Da Bahia para o mundo: a estilista que conquistou as famosas e no primeiro dia do verão mais quente dos últimos 30 anos, já bateu recorde de vendas.

Lia Presenti produz peças exclusivas a mão; vende moda praia para o exterior.

Foto: Robert Schwenck

As primeiras semanas de dezembro já bateram o pico de temperatura do mesmo período ano passado. Em dezembro de 2018, o auge do calor foram 31,3 ºC. Neste ano, às 14h do dia 6, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 32,6 ºC. O órgão disponibiliza, online, medidas de tempo desde 1963.  Desde 1989, a temperatura máxima do verão chegou a evoluir 1,2 ºC nos meses de fevereiro. Durante todo o verão, o aumento foi de 0,6 ºC. 

Tão quente quanto a temperatura estão as vendas da estilista soteropolitana Lia Presenti. Nascida e criada na cidade baixa, essa baiana arretada se inspirou não apenas nas belíssimas praias do subúrbio, de Salvador, onde se hospedam presidentes da república, e ministros mas, também na terra onde nasceu seu pai. E a equipe do MMQI conversou com Lia para saber os detalhes do sucesso das vendas, suas inspirações, e conhecermos mais das peças que estão vestido pessoas em todo o mundo – afinal, nós sabemos o que é que a baiana tem: Talento!

MMQI Qual a sua formação?

Lia Presenti Sou Formada em administração  MBA em Marketing, pela Unifacs. Participo de cursos e feiras de moda em todo Brasil e no Exterior para estar sempre antenada às novas tendências.

MMQI Sua infância influenciou na escolha da sua profissão?

Lia Presenti Sim, nas férias ia pra cidade que meu pai nasceu (Conceição de Salinas da Margarida).Por ser numa cidade praiana, sempre gostei de ter várias peças de biquíni. Meu amor por praia começou desde pequena

MMQI O que é essencial em um biquíni?

Lia Presenti A exclusividade . Não tem nada melhor do que vestir uma peça e saber que não irá encontrar ninguém igual a você. Os bordados da Lia Presenti são exclusivos. Não repetimos 1 biquíni.

MMQI Calcinha grande ou pequena?

Lia Presenti Os biquínis da Lia Persenti permitem a escolha de modelo e tamanho de calcinhas, além de diversificadas opções de cores, o que facilita a formação de vários “looks’ a partir de uma única peça.

Foto:Robert Schwenck

MMQI Cortininha ou tomara-que-caia?

Lia Presenti Pra quem é fã de uma marquinha de verão, o cortininha é uma excelente opção. O tomara que caia vem com alças opcionais. O bojo do tomara que caia compõe o look tanto praia, quanto piscina, que também pode ser usado como peça do vestuário para uma Night.

MMQI Qual é a cor do biquíni deste verão?

Lia Presenti Os tons neon continuam nesse verão. O coral foi eleito a cor do ano. O amarelo continua em alta., laranja também, o que combina com o calor. A ousadia do animal print e poá, mesclando com os tons de neon é uma forte tendência.

Foto: Robert Schwenck

MMQI A que você atribui o seu sucesso?

Lia Presenti: A Minha família , que me deu todo suporte para os estudos, ao meu marido e a minha filhinha, que tem nove anos.

MMQI Uma frase ou palavra que resuma a sua vida e a sua carreira:

Lia Presenti: Empoderamento: uma mulher empoderada, uma mulher pra frente!

Foto: Robert Schwenck

Depois de viajar a negócios para o Rio de Janeiro, onde celebrou importantes parcerias, a estilista está em São Paulo comemorando o sucesso nas vendas e a marca de 20 mil seguidores numa rede social. O momento de alegria e gratidão foi registrado pelo fotógrafo Márcio Dantas.

Márcio Dantas

Fontes: Inmet, Correio

Em Minha Pele

Projeto sobre empoderamento feminino estréia com edição “O quereres’.

Por Juliana Barbosa

Foto: Fernando Lopes

A Estreia do projeto Em Minha Pele, neste sábado(21), causou animação entre os internautas. . As fotos postadas nas redes sociais fazem parte da edição “O quereres’. O projeto piloto conta a história de cinco modelos: (Da esquerda para direita) Lara Oliveira, Açucena Barbosa, Jamara Costa, Esther Vilhena e Fernanda Azevedo.

