Revista Papo de Salão traz nova experiência estética

Foto: Jázio Velásquez

Por Paulo Leandro (MTB. 1.214-BA

A arte de tornar-se mais linda, o noticiário da última moda e tecnologia estética, acompanhado das melhores maneiras de cuidar bem de si mesma. Tudo isso e muito mais será possível apreciar na segunda edição da revista Papo de Salão, já em fase de reta final de edição para circular em outubro nos melhores endereços da beleza em Salvador.

O cenário atende à proposta editorial da publicação, totalmente produzida na capital baiana, com o objetivo de tornar-se uma das referências nacionais em experiência de contemplação do belo: será o espaço Nana Cabelo e Estética, de Rosana Velloso, no bairro da Graça.

aisthesis, de onde deriva aisthetiké, como chamavam os gregos da Antiguidade Clássica, na origem do conceito de estética, há 22 séculos, ganha atualidade no projeto do hair stylist e visagista Chico Fernandez, celebrando seus 26 anos de carreira, em parceria com a jornalista Juliana Barbosa.

Foto: Jázio Velásques

De currículo recheado com atuações em televisão, sites noticiosos e vivência na imprensa de Portugal, Juliana não só produz conteúdo para a Papo de Salão, como também é uma das modelos de presença mais alegradora para quem vai cultivar o prazer de por as vistas nas páginas coloridas da nova Papo de Salão.

Foto: Fernando Lopes

Nesta edição, a revista Papo de Salão tem também a participação especial da premiada jornalista Isana Pontes, responsável por editoriais fotográficos, além da edição e produção de textos.

Jázio Velásques

Papo de Salão traz, entre as principais novidades, o refinamento verificado nos detalhes da maquiagem das modelos, sob a responsabilidade de Miuson Matos, profissional estabelecido no mercado baiano, e dedicado à arte de valorizar a beleza.

Foto: Monique Gualberto

O time de fotógrafos, composto por Jázio Velásquez, Fernando Lopes e Monique Gualberto, já vem distribuindo algumas imagens nas redes sociais, como forma de deguste para os leitores da revista, cuja proposta é tida como uma preciosidade para os padrões de Salvador, reconhecidamente carente de belas publicações deste gênero.

FINAL

A Feira

Por Paulo Leandro

Como é bom machucar quem nos agride

Quem nunca teve inveja de um porco espinho?

Carregar todos aqueles espetos como proteção de todo tipo de relacionamento não deve ser nada mau.

E ainda ter patas fortes para escavar o solo e encontrar deliciosas batatas.

O bicho curte triturar os alimentos com calma porque sabe que ninguém vai encostar pra perturbar.

Suas mandíbulas são fortes e até castanha, que a gente comia no Natal, ele tritura no dente mesmo.

O porco-espinho não tem medo nem de lobo, que evita encarar aquela bola cheia de objetos pontiagudos.

Ai de quem encarar este bicho espinhoso. Sai com um espinho na pata, outro no focinho e pra tirar não é fácil.

Mas mesmo tão bem armado, o porco espinho não é de briga, seu ideal é ficar de boa.

Viver e deixar viver!

São 60 centímetros de comprimento contando com os 15 de cauda.

Pesa uns 15 quilos e só come raízes, frutas, brotos de árvores e seu prato predileto é casca macia de ramos para descansar os dentes afiados.

O porco-espinho tem segurança para andar por aí tudo, graças a sua defesa.

Tem na Austrália, em Madagáscar, em países europeus e no Brasil, seu parente mais  próximo é o ouriço-cacheiro.

O porco-espinho encontrou uma solução só sua para resolver sua defesa corporal.

Em vez de couraça, pele espessa ou pelos duros, endureceu cada pedaço de casco com secreção de calcário e ficou cheio de espinhos.

Taí um bicho que poderia ter um convívio tranquilo com o homem porque com tanto espinho, a probabilidade de viver sem ser perturbado é grande.

Muitos de nós viram porco-espinho sem saber, no sentido de metáfora..

Curte isolamento e nada de encarar o corpo a corpo porque produz dor e sofrimento no outro.

Então, não mexe com ele, tá?

As pessoas que curtem porco-espinho tendem a ser solo gâmicas, uma tendência de viver sozinho que tem crescido muito entre os bípedes erectus.

