Insights do Cotidiano

Saúde Mental em Tempos de Isolamento

Por Priscilla Fraga

“Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa
Como que se fosse combinado em todo o planeta
Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém

O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não ‘tava lá
Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não ‘tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não ‘tava lá
E o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar”

(Raul Seixas)

Como Raul cantava “No dia em que a Terra parou”, imagina-se que ele não fazia idéia do que enfrentaríamos anos depois. Hoje sabemos que o isolamento social é a melhor forma de prevenção ao corona vírus, porém esse novo “normal” trazimpactos nas nossas emoções. 

Cada pessoa vivenciará o momento de maneira diferente, isso é inegável, independente da condição física, mental ou social, porém se já temos antecedentes de diagnóstico de transtornos psicológicos, chamo ainda mais atenção para a ansiedade e a depressão, pois os desdobramentos podem ser ainda mais graves, para algumas pessoas.

E você deve estar, a se perguntar o por que? Bom, porque, pessoas ansiosas se preocupam excessivamente, apresentam dificuldade de se concentrar, irritam-se com facilidade, tem alteração no sono, tensão muscular, além das suas expectativas, serem passíveis a frustração, na grande maioria das vezes. Já nos transtornos depressivos, as pessoas tendem a estarem em um estado de tristeza profunda, tomadas por sentimentos de desespero e desesperança, o que interfere diretamente em atividades da vida cotidiana, diminuindo o interesse em realizá-las, insônia, além dos fatores externos que podem desencadear-la como estressores, perdas e separações.

O que podemos fazer ? Segue abaixo cinco dicas:

1. Rotina

Tente elaborar uma rotina mesmo que semi-estruturada, passível a flexibilizações e mudanças, pois ela ajudará a organizar suas atividades diárias e evitará sensações de angustia e vazio.

2. Tecnologia

Use-a de maneira sábia, a fim de estar próximo dos seus afetos. Evite entrar em contato com notícias que lhe desregulem emocionalmente, ocasionando por consequência crises emocionais.

3. Meditação

Pratique-a, pois ela irá lhe ajudar a diminuir o stress e a ansiedade, melhorar a concentração, além de ser uma excelente ferramenta para estar mais em contato com o autoconhecimento.

4. Atividade Física

Faça atividades que te dêem prazer, pois elas colaboram com o sistema imunológico e melhoram a sensação de bem estar.

5. Terapia On-line

Busque ajuda, caso perceba que não está conseguindo administrar as suas demandas, e não a hesite, ela é fundamental no processo.

Esse nosso inimigo é invisível, mas você não precisa ser diante das suas necessidades.

Se cuide, se ame, se proteja!

*A experiência de vida e profissional.

Fontes utilizadas:

*https://ufrj.br/noticia/2020/03/25/coronavirus-saude-mental-em-tempos-de-isolamento

*http://www.pucrs.br/blog/cuidados-com-a-saude-mental-em-tempos-de-isolamento-social/

*https://saude.abril.com.br/podcast/a-saude-mental-durante-e-apos-a-pandemia-de-coronavirus-podcast/

Insights do Cotidiano

O mundo

Por Priscilla Fraga

“Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus.
Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E
disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras
iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores.


Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche
o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros
incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem
pestanejar, e quem chegar perto pega fogo. ”

(Livro dos Abraços- Eduardo Galeano)

Há muito tempo os alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) eram invisibilizados pela sociedade, atualmente, com as lutas pela equidade no ensino- aprendizagem, passa-se a assegurar um sistema mais inclusivo na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Portanto, a luta por essa garantia de direitos é nova, tem pouco mais de vinte
anos, acompanhada de outras lacunas, principalmente as que tangem ao
desenvolvimento de recursos que viabilizem uma vida mais funcional, que respeite as dificuldades e limitações de cada um, pois todos têm algo a contribuir. Em referência ao texto de Eduardo Galeano, chamado “O mundo”, ele sinaliza a diversidade, pois, segundo ele, somos um mar de fogueirinhas, cada um com sua peculiaridade, e isso é o que nos torna tão especiais em estar e agir no mundo. Compreende-se que poucos são os alunos oportunizados a mudar o estigma e rótulos postos ao longo dos anos, pois comumente são vistos como incapacitados. ONGS, como o Projeto FAMA, em Salvador-BA, fazem a diferença na vida dos que participam do projeto, que tem o objetivo de incluir pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista no mercado de trabalho, incentivando o projeto de vida de cada um, potencializando e valorizando seus pontos de eficiência. Através de um atendimento multidisciplinar é feita uma entrevista com a família, analisando-se o contexto, os cuidadores e o quanto os responsáveis estão
comprometidos, com as mudanças que serão necessárias para que essa nova empreitada exigirá. São oferecidas três oficinas: Informática, artesanato e culinária, para, além disso, há um grupo terapêutico para a família que é requisito obrigatório, visando fortalecer os cuidadores emocionalmente e suporte pedagógico, auxiliando na conquista de novas competências e habilidades. Ver-se, portanto, a necessidade de incentivar a formação de políticas públicas voltadas para o tema, embasada em ações que já deram certo, como o Projeto FAMA, já que, como Clarice Lispector cita, “nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”. Assim sendo, um olhar atento e aberto ao outro torna-se condição necessária para versar sobre a inclusão, o que a torna mais delicada, pois isso depende de cada um, deste modo, uma escolha. Por isso, escolho deixar aqui o meu apelo, escolha ser diferente! O mundo precisa de pessoas assim como você, que parou e dedicou um pouco do seu tempo para ler esse texto.

