Luto na Bahia. Morre Jorge Portugal

Ex- secretário de cultura sofreu complicações cardíacas

Foto – Reprodução (Internet)

Da Redação- MMQI

A Bahia anoiteceu mais triste nesta (03). Morre o professor,escritor,
compositor e apresentador Jorge Portugal. Atendido por uma equipe do SAMU (Serviço
Móvel de Urgência), ele deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Geral
Roberto Santos apresentando um quadro de falência cardíaca aguda com sinais de
insuficiência respiratória.


Ex-secretário de cultura na primeira gestão do atual senador Jaques Wagner (PT), Jorge
Portugal nasceu em Santo Amaro, no Recôncavo, e completaria 64 anos no dia 05
(quarta-feira). Formado em Letras pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Jorge
marcou teve sua carreira voltada como educador em cursinhos pré-vestibulares, se
consolidando como apresentador do programa “Aprovado” na TV Bahia.

Em nota, o governador Rui Costa lamentou o falecimento e decretou luto oficial no estado
nesta terça-feira (04).
Fonte – Correio da Bahia

Afrontosa

Colorir para Existir

Por Li Afrontosa

Arquivo pessoal
     Por Li Afrontosa 

Em 1969 em Nova York um grupo de homossexuais reagiram a invasão de policiais em um bar chamado Stonnewall Inn, o conflito ficou conhecido como o mais importante ato de resistência e originou nos anos seguintes as paradas anuais de orgulho LGBTQIA+ que luta pelos direitos, respeito e contra a violência e discriminação sofrida pela comunidade.
No Brasil a cada 23 horas uma pessoa lgbtq é assassinada além, de ataques físicos violentos, eles enfrentam violências verbais, psicológicas, sexuais, dificuldades para se colocarem no mercado de trabalho e principalmente de não poderem assumir publicamente sua orientação sexual e exercerem a liberdade de amar quem quiser.
O arco íris é o símbolo da comunidade LGBTQIA + e chama atenção para o colorido plural que é a vida, nos convidando a refletir que de fato não há nada de errado em amar.
Os padrões sociais, religiosos e ideológicos estão a anos tentando reprimir, discriminar, marginalizar e criminalizar a existência dessas pessoas, o que torna a luta diária por respeito a diversidade uma bandeira de todos que desejam uma sociedade mais justa e humana.
Para entender melhor as vivências de uma pessoa lgbtq, convidei a artista Drag Queen baiana Manoca Costa para um bate papo


Mmqi: Defina Manoca


Manoca Costa: Manoca é, antes de tudo, filha de Suzinete e Ribeiro. E da família Maciel. Preciso me definir primeiro assim porque todo o resto são complementos e jamais seriam iguais caso eu não tivesse nascido nessa família. Depois disso, eu sou uma artista LGBTQIA+ e uma pessoa que respeita TODAS as pessoas. Até mesmo as que não me compreendem. Sou artista desde que nasci e me fiz cantora. Meu gênero é fluido e minha vontade de vencer é enorme. Por eles. E por mim.


Mmqi: Quando você se entendeu e se aceitou?


Manoca Costa: Na verdade eu sempre me aceitei, não teve uma época em que eu não tivesse me aceitado e nem minha família. Sobre entender, só fui entender mesmo na sétima série do ensino fundamental.


Mmqi: Já sofreu algum tipo de violência ou discriminação?


Manoca Costa: Discriminação sim. E violência verbal. Na verdade eu sempre vou sofrer porque o mundo não foi moldado para pessoas LGBTQIA+, nós é que estamos nos moldando ao mundo e eles vão ter que nos ver passar e brilhar. No ensino fundamental um colega chegou a trocar de cadeira porque sentei ao lado dele e eu não entendia o motivo. Mas chorei quietinha no banheiro. Todas essas mini agressões me fizeram ter a força que tenho hoje. Não abaixo a cabeça pra ninguém que não seja da minha família.


Mmqi: Recentemente seu pai virou referência para a comunidade LGBTQ + como foi esse acolhimento?


Manoca Costa: SIMMMM! Eu sempre soube que na primeira vez que fizéssemos um vídeo contando nossa história ele viralizaria. Porque, além de bonita, é uma história REAL. Meu pai sentava comigo no chão da sala pra me ouvir cantar desafinado e me passar a confiança de que eu poderia e posso sim ser uma artista reconhecida. O acolhimento foi algo normal. Porque eu fui acolhida desde o parto. Quando eu me assumi, nada mudou. Aliás, mudou. Pra melhor.