A pele é o maior órgão do corpo humano, funcionando como revestimento externo, regulador da temperatura corporal, reserva de nutrientes e barreira natural contra microrganismos, além de contar com as terminações nervosas responsáveis pelas diferentes sensações. Formada por três camadas bem unidas, epiderme, derme e hipoderme. Se pensarmos além, a pele é um abraço na alma. Através dessa proteção natural, desse órgão visceral, que mostra sem vergonha toda a história de nossas vidas, por meio de sinais, cicatrizes, estrias e celulites, que tornam cada ser humano único.

Nascemos vestidos de nós mesmos, mas, nos escondemos através de roupas; sutiãs que machucam, espartilhos que sufocam, botões que incomodam, cintos que apertam. O que foi pensado para proteger nossos corpos do frio ou do calor extremo, tornou-se uma armadura. O que faz, principalmente a nós mulheres, nos submetermos a tantas amarras?

Ao sermos clicadas buscamos desde a libertação de padrões, até a tentativa de quebrar traumas antigos, como assédios e estupros, por exemplo. Quem nunca olhou uma foto e disse: – “nossa, mas nem parece que sou eu”?

Estamos sempre focados nas imperfeições, que são justamente o que nos diferencia umas das outras.

Meu convite é que olhemos com mais amor e carinho para o nosso reflexo. Até onde você conhece e aceita o seu corpo?

Juliana Barbosa

Nessa edição, as modelos contam suas experiências com a pele e com os cabelos. Sigam o projeto: @emminhapele

Fernando Lopes

Café com Pimenta

Por Juliana Barbosa

Arte: Georlando Neto

Que os concursos de beleza objetificam as mulheres, já não é novidade. Mas, nesse concurso, uma mulher negra foi escolhida a mais bonita do mundo: Zozibini Tunzi, Miss África do Sul, é a Miss Universo de 2019. Vocês têm noção do que é uma preta se arrumar pra ir à escola, ligar a TV, e a representatividade dela é a Zozibini Tunzi sendo coroada A MULHER MAIS LINDA DO UNIVERSO? Pensa! Desde a sua criação e primeira edição em 1952, o concurso demorou 25 anos para coroar a primeira Miss Universo negra, Janelle Commissiong, de Trindade e Tobago, em 1977, Wendy Fitzwilliam, em 1998, Mpule Kwelagobe, em 1999, Leila Lopes, em 2011 e Zozibini Tunzi, em 2019. E não paramos por aqui. O certame é cheio de regras que certamente muitos desconhecem. Então, além de destacar a importância desta edição, vamos conhecer um pouco mais do universo do concurso.

Vamos observamos o edital que traz os pré-requisitos que, caso queiram participar do concurso de beleza, as mulheres deverão obedecer – sob pena de desclassificação, pagamento de multas e cumprimento de outras penalidades. Em resumo: o que o edital nos diz? É preciso obediência, para ser considerada bela.

“candidata’: o elemento de composição cand– em latim tem, etimologicamente, o sentido de “ser alvo, branco como a neve” entre outros significados. Cand- tem, igualmente, sentido moral de ‘pureza, candura, candor’: é daí que temos candìdus,a,um‘branco, alvo; radiante, resplandecente; puro; venturoso’, e candidátus,i‘candidato, esp., aquele que veste a toga branca para postular um cargo público’, daí candidátus,a,um ‘que veste branco’ – ou seja, uma ‘candidata’ é a pessoa que se mostra pura, venturosa (ao apresentar-se metaforicamente de branco – branco como metáfora de pureza) e que busca postular (requerer) um cargo: o de Miss Cidade, neste caso.

Sobre ser ‘miss’: a palavra ‘miss’ é inglesa e significa ‘mulher jovem’ (uma maneira polida de se dirigir à pessoa (young woman) quando não se sabe seu nome – conferir o dicionário de papel Longman) – e, claro, é usado como título antes do nome de uma mulher que represente um país, estado ou cidade em algum concurso de beleza: tornada miss, a mulher é ‘rainha’ e tem seu reinado.

