Dom Felino

Por Érica Medeiros

Arquivo Pessoal

Bom…não é de hoje a luta que as mulheres precisam travar todos os dias em defesa do direito (que deveria ser) simples e natural, de ser respeitada. Hoje, é o assunto mais em voga no meio televisivo porque o BBB20 resolveu “lançar” um destaque sobre o tema, já que foi percebido que o assunto dá o que render. Mas estamos aqui para falar de gatos, nenon?? E se eu disser que o machismo, a misoginia e a extrema falta de respeito às fêmeas (partindo dos seres humanos) também circunda o meio animal? Explico: Recentemente mudei de cidade, e para além do meu trabalho com os felinos, iniciei um projeto de efetivação da castração de animais em situação de vulnerabilidade e abandono. Cães, gatos, machos ou fêmeas. Em pouquíssimo tempo de atuação, pude perceber uma triste realidade: a imensa maioria de animais na rua, na cidade onde atualmente vivo, são fêmeas. É coincidência? É mania de perseguição? NÃO! As ninhadas nascidas sejam de gatinhas ou cadelinhas, tem escolha certa: Os machos são adotados e as fêmeas crescem errantes, perpetuando um ciclo de reprodução desenfreada. E pasmem: Mesmo que eu prometa a castração da gatinha no período correto, elas NUNCA são escolhidas para adoção. Sempre ficam por último ou realmente nem consigo a adoção. A justificativa? “Quero fêmea não, vai ficar prenha”. Ou seja, a responsabilização sobre o controle natal é jogada “descaradamente” com a licença para o uso do termo chulo mais apropriado, sobre a fêmea! E não para por aí: Para além do rechaço aos jovens filhotes, há também a negativa dos tutores ou dos maridos de tutoras em efetuar a esterilização do seu gato-macho, sob a absurda desculpa de que o gato perderia sua masculinidade, sua virilidade, ou qualquer termo que o valha!

Mais uma vez o “macho-humano “lavando as mãos diante da responsabilidade para com seus animais machos, como já o fazem na educação dos seus próprios filhos. O gato livre sai, e pouco importa se vai copular diversas fêmeas no cio por noite, já que tais gatinhos não nascerão ou serão deixados na sua porta. Simplificando: a fêmea que se vire, “o meu gato é macho”. E “não quero fêmea não, senão vai parir”… Converso com diversas mulheres sobre a castração e a resposta é sempre: “se você convencer meu marido, pode levar o gato pra castrar”. Triste realidade!

A boa notícia é que vejo “uma luz no fim do túnel” quando consigo de fato “convencer” os senhores, e o termo é exatamente esse- infelizmente, de que a responsabilidade pelo imenso número de animais nas ruas, revirando o lixo e vivendo sob condições lamentáveis, é culpa sua também, através do seu gatinho macho passeante de telhados sob a luz noturna da cidade.

O duro é que esse comportamento reflexo nos conduz sempre ao mesmo cerne: sempre estamos precisando “convencer” para fazer valer uma ideia que deveria naturalmente fazer parte da lógica, mas que se afunda no machismo estrutural da sociedade.

Sendo assim, me vejo diante da necessidade de compreender, estimular e implementar a famigerada sororidade necessária entre nós, também no meio felino (e canino) para proteção e ACOLHIMENTO das nossas fêmeas.

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