Mmqi: O que você espera para o futuro?


Manoca Costa: Espero que pessoas LGBTS que vierem atrás de mim sofram menos do que as gerações anteriores e que eu consiga realizar todos os meus sonhos. E o primeiro deles é ser orgulho para minha família e retribuir financeiramente tudo o que fizeram por mim. Não é uma cobrança deles. É minha. E vou honrar!

Uma Carta para Seu Luiz

Caro Velho Lua

Em tempos de internet,alta tecnologia, whats app, rede sociais e e-mails, resolvi escrever uma carta para aproveitar o advento do 5G e transmitir as notícias deste mundo, com maior rapidez, refletindo o sentimento de todos em meio a tantos acontecimentos. Não estranhe se eu te falar que atualmente estamos trancados em casa, sem fogueiras e nem fogos, por conta de uma pandemia que assola o mundo, atacando o sistema respiratório e trazendo outros sintomas, levando o “cabra” a morte.

Sua música e seu legado estão sendo transmitidos em canais de streaming pela na grande rede. O mundo,em tempo real, vê a sua história e a sua produção que fala do sertão, da seca, dos amores e dos casos de homens e mulheres reais. Hoje não temos as bandeirolas e balões que adornam e dão colorido às ruas,pois o medo de nos tomarem a vida preenche o vazio dos dias frios de inverno.

E neste inferno diário, vivemos, ou melhor sobrevivemos, no país onde um governante dá péssimos exemplos frente a uma calamidade pública, deixando 210 milhões de habitantes a mercê da própria sorte, em uma roleta russa entre a vida e a morte. Ficamos em casa para não superlotar o sistema público de saúde e, se não fosse por ele, teríamos uma tragédia muito pior. Sei que, caso vivo estivesse, estaria senil e consciente para escrever uma composição, denunciando este estado de coisas, reclamando com Deus assim como em uma Súplica Cearense que o “compadi” Gordurinha te ofereceu. Mas quem contou a morte de um vaqueiro em verso e prosa, certamente vai tirar de letra esse desabafo.

Vivemos divididos, polarizados, insatisfeitos com um país que discrimina negros e nordestinos, mata mulheres, índios e jovens. Este é um Brasil distante da sua alegria, vista e revista por milhares em matinês lotadas no auditório da Rádio Nacional naquelas tardes das décadas de 40 e 50. Infelizmente esse país cheio de problemas existe e resiste ao passar dos tempos. Nem mesmo a “cinturinha de pilão” dá para esconder a misoginia dos versos e nem mesmo o senhor falaria frases como “Mulher querendo é bom demais.”,pois grupos feministas “cairiam de pau”. Nestes tempos, não dá mais para cantar o Xote das Meninas e falar que “Ela só quer, só pensa em namorar”,pois a mulher está conquistando espaços nunca antes imaginados,enfrentando obstáculos para se impor frente a um mundo hegemonicamente masculino.

Talvez, hoje em dia, o senhor falaria da luz na roça, do matuto com o celular na mão, que pode filmar,mostrar a sua plantação em tempo real e ser blogueiro para levar uma “Vida de Viajante”, assim como eu quero fazer com os meus dotes jornalísticos. Talvez você falaria de um certo barbudo irmão nosso, que se tornou presidente e a pessoa mais respeitada no mundo ou então de um intelectual, bem como de uma mulher que também sentou a cadeira da presidência. Assim como em “Xote Ecológico”, o senhor também cantaria sobre os cuidados com o meio ambiente e teria como parceiros grandes artistas que se espelham na sua obra, nomes de primeira linha como Lenine, Mestrinho, Zeca Baleiro, Chico César, Chico Science e Carlinhos Brown ou então faria parcerias pontuais com Flávio José, Targino Gondim, Adelmário Coelho e veria a sua criação se modernizar ecoando pelos quatro cantos do país em tons “lambadeados” por bandas com quatro,cinco cantores.

Talvez você veria com muito orgulho as mulheres despontando cada vez mais, uma em especial,baiana, “arretada” e sertaneja como tu, que herdou a sua alegria em levar na música a verdade de um povo e se eternizar nele.

