, entre eles um jovem de 18 anos.

Foto- Getty Imagens

Este não foi o primeiro ato de preconceito protagonizado por torcedores na Bulgária. Antes do ocorrido com os jogadores ingleses, partidas contra as seleções do Kosovo e da republica Tcheca foram marcados pelos mesmos atos, o que levou a entidade máxima do futebol na Europa a tomar medidas como o fechamento parcial do Estádio Nacional Vasil Levski em jogos oficiais.

Racismo na Segundona da Holanda

Foto- Sky Sports

No último domingo (17), a partida entre Den Bosch e Excelsior, valido pela Segunda Divisão da Holanda, foi paralisada por cerca de dez minutos. O motivo eram atos racistas proferidos ao jogador Ahmad Mendes após um lance de falta. O ato aconteceu aos 28 minutos do 1º tempo.

Revoltado, o atleta holandês, de ascendência guineense, comunicou ao árbitro, que decidiu paralisar a partida. No retorno, Ahmad fez o segundo gol do Excelsior. O jogo entre as duas equipes terminou empate por 3 a 3. De acordo com a imprensa local, um dos xingamentos proferidos para Ahmad fazia alusão a Zwarte Piet, o ajudante de Sinterklaas ( O Papai Noel holandês).

Atletas como o atacante Menphis Depay lamentaram o ocorrido e repudiaram as manifestações dos torcedores do Den Bosch. Em nota postada nas redes sociais, o clube disse que está investigando o caso, juntamente com a federação holandesa.

Clássico Mineiro e insultos racistas

A confusão se deu fora do gramado, mais precisamente no estádio Mineirão dia 10 de novembro na partida entre Cruzeiro e Atlético Mineiro, valida pelo Campeonato Brasileiro. O fato ocorreu quando os seguranças impediram um grupo de torcedores atleticanos a utilização da passagem pelo corrimão. Os mais exaltados começaram a agredir o funcionário Fábio Coutinho.

Imagens das câmeras de monitoramento e segurança flagraram o momento em que Fábio foi agredido verbalmente por Adrierre Cerqueira da Silva, que estava acompanhado pelo irmão Natan. Este, por sua vez, chamou o segurança de “macaco”.

Em depoimento na delegacia, os irmãos pediram desculpas pelo ocorrido. Por meio de uma postagem nas redes sociais, o Atlético – MG decidiu excluir os acusados do programa de sócio-torcedor.

Medidas Duras

Em outubro passado, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu uma proibição mundial de acesso aos estádios para os torcedores racistas. A declaração foi dada em uma coletiva de imprensa em Daca, capital do Bangladesh, três dias após aos incidentes ocorridos na partida entre Inglaterra e Bulgária.

Para Infantino, agora ficou mais fácil identificar os autores destes atos graças as câmeras nos estádios. O presidente intensificou a defesa de medidas mais duras para os racistas.

“É preciso pegá-los, expulsá-los dos estádios, não deixá-los entrar mais e abrir processos judiciais contra eles”,

Gianni Infantino

Apesar das declarações incisivas do presidente da entidade máxima do futebol, as punições ainda são muito brandas, por parte das federações continentais e dos países, o que facilita a reincidência de outros casos. Enquanto isso, jogadores como o francês Pogba, o holandês Wijnaldum e o inglês Sterling levantam a voz contra os atos racistas e se mantem como vozes ativas e resistentes.

Fonte – Esporte Interativo, Globoesporte,com, Revista Veja, Chuteira F,C e Goal.com

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