Insights do Cotidiano

Saúde Mental em Tempos de Isolamento

Por Priscilla Fraga

“Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa
Como que se fosse combinado em todo o planeta
Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém

O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não ‘tava lá
Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não ‘tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não ‘tava lá
E o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar”

(Raul Seixas)

Como Raul cantava “No dia em que a Terra parou”, imagina-se que ele não fazia idéia do que enfrentaríamos anos depois. Hoje sabemos que o isolamento social é a melhor forma de prevenção ao corona vírus, porém esse novo “normal” trazimpactos nas nossas emoções. 

Cada pessoa vivenciará o momento de maneira diferente, isso é inegável, independente da condição física, mental ou social, porém se já temos antecedentes de diagnóstico de transtornos psicológicos, chamo ainda mais atenção para a ansiedade e a depressão, pois os desdobramentos podem ser ainda mais graves, para algumas pessoas.

E você deve estar, a se perguntar o por que? Bom, porque, pessoas ansiosas se preocupam excessivamente, apresentam dificuldade de se concentrar, irritam-se com facilidade, tem alteração no sono, tensão muscular, além das suas expectativas, serem passíveis a frustração, na grande maioria das vezes. Já nos transtornos depressivos, as pessoas tendem a estarem em um estado de tristeza profunda, tomadas por sentimentos de desespero e desesperança, o que interfere diretamente em atividades da vida cotidiana, diminuindo o interesse em realizá-las, insônia, além dos fatores externos que podem desencadear-la como estressores, perdas e separações.

O que podemos fazer ? Segue abaixo cinco dicas:

1. Rotina

Tente elaborar uma rotina mesmo que semi-estruturada, passível a flexibilizações e mudanças, pois ela ajudará a organizar suas atividades diárias e evitará sensações de angustia e vazio.

2. Tecnologia

Use-a de maneira sábia, a fim de estar próximo dos seus afetos. Evite entrar em contato com notícias que lhe desregulem emocionalmente, ocasionando por consequência crises emocionais.

3. Meditação

Pratique-a, pois ela irá lhe ajudar a diminuir o stress e a ansiedade, melhorar a concentração, além de ser uma excelente ferramenta para estar mais em contato com o autoconhecimento.

4. Atividade Física

Faça atividades que te dêem prazer, pois elas colaboram com o sistema imunológico e melhoram a sensação de bem estar.

5. Terapia On-line

Busque ajuda, caso perceba que não está conseguindo administrar as suas demandas, e não a hesite, ela é fundamental no processo.

Esse nosso inimigo é invisível, mas você não precisa ser diante das suas necessidades.

Se cuide, se ame, se proteja!

*A experiência de vida e profissional.

Fontes utilizadas:

*https://ufrj.br/noticia/2020/03/25/coronavirus-saude-mental-em-tempos-de-isolamento

*http://www.pucrs.br/blog/cuidados-com-a-saude-mental-em-tempos-de-isolamento-social/

*https://saude.abril.com.br/podcast/a-saude-mental-durante-e-apos-a-pandemia-de-coronavirus-podcast/

Café com pimenta

Por Juliana Barbosa

Mirtes, uma empregada doméstica, precisou levar o filho Miguel para o trabalho, foi passear com o cachorro da patroa e deixou o menino com ela.
A patroa, Sari Corte Real, deixou a criança no elevador SOZINHO, por estar incomodada com o choro da criança.
Ele caiu do 9º andar das torres gêmeas, condomínio luxuoso de Recife.

Miguel tinha 5 anos, era preto e morreu por negligência.
A patroa estava ocupada fazendo a UNHA.

Pagou 20 mil de fiança e está respondendo em liberdade.

Os patrões da mãe de Miguel são o prefeito e a primeira dama de Tamandaré.

Mirtes, a mãe de Miguel, não foi dispensada com remuneração durante uma pandemia pois, a burguesia escravagista não gosta de limpar a própria sujeira.

Não é homicídio culposo: é um caso de DOLO EVENTUAL, ou seja, a patroa assumiu o RISCO de que algum mal acontecesse ao menino.
Deve responder por HOMICÍDIO DOLOSO e ir a Júri!

Imaginem – só por um instante – a repercussão se fosse o contrário.

Não consegui escrever a matéria completa. Deixei aqui um desabafo.

Fontes: G1; Diário de Pernambuco

Escritora baiana lança seu primeiro livro na Itália ‘AQUALTUNE: Um sonho chamado liberdade’.