Vamos conhecer então, algumas das orientações e condições impostas às candidatas, para que possam se inscrever no concurso:

  • A candidata, por ocasião de seu nascimento, deverá ser ‘registrada originalmente sexo feminino’ – há algum tempo, esse ‘originalmente’nem nos chamaria a atenção (provavelmente nem fosse escrito), mas hoje em dia ele levanta a questão da ideia de que os idealizadores do concurso entendem que sexo e gênero são coincidências naturais… Hoje já sabemos que as instâncias sexo e gênero não são gêmeas siamesas e nada tem de ‘natural’, antes são construções sociais – portanto, o edital tem uma concepção meramente biológica do que é SER MULHER. Quando as mulheres trans poderão mostrar sua beleza?
  • Ter, no máximo 25 anos de idade, não podendo ter 26 anos completos até a data do concurso (Não ser emancipada) – este dado está em perfeita conformidade com a ideia de ‘miss’ – pois senão seria um concurso de Mrs. – mas, o que perguntamos é: Por quê? Por que as candidatas têm que ser jovens? Qual é a importância do capital-juventude para a Miss Cidade? Quando as mulheres com idade superior a 25 anos poderão mostrar sua beleza?
  • Não ser e nunca ter sido casada, não ter tido casamento anulado, não conviver maritalmente – mantendo a mulher na condição da possibilidade de objeto a ser desejado – enquanto exibe seu corpo e dotes físicos (por que desfile de maiô/biquíni ?) para os avaliadores – a mulher, literalmente, não pode ‘ter proprietário’, ou seja, ser casada com um homem que detenha poderes exclusivos sobre ela – não é essa a ideia do patriarcado sobre o casamento? A de que a mulher é propriedade do marido? Quando as mulheres casadas poderão mostrar sua beleza?
  • Não pode ser mãe, nem estar grávida– ‘ser mãe’ é algo ‘sagrado’ para o machismo estrutural: nesta cultura, o fato de parir isola a mulher de sua sexualidade e de sua sensualidade: como poderia uma ‘miss’ ser mãe ou uma mãe ser ‘miss’? Estando grávida, uma mulher não será mais objeto do desejo machista – ao menos não explicitamente: controla-se assim a sexualidade feminina. Quando as mulheres grávidas poderão mostrar sua beleza?
  • Gozar de boa saúde física e mental, ser simpática e cooperativa:adjetivos e mais adjetivos que vão aos poucos qualificando quem são as mulheres que o patriarcado vai conceder o acesso ao concurso… se não for saudável não pode participar – Por quê? O que a doença – dado da natureza humana – tem a ver com a beleza? A candidata deve ter ‘boa saúde mental’ – em nossa sociedade psicótico-paranoica, a saúde mental será um traço a desclassificar todos nós, mas ainda assim: por que se exclui as pessoas com ‘problemas mentais’ da possibilidade de participar de tal concurso? Quando as mulheres com ‘deficiências físicas ou mentais’ poderão mostrar sua beleza?
  • A candidata não pode ter publicado ou realizado nenhum tipo de foto, ensaio, book, ou ainda trabalhos a título de nu artístico ou explicito – uma mulher que tenha publicado esse tipo de material (contendo seu nú) não pode participar do concurso de miss – isso tem a ver com decoro, recato, pudor, dignidade, honradez, seriedade nas maneiras, compostura, decência e conveniência: Quando as mulheres livres poderão mostrar sua beleza?
  • No mínimo 1,68 (um metro e sessenta e oito centímetros) de altura; as medidas de corpo devem aproximar–se de 90 cm de quadril, 60 cm de cintura e 90 cm de busto – medidas, medidas, medidas… afinal, o que são medidas? São as dimensões ou quantidades consideradas como normais e desejáveis; a proporção, a regra, a norma (de novo, a norma) – essas medidas são conseguidas a partir de elementos de referência, critérios do valor, das qualidades de alguém; um grau ou alcance – o crítico deverá perguntar: quem define tais critérios? Qual é o corpo ideal (con)formado, (in)formado, (de)formado por tais medidas? De quem é a inteligência e o poder de quem definiu tais medidas? Quais os interesses em se conformar os corpos a tais medidas? Que corpos tais medidas produzem como sendo legítimos e quais são produzidos como invisíveis? O que acontece com a autoestima dos corpos que não se encaixam nessas medidas e são rejeitados e descartados antes de concorrer (no concurso e na vida)?
  • TATUAGENS: só serão permitidas tatuagens quando estas forem discretas, por exemplo: na nuca, punho, tornozelo – sociologicamente, podemos ler (muito grosseiramente) a tatuagem como um desvio de norma (não ser tatuado é a norma); a pessoa tatuada marca seu próprio corpo, toma ele para si, dele se apossa, nele se justifica e transforma-o no que quer… bom, se a candidata apresentar níveis toleráveis dessa autoapropriação ela poderá participar, desde que seja ‘discreta’ (ou seja, novamente – que se comporte de maneira comedida, prudente; reservada, circunspecta, de pouca intensidade) – sendo assim, poderá vir-a-ser miss, perdão: vir-a-ser candidata a miss…
  • Não ter realizado nenhum tipo de intervenção estética – o desejo pela natureza intocada; a afirmação de que o que ali está se mostrando é ‘de verdade’, não é manipulado, é puro, é virgem. Se a estética é a base do concurso (a cada item estamos vendo que não…) então esta beleza deve ser posta em estado bruto, sem manipulações.
  • Possuir beleza de rosto e de corpo e ter condições de representar a sua cidade, estado e país – aqui, parece-nos que precisamos de uma reflexão bem profunda para entendermos o que é ‘beleza de rosto e de corpo’ – elemento profundamente subjetivo, mas ao mesmo tempo de apreciação social: resgatando elementos anteriormente apresentados e que vão dando pistas para a noção vaga de beleza aqui solicitada: ser jovem e ser magra (não há exigência explícita para o peso das candidatas – mas façamos as contas levando em consideração as medidas de altura, quadril, cintura e busto – anteriormente apresentadas – e teremos o padrão de peso exigido pelo edital);
  • Não ter antecedentes criminais – para esse ponto deixo uma questão: no Brasil, alguém que cometa um crime e por ele pague, pode ser punido com essa restrição? Alguém pode ser impedido de participar de um concurso de beleza, porque no passado roubou ou cometeu algum outro crime? Veja, penso aqui na situação da pessoa que cometeu o crime e por ele pagou… o que o antecedente criminal tem que ver com a beleza?
  • A candidata não deverá ser vista fumando ou consumindo bebida alcoólica: a miss será exemplo de mulher, exemplo de beleza: todo exemplo tem como função inspirar suas seguidoras. A despeito da ideia de ‘exemplo’ que a futura miss terá que carregar consigo, o não consumo de bebidas ou cigarro marcam novamente uma posição de recato, de moderação e de prudência.

