Pílulas de química

Por Hélio Messeder

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Me “covid” para tomar água tônica.

Estava eu preparando minha gin tônica com limão siciliano ontem pensando em qual pílula química deveria escrever.

Pensei em escrever sobre adoçantes que é uma pílula que estou devendo faz um tempo, mas eis que pula na tela do meu computador ̶u̶m̶a̶ ̶l̶i̶v̶e̶ ̶s̶e̶r̶t̶a̶n̶e̶j̶a̶ um vídeo de uma moça abrindo um freezer, numa atuação digna de um Oscar, e o diálogo acontece mais ou menos assim:

– O que você está fazendo Vitória?

Vitória responde super cheia de certeza

– Água tônica tem quinino. Quinino é a base da cloroquina. E isso aqui você pode comprar tanto no supermercado como eu to fazendo, como na conveniência da esquina. Isso aqui a Globo não te conta

Fiz a cara do picachu chocado, bebi um gole dos meus bons drinks e, assim, diante de tudo isso, tive que parar minha pesquisa em adoçantes e vir aqui falar sobre água tônica e o motivo pelo qual ela NÂO pode curar ou prevenir do coronavírus. Venha comigo pensar um pouco como a matéria se comporta pensando o caso do quinino.

Na água tônica tem mesmo uma substância chamada quinina. A quinina é extraída a partir de uma árvore chamada Cinchona. O nome da árvore se dá em homenagem a condessa de Chinchón que foi curada por indígenas do peru quando a criatura estava acometida por malária. Os padres jesuítas da missão espanhola levaram o pó da casca da árvore para Europa e começaram a vender como “pó dos jesuítas”. Aqui temos nossa primeira lição da pílula de hoje, o processo de produção de conhecimento não é neutro. Como pode o nome da árvore ser em homenagem à condessa espanhola (que foi curada) e o nome do medicamento ser “pó dos jesuítas” se quem descobriu foram os indígenas peruanos? Precisamos rever isso urgente, para que não mais aconteça e precisamos de uma reparação histórica.

Em 1820, os químicos conseguem isolar a quinina da casca. Ela foi usada como medicamento principal para cura da malária até a chegada da primeira guerra mundial. Por conta dos bloqueios econômicos, os alemães tiveram dificuldade de sintetizar o medicamento e desenvolveram o remédio chamado posteriormente de Atabrina, que dava vários efeitos colaterais,. Em 1944, os EUA sintetizaram em laboratório a quinina, mas sua síntese era difícil e cara para ser produzida em larga escala. Resgata-se então a Cloroquina, que já tinha sido sintetizada em 1930, que é mais barata e tem efeitos colaterais menos graves que a quinina além de ser segura, na dose adequada, para o tratamento de mulheres grávidas. Aqui temos o nosso outro destaque: quinina é uma substância, cloroquina é outra. Embora com efeitos curativos semelhantes para A MALÁRIA, a diferença na estrutura delas (ver figura abaixo) faz com que elas tenham comportamentos diferentes, seja no caso dos efeitos colaterais ou mesmo na sua toxicidade. Deste modo, a química nos ensina que não é porque o nome é parecido ou mesmo a formula é parecida que o efeito vai ser igual no organismo. Na química, um átomo em outro lugar faz TODA a diferença

Outra coisa que importa muito muito muito que aprendemos com a química é a concentração das substâncias. A quantidade da substância dentro de uma porção de solvente faz toda a diferença para que ela atue como veneno, remédio ou simplesmente um saborizante. É o caso da quinina! ela, em pequenas quantidades não tem efeito medicamentoso nenhum, tem apenas a função de deixar o líquido refrigerante mais amargo, eis que surge a água tônica. Só para vocês terem ideia a quantidade de quinina na água tônica é cerca de 5 mg a cada litro. O medicamento tem em torno de 1,5 g, assim quantidade de quinina presente na água tônica é insignificante, Assim a concentração também faz diferença e é por isso que você aprende o conceito de solução na escola (ou deveria aprender, rs). Desse modo, água tônica NÂO é MEDICAMENTO para nada, é só um refrigerante amargo que serve para beber puro ou fazer gin tônica,