Depois do sucesso no Brasil, o lançamento do livro acontece na Itália no dia 24 de maio, às 15h, por via de Live no Instagram e Facebook.

Por Juliana Barbosa

Fotografia: Luís Sá

No mês do aniversario da “Lei Áurea”, libertando os escravos à própria sorte , Sara Messias lança sua primeira obra no exterior em memória das vítimas de mais de 338 anos de escravidão no Brasil, perpassando pelo holocausto africano, narrando a história de Aqualtune, conhecida como mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares. Uma saga afro-brasileira quilombola e índigena capaz de fazer o leitor mergulhar em uma trama forte e emocionante de luta pela liberdade.

Aqualtune: Um sonho chamado liberdade, retrata, através da trajetória da lendária heroína, a história de um povo marcado pela diversidade, riqueza cultural e pela luta, fruto da interseção entre indígenas, negros e europeus.

A autora narra as aventuras de Aqualtune e ressalta a personagem como revolucionária, corajosa e destemida.

“Ela cresceu em uma sociedade mista, foi instruída pelos sacerdotes portugueses e viveu em harmonia com a população europeia. A princesa do Reino do Congo, dona de conhecimentos políticos, organizacionais e de estratégia de guerra, apesar de ser pouco lembrada nos livros e escolas brasileiras, foi muito importante para a história da população negra durante o Período Colonial”, conta a escritora.

Lançamento Internacional

Capa do livro

O lançamento do livro acontece no dia 24 de maio, às 15h,por via de Live no Instagram e Facebook.

Devido a pandemia do coronavírus, ainda não há previsão de data e local para apresentação e uma tarde de autógrafos.

A escritora comentou a sensação de voltar Bahia e lançar o livro em Novembro, um dia após a data que celebra a consciência negra, no Brasil.

“Em pleno século XXI, ainda vivemos em uma sociedade racista, machista e opressora. Voltar a Salvador, que é a cidade mais negra fora da África, com um trabalho como Aqualtune, é levar para o meu povo uma história de luta e resistência, que ainda permanece nos dias atuais”, explica Sara Messias. “Esse trabalho envolve identidade, pesquisa e paixão, com o propósito de contribuir para uma sociedade mais fraterna, igualitária e principalmente respeitosa frente aos direitos humanos”, conclui

Aqualtune – princesa do Reino do Congo que veio para cá como escrava

Conhecida no Brasil como mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares, até hoje, a lendária heroína simboliza liderança e luta dentro do sistema escravocrata, tendo deixado esse legado através de seus herdeiros e de seu comando no quilombo. Sara Messias vai além e revela um retrato pouco conhecido de uma África do começo do século XVII, numa obra que mistura realidade e ficção. O livro leva ao leitor detalhes da infância e juventude de Aqualtune, até ser obrigada a se casar com seu primo e ver sua vida mudar radicalmente.

Sara Messias

Fotografia: Luís Sá

Mulher, mãe, negra, brasileira e baiana, Sara nasceu em dezembro 1981 e cresceu no bairro do Garcia, em Salvador. Filha de um metalúrgico e uma doméstica, ela e a irmã gêmea, Simone, foram criadas sob os cuidados do avô Valdete e da saudosa avó, dona Agmar – responsáveis por plantar em Sara a semente da leitura. Ainda na infância, ela foi incentivada por eles, pois liam livros clássicos e assistiam a filmes antigos.

A escritora estudou na pré-escola Batista, cursou o primário na Escola 25 de Agosto e o ginásio na Escola Municipal Hildete Lomanto, no bairro do Garcia. Já o ensino médio foi dividido entre o Centro Educacional Edgar Santos e o Centro Educacional Odorico Tavares. Sara tem formação em Turismo pelo CEFET-BA, atual IFBA – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia.

Foi a curiosidade e a vontade de descobrir mais sobre a formação do Brasil que levaram a autora a uma viagem no tempo, fazendo Sara se apaixonar ainda mais pela história do povo brasileiro. Ao começar a escrever, guiada pelo forte desejo de resgatar essa memória, Sara decidiu por um enredo que compartilhasse a formação do povo brasileiro. E assim nasce a primeira obra de uma saga cheia de coragem, luta e ‘orgulho preto’, como ela mesma diz. Hoje, Sara vive na Itália com seu marido Antônio e sua filha Nicole.

Pílulas de química

Por Hélio Messeder

Imagem: internet

Me “covid” para tomar água tônica.