“A sociedade foi programada durante muito tempo para que não ver a beleza de maneira negra. Mas, agora estamos entrando em um tempo em que finalmente as mulheres como eu podem saber que somos bonitas(…) A coisa mais importante que deveríamos ensinar para as jovens meninas de hoje em dia é a liderança. É algo que tem faltado em jovens meninas e mulheres há muito tempo. Não porque não queremos, mas por causa do que a sociedade definiu como as mulheres seriam(…) “ Zozibini Tunzi.

A coroação de uma mulher com cabelos crespos, pele preta, é uma mudança significativa no padrão de um concurso. Mas, a notícia não é apenas essa. A notícia é o que isso representa. O que isso muda na vida de Olga, de 13 anos. O que isso representa para Daiane, para Érica e para tantas outras mulheres e meninas que passaram a vida toda buscando representatividade.

A vitória de uma mulher negra no Miss Universo, ainda que discorde dos padrões e concursos de beleza, representa uma vitória de toda mulher negra, de toda garota negra que cresce a margem da sociedade no quesito padrão estético. E a sua inteligência deixa evidente ao menos para mim que nós podemos chegar onde quisermos e não somos inferiores a ninguém. A vitória dela é como se tivesse nos puxado pra cima, entende? Porque, de fato, é a verdadeira representatividade, eu vejo meu cabelo nesta mulher,eu vejo minha cor, eu vejo a minha inteligência. EU ME VEJO! Acredito também que a vitória dela seja uma mudança a passos curtos, mas ainda é uma mudança de padrão absurdamente significativa, principalmente quando se verifica que ela mesmo não sendo a primeira Miss universo negra, certamente é a primeira que foge a estética dos cabelos alisados ou compridos que a todas nós é imposta e conscientemente ou inconscientemente nos sentimos na obrigação de ter nossos cabelos espichados e longos. Nós sabemos que no quesito “ ser mulher” há estranhamento quando se vê qualquer uma de cabelo curto, e isso piora quando se é negra pois há o desprezo pelo cabelo crespo e associação imediata a pobreza , imundice, feiúra…

