Escritora baiana lança seu primeiro livro na Itália ‘AQUALTUNE: Um sonho chamado liberdade’.

Depois do sucesso no Brasil, o lançamento do livro acontece na Itália no dia 24 de maio, às 15h, por via de Live no Instagram e Facebook.

Por Juliana Barbosa

Fotografia: Luís Sá

No mês do aniversario da “Lei Áurea”, libertando os escravos à própria sorte , Sara Messias lança sua primeira obra no exterior em memória das vítimas de mais de 338 anos de escravidão no Brasil, perpassando pelo holocausto africano, narrando a história de Aqualtune, conhecida como mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares. Uma saga afro-brasileira quilombola e índigena capaz de fazer o leitor mergulhar em uma trama forte e emocionante de luta pela liberdade.

Aqualtune: Um sonho chamado liberdade, retrata, através da trajetória da lendária heroína, a história de um povo marcado pela diversidade, riqueza cultural e pela luta, fruto da interseção entre indígenas, negros e europeus.

A autora narra as aventuras de Aqualtune e ressalta a personagem como revolucionária, corajosa e destemida.

“Ela cresceu em uma sociedade mista, foi instruída pelos sacerdotes portugueses e viveu em harmonia com a população europeia. A princesa do Reino do Congo, dona de conhecimentos políticos, organizacionais e de estratégia de guerra, apesar de ser pouco lembrada nos livros e escolas brasileiras, foi muito importante para a história da população negra durante o Período Colonial”, conta a escritora.

Lançamento Internacional

Capa do livro

O lançamento do livro acontece no dia 24 de maio, às 15h,por via de Live no Instagram e Facebook.

Devido a pandemia do coronavírus, ainda não há previsão de data e local para apresentação e uma tarde de autógrafos.

A escritora comentou a sensação de voltar Bahia e lançar o livro em Novembro, um dia após a data que celebra a consciência negra, no Brasil.

“Em pleno século XXI, ainda vivemos em uma sociedade racista, machista e opressora. Voltar a Salvador, que é a cidade mais negra fora da África, com um trabalho como Aqualtune, é levar para o meu povo uma história de luta e resistência, que ainda permanece nos dias atuais”, explica Sara Messias. “Esse trabalho envolve identidade, pesquisa e paixão, com o propósito de contribuir para uma sociedade mais fraterna, igualitária e principalmente respeitosa frente aos direitos humanos”, conclui

Aqualtune – princesa do Reino do Congo que veio para cá como escrava

Conhecida no Brasil como mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares, até hoje, a lendária heroína simboliza liderança e luta dentro do sistema escravocrata, tendo deixado esse legado através de seus herdeiros e de seu comando no quilombo. Sara Messias vai além e revela um retrato pouco conhecido de uma África do começo do século XVII, numa obra que mistura realidade e ficção. O livro leva ao leitor detalhes da infância e juventude de Aqualtune, até ser obrigada a se casar com seu primo e ver sua vida mudar radicalmente.

Sara Messias

Fotografia: Luís Sá

Mulher, mãe, negra, brasileira e baiana, Sara nasceu em dezembro 1981 e cresceu no bairro do Garcia, em Salvador. Filha de um metalúrgico e uma doméstica, ela e a irmã gêmea, Simone, foram criadas sob os cuidados do avô Valdete e da saudosa avó, dona Agmar – responsáveis por plantar em Sara a semente da leitura. Ainda na infância, ela foi incentivada por eles, pois liam livros clássicos e assistiam a filmes antigos.

A escritora estudou na pré-escola Batista, cursou o primário na Escola 25 de Agosto e o ginásio na Escola Municipal Hildete Lomanto, no bairro do Garcia. Já o ensino médio foi dividido entre o Centro Educacional Edgar Santos e o Centro Educacional Odorico Tavares. Sara tem formação em Turismo pelo CEFET-BA, atual IFBA – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia.

Foi a curiosidade e a vontade de descobrir mais sobre a formação do Brasil que levaram a autora a uma viagem no tempo, fazendo Sara se apaixonar ainda mais pela história do povo brasileiro. Ao começar a escrever, guiada pelo forte desejo de resgatar essa memória, Sara decidiu por um enredo que compartilhasse a formação do povo brasileiro. E assim nasce a primeira obra de uma saga cheia de coragem, luta e ‘orgulho preto’, como ela mesma diz. Hoje, Sara vive na Itália com seu marido Antônio e sua filha Nicole.

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