Estava eu preparando minha gin tônica com limão siciliano ontem pensando em qual pílula química deveria escrever.

Pensei em escrever sobre adoçantes que é uma pílula que estou devendo faz um tempo, mas eis que pula na tela do meu computador ̶u̶m̶a̶ ̶l̶i̶v̶e̶ ̶s̶e̶r̶t̶a̶n̶e̶j̶a̶ um vídeo de uma moça abrindo um freezer, numa atuação digna de um Oscar, e o diálogo acontece mais ou menos assim:

– O que você está fazendo Vitória?

Vitória responde super cheia de certeza

– Água tônica tem quinino. Quinino é a base da cloroquina. E isso aqui você pode comprar tanto no supermercado como eu to fazendo, como na conveniência da esquina. Isso aqui a Globo não te conta

Fiz a cara do picachu chocado, bebi um gole dos meus bons drinks e, assim, diante de tudo isso, tive que parar minha pesquisa em adoçantes e vir aqui falar sobre água tônica e o motivo pelo qual ela NÂO pode curar ou prevenir do coronavírus. Venha comigo pensar um pouco como a matéria se comporta pensando o caso do quinino.

Na água tônica tem mesmo uma substância chamada quinina. A quinina é extraída a partir de uma árvore chamada Cinchona. O nome da árvore se dá em homenagem a condessa de Chinchón que foi curada por indígenas do peru quando a criatura estava acometida por malária. Os padres jesuítas da missão espanhola levaram o pó da casca da árvore para Europa e começaram a vender como “pó dos jesuítas”. Aqui temos nossa primeira lição da pílula de hoje, o processo de produção de conhecimento não é neutro. Como pode o nome da árvore ser em homenagem à condessa espanhola (que foi curada) e o nome do medicamento ser “pó dos jesuítas” se quem descobriu foram os indígenas peruanos? Precisamos rever isso urgente, para que não mais aconteça e precisamos de uma reparação histórica.

Em 1820, os químicos conseguem isolar a quinina da casca. Ela foi usada como medicamento principal para cura da malária até a chegada da primeira guerra mundial. Por conta dos bloqueios econômicos, os alemães tiveram dificuldade de sintetizar o medicamento e desenvolveram o remédio chamado posteriormente de Atabrina, que dava vários efeitos colaterais,. Em 1944, os EUA sintetizaram em laboratório a quinina, mas sua síntese era difícil e cara para ser produzida em larga escala. Resgata-se então a Cloroquina, que já tinha sido sintetizada em 1930, que é mais barata e tem efeitos colaterais menos graves que a quinina além de ser segura, na dose adequada, para o tratamento de mulheres grávidas. Aqui temos o nosso outro destaque: quinina é uma substância, cloroquina é outra. Embora com efeitos curativos semelhantes para A MALÁRIA, a diferença na estrutura delas (ver figura abaixo) faz com que elas tenham comportamentos diferentes, seja no caso dos efeitos colaterais ou mesmo na sua toxicidade. Deste modo, a química nos ensina que não é porque o nome é parecido ou mesmo a formula é parecida que o efeito vai ser igual no organismo. Na química, um átomo em outro lugar faz TODA a diferença

Outra coisa que importa muito muito muito que aprendemos com a química é a concentração das substâncias. A quantidade da substância dentro de uma porção de solvente faz toda a diferença para que ela atue como veneno, remédio ou simplesmente um saborizante. É o caso da quinina! ela, em pequenas quantidades não tem efeito medicamentoso nenhum, tem apenas a função de deixar o líquido refrigerante mais amargo, eis que surge a água tônica. Só para vocês terem ideia a quantidade de quinina na água tônica é cerca de 5 mg a cada litro. O medicamento tem em torno de 1,5 g, assim quantidade de quinina presente na água tônica é insignificante, Assim a concentração também faz diferença e é por isso que você aprende o conceito de solução na escola (ou deveria aprender, rs). Desse modo, água tônica NÂO é MEDICAMENTO para nada, é só um refrigerante amargo que serve para beber puro ou fazer gin tônica,

Vejam só, meus caros leitores, estamos diante de uma tripla fakenews. A primeira é que não há confirmação de que a cloroquina é útil para curar covid-19. A segunda é que a quinina e a cloroquina teriam os mesmos efeitos. E a terceira, é a afirmação de que a água tônica teria concentração suficiente para atuar como medicamento. Esse leve 3 pague 1 é assustador. São tempos muito difíceis

É isso pessoal, qualquer hora eu volto, mas agora vou tomar minha água com limão, enquanto reafirmo que não há milagre para curar o covid-19 e o que podemos fazer agora é ficarmos em casa. Quando tudo isso acabar me “convid” para tomar uma água tônica ou uma água com gás

Compartilhem e divulguem essa pílula, já que esse texto a Globo não te conta (rs)

Referências

BOULOS, Marcos et al. Avaliação clínica do quinino para o tratamento de malária por Plasmodium falciparum. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 30, n. 3, p. 211-213, 1997.