FINAL

A Feira

Por Paulo Leandro

Vamos respeitar as antas!

Reprodução

Um dos animais mais atacados, tanto no plano simbólico como no presencial, é a pobre da anta.

Vire e mexe, estamos lá apontando nosso dedo de sabichão: fulano ou sicrana é uma anta!

Sinônimo de imbecil, idiota, lesa, ignorante, a anta não é nada disso.

Trata-se de um bicho enorme que ama correr pela vegetação densa da mata.

Adora correr picula com outras antas, mas como elas são pesadonas, quando tem trombada, é difícil não doer.

O acasalamento ocorre a cada dois anos e o grande fetiche é curtir o sexo oposto antes de começar a chover forte.

Geralmente, a anta gosta de andar sozinha e de noite. O ouvido e o olfato são aguçadíssimos.

Os indígenas costumavam chamar a anta de tapir.

Mais respeito com a anta: trata-se do maior animal terrestre do Brasil; dois metros de comprimento por um de altura.

A onça é o maior predador, além do homem, é claro, ainda mais agora que a caça aos animais silvestres está pertinho de ser liberada.

A anta pode viver até 30 anos comendo brotos, raízes e folhas. Não incomoda a ninguém!

Mas como n em a anta de ferro, quando ela vê uma plantação de cana e cacau, cai matando no alimento.

Depois, dá sede e vai beber água no rio mais próximo.

Então vamos combinar, tá? Nada de chamar um idiota de anta.

A anta é a anta, o imbecil humano é um imbecil humano, nada a ver um com o outro.

Tem uma cidade baiana chamada de Antas e lá moram muitas pessoas inteligentes.

Só porque ela tem um jeitão meio tranquilo, não quer dizer que é uma “anta”.

FINAL

A Feira

700 quilos de mansidão

Por Paulo Leandro

O corpo humano, mesmo  baixinho ou um pouco mais magro, já é meio difícil de movimentar, quando a gente está meio cansado ou com preguiça,  imagina para quem tem dois metros de altura por três de largura, mais ou menos?

Pois o iaque, que vive em regiões geladas do Tibet e da China, tem de se acostumar como ele é para ser feliz. E nem demonstra quando está alegre porque nunca dá uma risadinha.

Bicho pouco associativo, tem o condão de evitar andar em manada e prefere fazer seu próprio caminho.

E se formos falar daquele pelo todo, parecendo dez casacos de madame um em cima do outro?

O mais curioso desta reflexão sobre como é o iaque está no seu temperamento.

Difícil encontrar um bicho mais medroso! Vamos chamar de tímido para ficar correto do ponto de vista psicológico, vai que é tudo uma ilusão e ele consegue acessar este texto pra dar uma lidinha no seu tablet conectado com o mundo. Pode não gostar.

Então, tímido, vai! Com este tamanhão todo, a carona enfezada cheia dos chifres espaçados, o iaque renuncia a qualquer briga e prefere dar no pé que encarar algum duelo.

Talvez ele não veja sentido nenhum na guerra e curta mesmo a paz e o amor, apesar de tanto armamento e proteção no couro grosso e peludão. 

Podia muito bem ser um tipo belicoso, mas não: prefere o entendimento e a autodeterminação dos animais.

Como é que pode um bicho meio touro meio tapete ser tão frouxo?

Precisava urgentemente de uma boa terapa, de duas vezes por semana, podia ser até gestalt, que funcionou bem com duas amigas minhas.

Para poder se ver melhor, saber de seu potencial, de sua força, vocês precisam ver o tamanho do diâmetro dos cascos e a rigidez destes equipamentos.

Bateu na fuça de um ordinário desse que curte arma e fuzil, era caixão e vela.

Mas, nada. O iaque simplesmente se vê passarinho, borboleta ou no máximo, um cachorrinho do gelo.

Não tem quem faça ele entender que é forte, poderoso e pode também ser mau.

Só tem um momento da vida que faz o iaque largar de ser besta e parar de ficar comendo as ervinhas que ele tanto aprecia.

É se mexerem com os filhinhos dele. Aí, ele recupera toda sua bestialidade de fera e espanta quem quiser que apareça pra perturbar sua prole.

Tem um momento lindo que é quando tem tempestade de neve e os iaques amigos mais coroas fazem um círculo e botam os iaquinhos no centro para proteger da nevasca.