Eu particularmente senti isso na pele quando deixei por 1 ano e 4 meses meu cabelo natural. Foi o momento que mais senti o racismo. E a Zozibini estar nessa posição significa que ela é absurdamente forte e ultrapassa qualquer entendimento ou empatia que possamos tentar ter ou enxergar. Ela é o significado real da resistência, luta, dignidade, inteligência, beleza e principalmente nós poderemos e nós venceremos! Mas, pra mim foi a vitória real de uma mulher negra sem modificações estéticas, é como se fosse um diamante puro. Ahhhh! E ainda acrescento! É a primeira de cabelos crespos, porque todas as outras 4 ou 5 anteriores já estavam dentro de um padrão de aceitabilidade por terem seus cabelos cacheados ou alisados.”

Daiane Purificação, Advogada

Lembro que na única vez que assisti esse concurso, eu e minha mãe torcíamos pra garota de Trinidad e Tobago, que aos nossos olhos era a melhor. Obviamente (aquele tempo) ela não ganhou. Fiquei frustrada e nunca mais assisti. Por ratificar naquele momento a obviedade da escolha pela beleza eurocêntrica. Não pensei que fosse viver para ver. Pode parecer bobagem. Mas não é! Representatividade é a palavra e cada vez mais importante é sim,para as meninas pequenas verem Majus na tv! Eu, na infância (apesar da pele branca), escondia meus cabelos crespos dentro de uma manta de bebê pra fingir que era cabelo comprido e liso. Pq era assim. E ainda hj escondo esses cabelos por detrás de “relaxamentos capilares” pq sim, a transição é um processo delicado e lento e prescinde de muita aceitação perante o espelho. Inclusive cortei curto essa semana. Pra ver se “agora vai”. Mas para minha filha,por exemplo, que tem 13 anos e está vivenciando tudo isso, é MEGA importante,para reafirmaçâo da sua identidade e da sua beleza! Muitas vezes ela titubeou em querer alisar, mas de uns anos pra cá, ela se sente linda e mega orgulhosa do seu cabelo black (apesar de mim). Conseguiu resistir aos esteriótipos padrões . E se sente representada em diversos nichos (insuficientes,sabemos),mas…

Érica Medeiros – Advogada e mãe de Olga de 13 anos.

Fontes: UOL, G1, Hélio Hintze

Café com pimenta

Por Juliana Barbosa

Arte: Clarissa Fersi

Em Janeiro de 2019, o governador de São Paulo, João Dória, afirmou que “a polícia vai atirar para matar”. Deixou claro qual seria a intenção das ações da PM.

1º de Dezembro. De acordo com a ouvidoria da PM, cerca de 5 mil pessoas estavam num baile funk, festa de rua comum na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo.
PARAISÓPOLIS! Remete ao paraíso!
Mas, sabemos que a realidade está longe disso.
Uma ação da Polícia Militar – daquelas que o Dória se referia em Janeiro, no Baile da 17 (nome da rua)um dos mais conhecidos, terminou com nove pessoas mortas na madrugada deste domingo. De acordo com a PM, policiais da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) entraram na comunidade durante uma perseguição a homens armados fugindo com motocicletas. A versão oficial também diz que os suspeitos atiraram contra a polícia.

Um morador da comunidade que também estava no baile funk disse que “essa foi uma das piores” ações da PM na favela. Segundo ele, “a 17 é bem concentrada em uma rua encruzilhada, e eles [PMs] chegaram pelas quatro ruas, por isso não tinha para onde correr”.

O morador contou que tinha “viatura para todo canto”. Em outros bailes, a única opção usada pelos frequentadores de escapar das ações truculentas da PM, segundo o morador, “sempre foram as vielas, mas desta vez os policiais desceram e foram atrás”.

Conforme os primeiros registros sobre as mortes no 89º Distrito Policial (Portal do Morumbi), quando os PMs entraram na comunidade usaram “munições químicas” para dispersar o baile funk. Os frequentadores teriam atirado garrafas e latas nos PMs, o que teria iniciado a confusão.

Acompanhem a linha de raciocínio: Dois suspeitos se escondem entre 5 mil pessoas. Para encontrá-los, a polícia joga uma bomba de gás na multidão, tiro de borracha, cassetete e munições químicas, numa encruzilhada SEM SAÍDA. Pensa.

