Afrontosa

Colorir para Existir

Por Li Afrontosa

Arquivo pessoal
     Por Li Afrontosa 

Em 1969 em Nova York um grupo de homossexuais reagiram a invasão de policiais em um bar chamado Stonnewall Inn, o conflito ficou conhecido como o mais importante ato de resistência e originou nos anos seguintes as paradas anuais de orgulho LGBTQIA+ que luta pelos direitos, respeito e contra a violência e discriminação sofrida pela comunidade.
No Brasil a cada 23 horas uma pessoa lgbtq é assassinada além, de ataques físicos violentos, eles enfrentam violências verbais, psicológicas, sexuais, dificuldades para se colocarem no mercado de trabalho e principalmente de não poderem assumir publicamente sua orientação sexual e exercerem a liberdade de amar quem quiser.
O arco íris é o símbolo da comunidade LGBTQIA + e chama atenção para o colorido plural que é a vida, nos convidando a refletir que de fato não há nada de errado em amar.
Os padrões sociais, religiosos e ideológicos estão a anos tentando reprimir, discriminar, marginalizar e criminalizar a existência dessas pessoas, o que torna a luta diária por respeito a diversidade uma bandeira de todos que desejam uma sociedade mais justa e humana.
Para entender melhor as vivências de uma pessoa lgbtq, convidei a artista Drag Queen baiana Manoca Costa para um bate papo


Mmqi: Defina Manoca


Manoca Costa: Manoca é, antes de tudo, filha de Suzinete e Ribeiro. E da família Maciel. Preciso me definir primeiro assim porque todo o resto são complementos e jamais seriam iguais caso eu não tivesse nascido nessa família. Depois disso, eu sou uma artista LGBTQIA+ e uma pessoa que respeita TODAS as pessoas. Até mesmo as que não me compreendem. Sou artista desde que nasci e me fiz cantora. Meu gênero é fluido e minha vontade de vencer é enorme. Por eles. E por mim.


Mmqi: Quando você se entendeu e se aceitou?


Manoca Costa: Na verdade eu sempre me aceitei, não teve uma época em que eu não tivesse me aceitado e nem minha família. Sobre entender, só fui entender mesmo na sétima série do ensino fundamental.


Mmqi: Já sofreu algum tipo de violência ou discriminação?


Manoca Costa: Discriminação sim. E violência verbal. Na verdade eu sempre vou sofrer porque o mundo não foi moldado para pessoas LGBTQIA+, nós é que estamos nos moldando ao mundo e eles vão ter que nos ver passar e brilhar. No ensino fundamental um colega chegou a trocar de cadeira porque sentei ao lado dele e eu não entendia o motivo. Mas chorei quietinha no banheiro. Todas essas mini agressões me fizeram ter a força que tenho hoje. Não abaixo a cabeça pra ninguém que não seja da minha família.


Mmqi: Recentemente seu pai virou referência para a comunidade LGBTQ + como foi esse acolhimento?


Manoca Costa: SIMMMM! Eu sempre soube que na primeira vez que fizéssemos um vídeo contando nossa história ele viralizaria. Porque, além de bonita, é uma história REAL. Meu pai sentava comigo no chão da sala pra me ouvir cantar desafinado e me passar a confiança de que eu poderia e posso sim ser uma artista reconhecida. O acolhimento foi algo normal. Porque eu fui acolhida desde o parto. Quando eu me assumi, nada mudou. Aliás, mudou. Pra melhor.


Mmqi: O que você espera para o futuro?


Manoca Costa: Espero que pessoas LGBTS que vierem atrás de mim sofram menos do que as gerações anteriores e que eu consiga realizar todos os meus sonhos. E o primeiro deles é ser orgulho para minha família e retribuir financeiramente tudo o que fizeram por mim. Não é uma cobrança deles. É minha. E vou honrar!

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s