MINIM, Valéria Paula Rodrigues et al. Água tônica: aceitação e análise tempo-intensidade do gosto amargo. Food Science and Technology, v. 29, n. 3, p. 567-570, 2009.

BARREIRO, Eliezer J.; RODRIGUES, C. R. Sobre a química dos remédios, dos fármacos e dos medicamentos. Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola, v. 3, p. 4-9, 2001.

OLIVEIRA, Alfredo Ricardo Marques de; SZCZERBOWSKI, Daiane. Quinina: 470 anos de história, controvérsias e desenvolvimento. Química Nova, v. 32, n. 7, p. 1971-1974, 2009.

CUNICO, Wilson et al. Fármacos antimalariais-história e perspectivas. Revista Brasileira de Farmácia, v. 89, n. 1, p. 49-55, 2008.

BOLZANI, Mariana da S.; BOLZANI, Vanderlan da S. Do Peru à Java: A trajetória da quinina ao longo dos séculos. 2016. Disponível em: https://i-flora.iq.ufrj.br/hist_interessantes/quinina.pdf

https://revistaforum.com.br/…/fake-news-do-momento-bol…/amp/

https://www.tvcultura.com.br/…/1336_fake-news-agua-tonica-a…

https://veja.abril.com.br/…/porque-agua-tonica-nao-funcion…/

https://piaui.folha.uol.com.br/…/quinino-agua-tonica-coron…/

https://pfarma.com.br/cor…/5350-agua-tonica-coronavirus.html

https://www.boatos.org/…/agua-tonica-cura-o-coronavirus-por…

Café com pimenta

Por Juliana Barbosa

De repente 30! Felizmente 30! 

Rapidamente 31!

Intensamente 32!

Ano retrasado, como rito de passagem de decenário, fiz esse texto. No aniversário de 2019 reescrevi, em negrito, o que acreditava que havia mudado em um ano.

Este ano farei diferente. Vou reescrever toda a história, pressupondo que quem a escreveu anteriormente já não existe mais. Usarei aquele clichê: “Se você me conhece baseado no que eu era um ano atrás, você não me conhece mais. Minha evolução é constante, permita-me apresentar novamente.”

Tive como lema juvenil aquela história: “Diz-se que todo ser humano, antes de morrer deve “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.”Plantei mudas de árvores, escrevi dois livros ainda adolescente, entretanto, adiei a parte de “ter um filho”. Ao menos no sentido literal, já que “dei a luz a um diploma universitário, “pari” vários textos que inspiraram tantas outras mulheres e a minha cria” chegou a maturidade com bom emprego na minha área de formação. Isso não significa que eu não queira ser mãe – a propósito esse é um dos meus maiores sonhos. Nesse período de amadurecimento, amigos morreram, superei alguns traumas e outros “estamos em obras’ – Ainda mais agora nessa fase balzaquiana que refere-se a Honoré de Balzac, autor do romance do século XIX “Mulher de trinta anos”, ele descreve as angústias femininas, infidelidade, amor e amadurecimento. Mantive esse trecho do texto de 2018, o papel do jornalista é informar.

Voltando ao século XXI, a tal fase da crise dos 30, agora 32.

Aquela guria que idealiza uma vida estável, bem resolvida, confortável, casa própria, carro, vários diplomas e, quem sabe, uma família? Bobinha! A vida não é um comercial de margarina, e você não nasceu num berço de ouro: meu berço era de madeira – sugestivo para quem teria que encarar a vida com resistência e força. 𝑪𝒂𝒍𝒎𝒂! 𝑨𝒒𝒖𝒆𝒍𝒂 𝒈𝒂𝒓𝒐𝒕𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒊𝒓𝒊𝒂 𝒎𝒖𝒅𝒂𝒓 𝒐 𝒎𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒆𝒙𝒊𝒔𝒕𝒆. 𝑬 𝒎𝒖𝒅𝒂 𝒐 𝒎𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒂 𝒔𝒖𝒂 𝒎𝒂𝒏𝒆𝒊𝒓𝒂, 𝒄𝒐𝒎𝒆ç𝒂𝒏𝒅𝒐 𝒂 𝒓𝒆𝒇𝒐𝒓𝒎𝒂 𝒑𝒐𝒓 𝒅𝒆𝒏𝒕𝒓𝒐, 𝒏𝒂 𝒎𝒆𝒏𝒕𝒆.