E como em um retorno da Asa Branca, olhamos para nossas tradições com grandes lembranças das quadrilhas, dos trios nordestinos que saiam as noites para ir de casa em casa perguntar se “São João passou por aí”. Em meio a iminência de um “novo normal”, creio que só iremos ficar com as lembranças ou revisita-las com mais intensidade. Certamente, depois que tudo isso acabar, iremos sentar em frente a uma fogueira e celebrar a alegria do nosso povo e a fartura nas nossas mesas. Saudade de viajar,pegar estrada,sentir o clima do interior,visitar os nossos parentes e pegar aquele gostinho de Pé de Serra.

Em meio a essa loucura que se tornou as nossas vidas em 2020, a lembrança da sua presença neste plano nos consola. A sua alegria é o maior legado para seguir em frente e encarar esse tal de “novo normal” com a natureza preservada, os mares limpos, o ar puro e os pássaros cantando. Vivamos o São João em um novo tempo,com a esperança renovada.

Com o carinho de sempre e agradecido pela sua contribuição, do cabra mais feliz em seguir o seu legado, um cidadão nordestino com muito orgulho

Gustavo Medeiros

Luto na História. A Bahia perde Luís Henrique Dias Tavares

Ele tinha 94 anos e deixou um grande legado para a história do nosso estado

Foto- Divulgação

Da Redação MMQI

A intelectualidade baiana sofre mais uma perda com o falecimento do historiador Luís Henrique Dias Tavares nesta segunda-feira (22). Formado em História e Geografia, ele era professor emérito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutor honoris causa da universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Nascido em Nazaré, Recôncavo Baiano. Luís Henrique tinha 94 anos e ocupava cadeira número 1 da Academia de Letras da Bahia, onde era membro desde 1968. Ele contribuiu bastante para ampliar o conhecimento sobre a história da Bahia com suas obras. Seu livro “História da Bahia” reúne um grande arcabouço de informações sobre a formação do povo baiano.

Por conta de sua grande contribuição, o professor se tornou sócio da Academia Portuguesa de História e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Além de escrever obras sobre a história de nosso estado, Luís Henrique também é autor de livros de contos e poesias.

O MMQI presta uma grande homenagem a este baiano ilustre

Fonte – Bahia.ba e Metro 1

Grande perda no jornalismo baiano. Morre João Carlos Teixeira Gomes, o Pena de Aço

Jornalista que desafiou o carlismo estava internado no Hospital da Bahia

Foto – Reprodução

Da Redação MMQI

O jornalismo brasileiro amanheceu triste nesta sexta feira (19) com a perda do grande João Carlos Teixeira Gomes. Conhecido como Pena de Aço, Joca ocupava a cadeira de número 15 da Academia de Letras da Bahia e se despediu de nós na noite da última quinta-feira (18) após vários dias internado no Hospital da Bahia.

Segundo informações de amigos mais próximos, ele estava enfrentando um AVC ( Acidente Vascular Cerebral) no cerebelo há cerca de três anos. De lá para cá, o seu estado de saúde nunca foi o mesmo. Nos últimos dias, uma fraqueza, precedida de uma pneumonia e falência múltipla dos órgãos, o levou para o internamento.

Além de jornalista, João Carlos era escritor,ensaísta e professor. Junto com Florisvaldo Matos, Calazans Neto e Glauber Rocha ( de quem é biógrafo) formou a geração MAPA na ALB. Mas foi como de perfis biográficos que Joca se notabilizou, mas precisamente por sua coragem em desafiar Antônio Carlos Magalhães com a biografia “Memória das Trevas”, onde ele descreve a trajetória de poder do ex- governador e ex-senador da Bahia.

Joca foi o autor da obra que desafiou o Carlismo. Foto – Divulgação

O nosso Pena de Aço construiu uma carreira sólida dentro do jornalismo, trabalhando, durante muito tempo, no Jornal da Bahia, ocupando diversos cargos, de repórter a chefe de reportagem. Joca também trabalhou no Jornal A Tarde como colaborador fixo e foi secretário de comunicação do Governo do Estado na gestão de Waldir Pires.

Joca deixou uma vasta obra composta por biografias e contos, contribuindo, de forma incansável, para o desenvolvimento da carreira jornalística no estado. É dessa forma que o MMQI homenageia um dos grande nomes do nosso jornalismo.

Fontes – Bahia.ba, Metro 1 e Correio da Bahia