Aliás, eu disse um, mas são dois momentos que o iaque é mais iaque e ambos envolvem família e relacionamentos sérios, probleminhas que não são privilégios de nós, humanos.

Você que está lendo, pesa quanto? Já pensou coordenar 700 quilos duelando por uma fêmea?

Quase esqueço de dizer que este bicho geralmente pacato não guenta sentir aquele cheirinho inebriante de mulherrrrrr para sair completamente do sério.

E eles ficam mesmo apaixonados, loucos por dar aquela bela montada, tanto que até se ferem gravemente em duelos de muita sofrência, emitindo em altos brados todo seu amor incontido.

Amam  e sangram de verdade por amor quando batem chifre com chifre diante do outro pretendente, candidatos em um concurso quase mortal pelo delicioso encaixe.

A fêmea fica só de boa, lubrificada e meiga, esperando o vencedor para dar aquele playmobil de preservação da espécie.

Se você vir um iaque por aí, mantenha-se calmo, basta passar por ele, pode ser bem de juntinho, só não mexa com a criança, se ele estiver indo levar o bebê pra escolinha no meio das montanhas de neve e jamais, mas jamais mesmo, mexa com a mulher do iaque, que ele é todo ciumento e mata e morre por aquele pedaço de carne macia.

De resto, voc~e pode até pedir um pouquinho da ervinha que ele tanto curte que ele é capaz de dividir com você, pois só briga por dois motivos sérios: os herdeiros e o grande amor de sua vida. 

FINAL

A Feira

Que tal uma língua preênsil de meio metro?

Por Paulo Leandro

O que você faria se tivesse uma língua de meio metro?

Uma língua bem escura, forte e ainda por cima, com capacidade de fixar aquilo que alcançasse para trazer com segurança à boca?

É o que chamamos de língua preênsil, dicionarizada como algo capaz de prender, segurar, envolver, puxar com segurança, difícil de desgrudar…

Você pode até ter fantasiado algo bem interessante, mas entenda que zoofilia é crime e a girafa não merece ser forçada a fazer o que não deseja.

A língua preênsil da girafa é um dos aspectos não visíveis que a fazem muito, mas muuuuuito diferente de qualquer outro animal.

Quem pensa que é só aquele pescoção invocado que a leva às alturas para comer suas guloseimas, pode ter minimizado demais o poder encantador que tem este bicho criado por Epimeteu enquanto Prometeu estava distraído.

O grande inimigo – o leão – é indeciso o suficiente para não ter certeza se aquilo comprido é uma árvore ou sua deliciosa presa.

Isso quando está a distancia ou a chegada da deusa Selene enquanto o deus Hélio descansa, torna a savana mais escurinha, como quando desligamos o abajur nas noites de festa.

E será que você que está lendo conseguiria correr 50 quilômetros e meio se suas pernas medissem 2 metros e meio?

Podem jurar que a girafa não tem esta inteligência toda, mas desafio qualquer um da espécie humana a desdenhar de seu jeito aparentemente desengonçado de correr.

A girafa corre toda estranha: primeiro move as patas de um lado, depois as do outro, alternadamente. Difícil de descrever quanto mais de entender, mas o certo é que são passadas rápidas, correndo assim, lateralmente, como ninguém mais corre.

Uma girafa pode pesar meia tonelada e se for uma daquelas bem invocadas, pode até matar um leão com uma patada.

Mas, geralmente, este ser é dócil e tranquilo, se não mexer com ela, não será ela a tomar a iniciativa de agredir nem uma fomiga.

A girafa é daqueles seres iluminados que seguem o lema ‘viva e deixe viver’. A viagem da vida dela é comer folhinhas do alto de seus 6 metros, equivalente a sua invejável altura.

O problema da girafa é quando precisa beber água porque tem de abaixar todo o pescoção e aí, se tiver algum leão esperto na área, já foi.

O único primo da girafa é o ocápi, que é muito mais modesto em tudo, menos na língua de meio metro, que ele curte ficar passando nas orelhas, talvez como uma auto-satisfação.

Quando for dar a língua pra alguém, seja por mal criação ou prazer de alegrar, você pode pensar: ah, como seria bom ser uma girafa, ao menos por uma noite…

FINAL

A Feira

Convívio de ema: o harém que troca de machos

Imagem: Os Bichos da Editora Abril

Tudo depende de como combinamos as coisas.