Insights do Cotidiano

Por si mesmo

Por Priscilla Fraga

Imagem: Internet


“[…]

Quem julga saber

E esquece de aprender

Coitado de quem se interessa pouco

E quando chorar

Tristeza pra lavar

Num ombro cai metade do sufoco

O novo virá

Pra re-harmonizar

A terra, o ar, água e o fogo

E sem se queixar

As peças vão voltar

Pra mesma caixa no final do jogo

Pode esperar

O tempo nos dirá

Que nada como um dia após o outro”

(Um Dia Após o Outro -Tiago Iorc)

Imagem: Internet


O Transtorno do Espectro Autista afeta três áreas: Linguagem (fala; linguagem corporal; flexibilização do pensamento, etc.), Socialização (Iniciar e manter uma conversa; hiposensibilidade ou hipersensibilidade ao toque, etc.) e Estereotipias, além dos interesses restritos, porém afeta também todos aqueles que convivem.

Ainda não se sabe quais as causas do Autismo, só sabemos que ter alguém com esse espectro no nosso meio incita de nós; sensibilidade, dedicação e acima de tudo paciência.  Há momentos que não saberemos o que fazer, pois receita de bolo pronto nesses casos, não existe; cada ser é singular, por mais que traços seja comuns, eles se manifestam de maneiras variadas e diferentes.

Aquele a quem recebe esse diagnóstico também é uma criança, um adolescente ou um adulto e que sua aceitação independe entre ser ou não ser autista. Confesso, que o sentimento algumas vezes é de impotência, inércia, porque muitas vezes as nossas expectativas, são  transfiguradas em frustrações.

Para além do ser cuidado, quem cuida merece ser olhado, o mundo não é perfeito, não somos perfeitos, mas exigimos na nossa relação com o outro essa perfeição, cada um só pode ofertar aquilo que tem. A cada dia, é importante ter em mente que é necessário respeitar o espaço, o limite e outro na tentativa de parar de idealizar o mundo e as pessoas.

Imagem: Internet

Referências:

GÓMEZ, Ana Maria Salgado; TERÁN, Nora Espinosa. Transtornos de aprendizagem e autismo. São Paulo: Grupo Cultural, 2014.

ROTTA, N. T.; OHLWEILER, L.; RIESGO, R. S. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa; GAIATO, Mayra Bonifacio; REVELES, Leandro Thadeu. Mundo Singular: entenda o autismo. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva Ltda, 2012.

Ninguém fica pra trás: 21 de Março, Dia Internacional da Síndrome de Down 2019

Chefs Especiais: Em São Paulo, cafeteria é comandada por atendentes com síndrome de Down

Funcionários são alunos de escola de gastronomia. O menu, estampado atrás do balcão, avisa: aqui se oferece respeito, oportunidade, amor e inclusão.

Por Juliana Barbosa e Priscilla Fraga

Dentre os 365 dias do ano, o “21/03” foi inteligentemente escolhido porque a Síndrome de Down é uma alteração genética no cromossomo “21”, que deve ser formado por um par, mas no caso das pessoas com a síndrome, aparece com “3” exemplares (trissomia). A ideia surgiu na Down Syndrome Internacional, na pessoa do geneticista da Universidade de Genebra, Stylianos E. Antonorakis, e foi referendada pela Organização das Nações Unidas em seu calendário oficial. Ao longo da história muitos nomes pejorativos foram colocados para os portadores da Síndrome. O reconhecimento como uma manifestação clínica só ocorreu com o trabalho de Langdon Down, em 1866, porém esta terminologia usada até os dias atuais só foi reconhecida quase cem anos depois, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1965.
Apesar de serem subestimados no percurso histórico, atualmente eles estão se desafiando a cada dia e sendo oportunizados a isso, quebrando mais uma vez os estigmas excludentes que lhe eram colocados; dois bons exemplos são: o filme Colegas (deixarei o link para maiores informações) e uma cafeteria em São Paulo que além de ser idealizada por portadores de SD todos os seus funcionários também são portadores da Síndrome. O negócio começou com a ideia de inclui-los no mercado de trabalho .A cafeteria fica em São Paulo, na R. Augusta, 2559. Os clientes costumam descrever o lugar como acolhedor, onde os funcionários atendem com sorrisos e abraços. A limitação já começa em não querer tentar, como dizem os mais velhos: “devagar, se vai longe” e eu complemento, devagar se vai longe quando se tem paciência de saber esperar e compreender o outro nas suas diferenças! Viva a diferença! Até porque, ser diferente é normal!

Fontes: CLIFF, Cunningham. Síndrome de Down: uma introdução para pais e cuidadores. Tradução Ronaldo Cataldo Costa. 3. Ed. Porto Alegre – RS. Artmed, 2008.

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-209826/

https://revistapegn.globo.com/Negocios/noticia/2017/06/cafeteria-em-sp-e-comandada-por-pessoas-com-sindrome-de-down.html