Com a ingenuidade do comercial de margarina, tive pressa de viver: Li incontáveis livros, entrei na faculdade aos dezessete anos, tentei direito, não era o que eu queria, fui para publicidade, também não era bem aquilo, então fiz jornalismo e resolvi pousar por ali, na ânsia de ter estabilidade aos trinta. Neste meio tempo, me aventurei no curso de psicologia, paixão que pretendo retomar, e continuei estudando, estudando e trabalhando – como sempre fiz desde quando tinha dezoito anos. Vivi plenamente a universidade, fiz amigos, tomei porres, encarei ressacas, admirei mestres, até chegar à fase do estágio. Eu já tinha vinte e quatro, morava sozinha mas, dependia dos meus pais, o salário mal dava para chamar de salário, acho que o termo correto era incentivo estudantil. Na minha corrida, eu estava longe. Tive paixões, , amadureci mais um tiquinho, porém, o imediatismo continuava gritando: -“cadê a vida de comercial de margarina? ” Formei, fiquei desempregada, voltei para a minha primeira emissora (um bom filho à casa torna), e me acomodei achando que -“ agora vai”! Passaram-se anos, mudei para um apartamento melhor, comprei um carro – com certeza não foi só com o salário de jornalista:

então estudantes, repensem. Jornalismo é uma cachaça, mas, dá uma ressaca danada! Quem faz jornalismo faz, literalmente, por amor pois, financeiramente, o retorno não é aquele que a sua avó iria se gabar para as amigas. Mas, quer fazer? Faça! Nada pior que um profissional insatisfeito. E quem não toma uns porres de vez em quando? Uma das coisas que mais amo no mundo é viajar. Um dos meus lugares favoritos é a chapada Diamantina, especialmente o vale do capão. Amo também trancoso, arraial d’ajuda… O recôncavo da Bahia… Descendo, eu curti Sampa! Mas, o nordeste…. ah!!! Maceió/AL, Caruaru e Gravatá/PE!!! Desculpem-me os devaneios. Continuando… Em 2017 realizei o sonho de conhecer outro país, a Argentina. Logo depois tomei uma topada daquelas! Aos 29 anos, Cazuza (meu gato), morreu, deram Bob Marley (meu cachorro), sem eu me despedi, me separei de um forma traumática, sofri dois acidentes de carro, internação de um mês no hospital, um sequestro básico… até meu telefone quebrou. Voltei para a casa da minha mãe de mala e cuia. Sem nada daquilo que eu pensava ser, o que definia o que eu sou. Parece azar? Mas, não foi, não é. Tive incontáveis livramentos pois, há um propósito nesta bendita existência. Quando o meu sol interior raiou, decidi me desfazer de tudo que já não fazia mais parte de mim: a começar pelo meu emprego. Queria alçar vôos maiores E, a partir daí, pude ver que muitos daqueles que eram meus “amigos”, eram amigos da repórter. O status, e a falsa impressão de “celebridade” que a profissão dá. Não somos o que temos, somos o que somos. Mas, neste mundo adoecido, as pessoas confundem as coisas. Então, joguei tudo pra cima e passei numa seletiva de mestrado em Portugal!! Só não sabia como faria este sonho virar realidade. Prestes a trintar, conheci e me converti ao Budismo. Experiência maravilhosa! Me afastei da filosofia de humanística de Nichiren Daishonin mas, continuo espiritualista. Suponho que haja uma segregação soberba, talvez inconsciente, talvez não intencional, que todas as religiões possuem. Como se a religião fosse um aquário, e a fé, a espiritualidade fossem todo o oceano. É complexo, talvez, inexplicável. E é com este amadurecimento que aceitei com felicidade os meus 30 e poucos anos e alguns cabelos brancos. Quero ser melhor para mim, melhor para os meus, melhor para o mundo. Afinal, não existe uma vida de comercial de margarina. A vida é muito maior que um comercial, a vida é real!

