Tensões e hegemonia norteiam consequências do ataque no Oriente Médio

Governo Trump tira de cena o general Qasim Soleimani e gera atritos com o Irã

Ataque destruiu o carro onde estava o general da Guarda Revolucionária do Irã. Foto – Iraq Security Media

Por Gustavo Medeiros

Mal começou o ano de 2020 e os Estados Unidos já deu início a uma ofensiva no Oriente Médio. Na última quinta-feira (02), os norte americanos coordenaram um ataque contra o aeroporto de Bagdá, vitimando o general iraniano Qasem Soleimani, responsável pelas ações militares do Irã no exterior. Outras sete pessoas morreram na ação, que atingiu o terminal de cargas.

Soleimani tinha uma grande influência e prestígio entre os militares iranianos e, segundo o governo norte-americano, mata-lo era uma questão de defesa. Em entrevista, o secretário de estado Mike Pompeo alegou que, vivo, o general representava uma ameaça imediata.

Qasim Soleimani era um general influente entre os militares iranianos. Foto – Reprodução.

A ação do governo Trump foi retaliada pela Russia,aliada do Irã, China e França,países que, assim como os Estados Unidos, fazem parte do conselho de segurança da ONU. Estas nações alertaram sobre as consequências dos ataques e demonstraram a preocupação sobre a situação no Oriente Médio.

Assim como na comunidade internacional, no Irã a morte do general Soleimani gerou uma onda de reações negativas. A autoridade máxima do país, o aiatolá Ali Khamenei, em comunicado oficial, atribuiu o ataque à “gente mais cruel da terra” e pediu uma “dura vingança”. Iraque alegou que a ação foi uma ,”flagrante violação” a soberania do país.

O ataque ao aeroporto de Bagdá reacende a tensão entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Atualmente, os países estavam em uma coalizão, junto ao Iraque, contra a milícia Estado Islâmico e retomaram os territórios que estavam sob domínio do grupo terrorista.

Para a grande imprensa no mundo todo, a ação, além de intensificar as tensões no oriente, serviu de ponto para reavivar a hegemonia norte americana e a busca do controle sobre os poços de petróleo na região,uma vez que o Irã, em 2019, descobriu um campo de petróleo com capacidade de produção para 50 barris.

Para alguns analistas, o ataque significa a retomada do projeto pessoal de Donald Trump, uma vez que os americanos terão eleições presidenciais este ano,ou seja, o interesse de Trump é hegemônico. São dois “pês” que norteiam a relação norte americana na região, neste caso poder e petróleo.

Fonte – Ele País, Correio da Bahia e Revista Fórum