O esforço é o da empatia, em alemão einflung, usado por Freud em Os chistes e sua relação com o inconsciente, de 1905.

Este esforço de colocar-se no lugar do outro é que te fornece a identidade.

Porque sem o outro, não tinha como a gente se afirmar nada. No RG, é o outro que diz e carimba.

Vejam como a ema resolve tocar a vida em um modelo de convívio que resolve esta inevitável crise de identidade da modernidade cartesiana e ajuda bem a entender o conceito de liberdade como uma condenação ao modo sartreano de ver a vida.

Porque quando escolhemos uma opção entre milhares, nunca saberemos se aquela foi mesmo a correta.

Nunca experimentaremos as outras que não escolhemos; e como precisamos escolher toda hora uma coisa ou ação em meio a milhares, a probabilidade aritmética de escolhermos errado é muito alta.

A escolha da ema, que gemeu no tronco do jurema, na música de Gilberto Gil, é por um modelo que seria bem problemático seguir em uma sociedade humana contemporânea.

A ema adotou um tipo de modelo que envolve harém e libertação, em fluxo constante e divertido, ao desenvolver um convívio em grupos de um macho e algumas fêmeas.

Quem cuida dos filhotes é o senhor Emo, um ser muito tenso quando trata-se de defender sua galerinha de eminhos fofos.

Quem conhece o jogador Emo, revelado pelo Redenção, ídolo do Bahia, vai entender como é a ema, porque é mesmo que estar vendo Emo.

Pois estes emos, os de pluma e pernas longas e pescoço comprido, não podem nem se ver, que é briga certa, hostilidade total.

A mulher que se controi na ema é poliamorista e tem um desenvolvimento de gênero de fazer inveja a qualquer movimento feminista: depois que uma fêmea põe os ovos, o emo é que vai ficar chocando e cuidando, enquanto a mamãe volta logo pro rolê com as outras emas parças.

Seria mais ou menos depois do parto, o maridão leva o bebê, a mamãe deixa o leitinho naqueles recipientes apropriados tipo uma mamadeira, o maridão cuida do bebê e a mamãe sai pra comemorar o parto bem sucedido com a galera que já tá esperando com todas as providências administradas.

O chato desta questão de gênero, que tomou proporções maiores que a velha luta de classes, é a possibilidade de alguma injustiça com o emo pai que ficou cuidando da ninhada. É que as mina ema tão solta na pista e se aparecer outro macho com algum charme e que apeteçam os instintos emais, elas não vêem nenhum problema em deixar-se devorar pelo novo amor. E em série, respeitando-se a filinha com alguma senha naquelas cabeça azuada de ave selvagem meio vida louca.

Este revezamento faz do harém o protagonista em lugar do emo macho alfa TOP. Porque quanto mais fecundadas por machos diversos, mais uma ema terá variedade genética para resistência a doenças. Também concorre para tipo uma eugenia, considerando-se os padrões mais desejados pelas emas, no momento de entregar-se a um novo emo. É a inclinação para preservar e melhorar a espécie.

Para Schopenhauer, amor era muito isso. Biologia. Quando nos inclinamos por alguém é porque o instinto está certo que o objeto do desejo é o melhor possível para melhorar a espécie. É mais atração que virtude.

Uma criatura como a ema, com este desenvolvimento, no momento de relacionar-se, não é considerada nos Pampas. O povo necessitado vê na ema a oportunidade de arrancar as plumas para conseguir um dinheirinho extra.

Um lugar com tanta carne e proteína animal, como é esta vastidão de natureza do Rio Grande do Sul  e Argentina, podia servir de alívio para a ema viver em paz, com sua sofreguidão curada de galera, mas que nada: a ema é caçada como se caça bezerro.

As emas tão ali de boa com seu emo novo, em mais um rodízio alegrador, quando recebe no pescoção uma boleadora rodopiante que deve doer como quê!

Espécie humana, sai fora, já deu o que tinha de dar, vai cuidar de seu restinho de planeta, que em duas gerações acaba. 

Ficar matando um ser, que é muito superior na hora de relacionar-se, é mais uma vergonha que tenho de meus ditos semelhantes.