Em 2018, pouco antes de embarcar para PT fiz um ensaio fotográfico muito empoderada. Isso resgatou minha auto estima mas, me ensinou sobre a maldade das pessoas. A distorção social, e os preconceitos que ainda existem. Pra viajar, fiz uma campanha virtual (quem diria? Hoje, eu não faria). Tive uma rede de apoio maravilhosa e cheguei lá! A garota que sonha em conhecer o mundo conheceu mais um país! Mas, vivi experiências que poderiam ser evitadas se eu fosse mais prudente, menos imediatista, mais madura e, principalmente, me planejasse mais. Outra coisa que aprendi muito foi que confiança é sagrada, e não devemos simplesmente entregá-la a qualquer um. A traição é uma violação sentimental e moral. Entretanto, lá em terras lusitanas, reencontrei pessoas que me deram uma família. Descobri que amigo pode virar irmão, independentemente do país em que ele esteja. Aquele que te socorre, que te abraça pelo olhar, usando a tela do celular. Trabalhei como jornalista e repórter em Portugal! Pense! Mas, sentia saudades das pessoas que considero família, que nem sempre tem nosso sangue – isso, até um pernilongo tem! E senti o quanto eu sou abençoada em ter mãe. Não qualquer mãe, a MINHA MÃE. A saudade maior era a dela. E todas as vezes que ela ia ao hospital, eu me sentia impotente. Um oceano nos separava. E ela precisava de mim – e eu dela. Voltei às pressas ao Brasil com o sonho do mestrado não realizado, minha mãe precisando de mim e eu, mais uma vez, desempregada. Pensei que iria voltar ao sofá e deprimir novamente. Bolso vazio, sem celular – de novo e sem dinheiro. Mas, é real, procurem ajuda quando a barra estiver pesada. Procurei. O cérebro é um órgão como qualquer outro e a dor que aperta o peito, vem de lá. O médico que cuida da nossa saúde mental é o psiquiatra. E quem vai nos orientar para uma vida mais saudável é o psicólogo. O que tem de errado nisso? Nada! Cheguei com Doze quilos a mais, com a saúde debilitada. Minha mãe, que sempre foi e é minha melhor amiga, – somos uma dupla de quatro, eu e ela, ela e eu, me deu de presente de aniversário um celular para que eu pudesse trabalhar. Cuidei da saúde , voltei ao peso mais saudável, continuo trabalhando a forma como eu me enxergo, e talvez este exercício leve uma vida inteirinha. Voltei a trabalhar como apresentadora e repórter freelancer. De 2012 a 2019 não houve um só ano que não tenha exercido a profissão Participei da segunda edição da revista papo de salão e visagismo.Trabalhei também como editora de textos numa agência de endomarketing. . Fotografei casamento, ensaios de casal, ensaios infantis… a vida continua! A gente se reinventa! Focando, voltarei a Europa, e quem sabe a Portugal, spoiler! E o Sofá? Não faz parte da rotina. Criei um projeto. Mas, o projeto, ou melhor, o Muito Mais Que Isso já se tornou uma realidade. E era apenas uma ideia que eu tinha, de ter espaço para escrever sem limites de caracteres.

Pause

Imagem: internet

No mês de março o nosso projeto completou um ano e a nossa equipe deu uma parada. Não sabemos se vamos voltar. Estamos vivendo um momento atípico é inédito para nós: A pandemia do coronavírus. Como jornalista, profissão essencial, temos obrigação de mantermos os nossos leitores informados. Entretanto, nossa equipe não é formada apenas por jornalistas. E viralizou entre nós uma falta de ânimo para escrever. Cada um com suas particularidades. É uma pandemia, não uma competição de produtividade! Os tempos políticos já foram melhores mas, não tivemos tempo de Temer antes, quiçá agora. Resistiremos, cada um do seu canto! O amor prevalecerá. A vida é Muito Mais que isso! Não é curta, ela só passa muito rápido! E me deu de presente um homem maravilhoso que me ensinou uma nova forma de me relacionar, um amor como nunca havia experimentado, que me faz sorrir só de pensar nele… Todos estamos assustados com esse novo momento mas, vai passar. O inimigo invisível mudou todos os planos…. Comecei o dia do aniversário chorando. Lavando a alma! Assim como a chuva que cai todo ano quando completo mais um outono. Mas, como diz a música: “a chuva só vem quando tem que molhar”.