É um exemplo da necropolítica. Esta suposta guerra contra o tráfico é uma cortina de fumaça para matar a população PRETA e PERIFÉRICA.
O grande consumo de drogas está nos condomínios de luxo; os barões do pó estão espalhados pela elite. Aquelas pessoas que morreram PISOTEADAS? Eis os nomes:

Gustavo Xavier, 14
Marcos Paulo Oliveira, 16
Dennys Guilherme dos Santos, 16
Denys Quirino, 16
Luara de Oliveira, 18
Bruno Gabriel dos Santos, 22
Eduardo Silva, 21
Mateus dos Santos Costa, 23
Gabriel de Moraes, 20

E antes de se distrair com um babaca falando alguma bobagem sobre o rock, ou outro pateta desviando atenção para um ator de Hollywood, se liga!

O salário mínimo vai pra R$ 1031,00.
Correto? Vamos devagar, sou de humanas.
Se dividirmos isso por 30 (equivalente a 1 mês), da R$ 34,36 por dia. Ou seja: a diária de um trabalhador não vale 1kg de carne, nem um lanche no Mc Donald.
Gás de cozinha R$90,00
Carne o kg R$41,00
Dólar R$4,28
30 ovos R$12,00 – Atenção com os de R$10,00 alguns estão vindo podres.

Bate panela, dança coreografia com camisa da CBF e faz arminha, que o “perrengue” passa.

Fontes: El País: exame; Veja

Aqualtune – baiana lança livro em que narra trajetória da avó de Zumbi dos Palmares

Escrito por Sara Messias, Aqualtune: Um Sonho Chamado Liberdade foi lançado dia 21 de novembro, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB).

Por Juliana Barbosa

A escritora baiana Sara Messias lançou dia 21 de novembro, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), o livro intitulado “Aqualtune: Um sonho chamado liberdade”. A obra conta a história da Rainha do Congo, que no Brasil é conhecida por ter sido avó de Zumbi dos Palmares.
Fruto de um trabalho de identidade, pesquisa e paixão, “Aqualtune” pretende levar ao leitor relatos de aventuras de uma mulher que viveu no século XVII, considerada como uma personagem revolucionária, corajosa e destemida, mas que se viu obrigada a se casar com o próprio primo.

A equipe do MMQI conversou com Sara, mulher negra, baiana, nascida no bairro do Garcia, em Salvador,que traduz no romance o Holocausto africano, o maior crime perpetrado contra a humanidade, no livro lançado um dia antes do dia da consciência negra.

MMQI O que levou você a escrever Aqualtune, de onde veio a sua inspiração? O que te levou a mergulhar em tanta pesquisa?
S.M Eu moro há mais de uma década na Itália, onde nasceu minha filha. Ao vê-la crescer longe da realidade do meu país, senti uma forte necessidade de resgatar a memória do povo brasileiro, das nossas raízes entrelaçadas aos nossos antepassados negros, índios e europeus. Eu quis dar a ela heroínas, nas quais pudesse se inspirar e através das quais pudesse aprender sobre a nossa história. Comecei a escrever sobre Dandara, já que eu não sabia da existência de Aqualtune. Foi estudando Dandara que eu descobri outras personagens fundamentais para a História do Brasil e tive a intuição de criar a Saga Afro-brasileira Quilombola, para dar voz a essas mulheres que foram silenciadas pela história oficial. E não teve jeito. Assim que li sobre Aqualtune me apaixonei pela sua história de vida e toda a sua trajetória de luta pela liberdade.

MMQI No Livro fica claro as influências que Zumbi herdou da avó das estratégias de guerra? Você propõe esse resgate da heroína mãe de Ganga Zumba?
S.M Sim, até porque Zumbi torna ao Quilombo dos Palmares com dezesseis anos. A influência de Aqualtune na sua vida foi fundamental, para que ele se tornasse o herói que conhecemos hoje. A minha proposta é fazer o leitor reviver a história de Aqualtune. O resgate histórico desta heroína mãe de Ganga Zumba é de grande importância, não só para o povo brasileiro, mas para a história universal. A vida de Aqualtune é um exemplo sobre o Holocausto Africano, o criminoso comércio de vidas humanas que deixou cicatrizes terríveis em nosso povo.