FINAL

Ditadura e Futebol- A taça do mundo ainda é nossa?

Por Paulo Leandro

Foto: Reprodução Internet – Copa 1970 – Médici e Carlos Alberto

Desde a antiguidade, quem está no poder procurou ficar perto dos bons jogadores aplaudidos pelas torcidas ancestrais.
Sacerdotes e reis, princesas e sultões, era de bom tom colar com um ídolo entre os esportes de combate e atletismo, primeiras modalidades.
Se nas democracias, o poder procura aproximar-se da representação desportiva que os ídolos dispõem, imagina nas ditaduras.
Ditaduras são regimes de exceção que suprimem as liberdades individuais e associativas em nome de uma idealidade de Estado ou bandeira.
Não costumam ser muito simpáticas porque não estão ligando para direitos da cidadania pois o foco é o fortalecimento do Executivo e de uma liderança.
Nas ditaduras latino-americanas, o futebol esteve sempre muito próximo das ações políticas, porque são assuntos que apaixonam as massas.
Na Argentina, os motoneros e outras associações belicosas de inspiração marxista, tinham suas facções entre os torcedores.
O regime instaurado pelo grupo liderado por Jorge Rafael Vidella em 24 de março de 1976 comemorou um título mundial de futebol dois anos depois.
Foi na Copa realizada na Argentina, que verificamos muita facilidade na goleada de 6×0 sobre o Peru que resultou na eliminação do Brasil.
No Chile, foram os estádios transformados em campos de concentração nos dias que se seguiram ao bombardeio do Palácio de La Moneda em 11 de setembro de 1973, com a morte do presidente eleito e legalmente constituído, Salvador Allende.
No Estádio Nacional de Santiago, o portão 8 foi tombado pois ali era o local de execução dos opositores ao regime tão logo fôra instalado.
No Brasil, a aproximação do regime com o futebol resultou na conquista de um título mundial em 1970, pois a Escola de Educação Física do Exército teve papel fundamental na preparação do selecionado. Todos os seis jogos foram vencidos pelo Brasil no segundo tempo.
Os presidentes militares não eram assim tão antipatizados como se pode representar hoje e compareciam, aplaudidíssimos, aos estádios de futebol.
Na ditadura brasileira, jogadores que tinham algo a dizer, como o meia Afonsinho, foram perseguidos e só dirigia os clubes, quem os militares aprovassem.
Em âmbito regional,as lideranças políticas dos estados também curtiam associar-se ao futebol, que neste tempo teve um grande desenvolvimento.
Foram concluídos ou ampliados nossos grandes estádios, alguns deles vieram a encolher recentemente com o modelo arena.
Na Bahia, a reinauguração da Fonte Nova, em março de 1971, ensejou uma grande tragédia. Não se soube nunca o número de mortos.
Entrou mais gente que o estádio aguentaria e bastou um tumulto para o corre-corre generalizado e torcedores terminaram se atirando do alto do segundo anel da arquibancada, recém-inaugurado, para baixo.
O futebol e a ditadura foram se transformando um ao outro e, enquanto o futebol ficava com cara de ditadura, como na seleção de 78. o regime foi gradual e lentamente, como disse o general Geisel, permitindo a volta da velha e boa democracia.
No entanto, não é privilégio da ditadura escravizar o futebol. Nas ditas democracias e em tudo que é regime, incluindo o fascista e o nazista, o desporto é utilizado para propaganda.
Na Itália bicampeã mundial de 34 e 38 mesmo, o treinador Vitório Pozzo descia para o gramado para alinhar com os jogadores a fim de verificar se todos estavam mesmo estendo o braço direito, fazendo a saudação fascista.
A lógica da saudação fascista no futebol é irritar os opositores. Engana-se quem pensa que era uma saudação ao Duce Mussolini.
Quando as vaias cessavam, os jogadores baixavam os braços, mas Vitorio Pozzo logo gritava; “Azzuri, avanti!”
E lá iam todos estender o braço de novo pra botar ódio na resistência.
É assim o mundo, que tem na política e no desporto dois campos distintos, ora antagônicos, ora complementares.
Poucas mudanças significativas se pode verificar entre este casamento duradouro, uma delas é o fim do hábito de cortar a cabeça de um prisioneiro para servir de bola nos babas medievais.
FINAL