MMQI O lançamento de Aqualtune – Um sonho chamado liberdade, foi 21 novembro, um dia após um dia da Consciência Negra. Como foi este momento?
S.M Nossa! Foi maravilhoso, inesquecível e surpreendente. Descrever este momento é como viver novamente: a emoção e paixão por essa heroína, Aqualtune. Ela me dá tanta energia e aumenta o meu desejo de mostrar todas as heroínas que ela originou. Agora, é hora de fortalecer a história dela, divulgar o livro para que mais pessoas conheçam a trajetória dessa mulher incrível. Enquanto isso, preparo o caminho para os outros livros da saga.

Estudante da UFRB é morta a tiros na cidade de Cachoeira; ex- namorado é o suspeito

Elitânia de Souza da Hora tinha 25 anos e cursava o 7º semestre do curso de Serviço Social. Em nota, a UFRB informou que decretou luto oficial de três dias pela morte da estudante.

Reprodução: Facebook

Por Juliana Barbosa

Elitânia de Souza da Hora, 25 anos, foi assassinada às 22h50 desta quarta-feira (27) na cidade de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, a 120km de Salvador. A jovem era estudante do 7º semestre do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e foi morta a tiros, segundo informações preliminares da Polícia Civil, pelo ex- namorado,na rua Currais Velhos, que fica perto da Faculdade. O motivo seria a não aceitação do término do namoro. Ele está foragido desde a morte da jovem.

Arte: Georlando Neto

Em nota, a UFRB informou que decretou luto oficial de três dias pela morte da estudante e lamentou ‘as terríveis circunstâncias do crime’ e pede Justiça.

A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), por meio da Reitoria e da direção do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL), manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento da estudante Elitânia de Souza da Hora, do sétimo semestre do curso de Serviço Social, na noite desta quarta-feira, dia 27 de novembro.

As terríveis circunstâncias do crime contra Elitânia causam tristeza e indignação de toda a comunidade acadêmica. A UFRB deposita sua confiança nas autoridades para que a justiça seja feita.

O Vice-Reitor, no exercício da Reitoria, declara luto oficial de três dias na UFRB e a suspensão das aulas no Centro de Artes, Humanidades e Letras na data de hoje.

A Universidade está em contato com a família para prestar a devida assistência.

Ao registrarmos nossas condolências, manifestamos apoio e solidariedade aos amigos e familiares e a toda comunidade acadêmica.

Cruz das Almas, 28 de novembro de 2019.

José Pereira Mascarenhas Bisneto
Vice-Reitor no exercício da Reitoria

Fontes: Correio, Folha de São Paulo

Michael Aboya Fotógrafo de Gana é autor da melhor foto do ano

O nigeriano recebeu um dos maiores prêmios da fotografia mundial, com a foto ‘Songs of Freedom’(Canções de Liberdade, em português), inspirado em Bob Marley, em evento que aconteceu em 6 de outubro na cidade de Barcelona, Espanha.

Por Juliana Barbosa

Aboya tem 24 anos. Nigeriano, vive em Gana há 9 anos. Fez cursos de programação, mas sempre foi apaixonado pela fotografia. Há 4 anos, juntou dinheiro e começou a fotografar, e isso virou sua grande paixão. Depois de muito trabalho, ele ganhou um dos maiores prêmios possíveis em sua área profissional.

“Eu acredito que quando negros e indígenas contam suas próprias histórias, elas conseguem apresentar o seu país e seu continente de maneira nova para o mundo, mostrando o amor, a paz e a harmonia, e mostrando o lado positivo um pouquinho mais à mostra, deixando a negatividade pra trás. Eu criei essa imagem para enfatizar o fato de que nós temos o poder de nos libertar de qualquer tipo de prisão mental, física, espiritual ou emocional”, afirmou Aboya ao Bored Panda.

Confira fotos de Michael Aboya:

A foto que rendeu o prêmio a Aboya mostra três crianças ganesas, em Accra, capital do país africano, de punho erguido, enquanto uma delas toca um violino. A imagem é forte e inspiradora

Michael Aboya é um dos principais fotógrafos africanos. Autodidata, ele tem como foco o seu próprio povo e as imagens do lugar onde vive. O título da foto, ‘Songs of Freedom‘, é inspirado na canção ‘Redemption Song’, do cantor jamaicano Bob Marley. As crianças retratadas na imagem são filhos de pescadores do bairro de Labadi, parte costeira de Accra.

Fonte: Hypness