Vejam só, meus caros leitores, estamos diante de uma tripla fakenews. A primeira é que não há confirmação de que a cloroquina é útil para curar covid-19. A segunda é que a quinina e a cloroquina teriam os mesmos efeitos. E a terceira, é a afirmação de que a água tônica teria concentração suficiente para atuar como medicamento. Esse leve 3 pague 1 é assustador. São tempos muito difíceis

É isso pessoal, qualquer hora eu volto, mas agora vou tomar minha água com limão, enquanto reafirmo que não há milagre para curar o covid-19 e o que podemos fazer agora é ficarmos em casa. Quando tudo isso acabar me “convid” para tomar uma água tônica ou uma água com gás

Compartilhem e divulguem essa pílula, já que esse texto a Globo não te conta (rs)

Referências

BOULOS, Marcos et al. Avaliação clínica do quinino para o tratamento de malária por Plasmodium falciparum. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 30, n. 3, p. 211-213, 1997.

MINIM, Valéria Paula Rodrigues et al. Água tônica: aceitação e análise tempo-intensidade do gosto amargo. Food Science and Technology, v. 29, n. 3, p. 567-570, 2009.

BARREIRO, Eliezer J.; RODRIGUES, C. R. Sobre a química dos remédios, dos fármacos e dos medicamentos. Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola, v. 3, p. 4-9, 2001.

OLIVEIRA, Alfredo Ricardo Marques de; SZCZERBOWSKI, Daiane. Quinina: 470 anos de história, controvérsias e desenvolvimento. Química Nova, v. 32, n. 7, p. 1971-1974, 2009.

CUNICO, Wilson et al. Fármacos antimalariais-história e perspectivas. Revista Brasileira de Farmácia, v. 89, n. 1, p. 49-55, 2008.

BOLZANI, Mariana da S.; BOLZANI, Vanderlan da S. Do Peru à Java: A trajetória da quinina ao longo dos séculos. 2016. Disponível em: https://i-flora.iq.ufrj.br/hist_interessantes/quinina.pdf

https://revistaforum.com.br/…/fake-news-do-momento-bol…/amp/

https://www.tvcultura.com.br/…/1336_fake-news-agua-tonica-a…

https://veja.abril.com.br/…/porque-agua-tonica-nao-funcion…/

https://piaui.folha.uol.com.br/…/quinino-agua-tonica-coron…/

https://pfarma.com.br/cor…/5350-agua-tonica-coronavirus.html

https://www.boatos.org/…/agua-tonica-cura-o-coronavirus-por…

Pílulas de química

Por que eu odeio o sal rosa do Himalaia? A ilusão do colorido e a criação de falsas necessidades

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Por Hélio Messeder

Vou começar essa pílula contando uma história pessoal. Andava pelo mercado do meu bairro e procurando uma pimenta para colocar no meu almoço e na prateleira vi um sal cor de rosa que custava meus dois olhos e uma parte do meu rim. Olhei novamente o preço e não acreditei. Pensei comigo: por que um sal é tão caro? Por que alguém iria no Himalaia buscar um sal?

Olhando na internet eu percebi que se tratava de uma nova moda. Esse sal estava sendo vendido como algo milagroso, sendo recomendado por alguns médicos e nutricionistas para pessoas hipertensas e sendo vendido aos montes em lojas de produtos naturais. Logo descobri que havia também o sal negro do vulcão, o sal azul da Pérsia e tantos outros sais superpoderosos que poderia ser comprados por aqueles que podem pagar pela mágica da suposta alimentação saudável.

Em alguns lugares, eu vi que as pessoas estão comprando luminárias de sal rosa. Sim. Luminárias de sal rosa. Qual a explicação? Vou colocar entre aspas: “Através da luz, em formato de luminária, a rocha seria capaz de aumentar a energia do ambiente, diminuindo os sintomas da depressão, e melhorar o sono, ao reduzir a quantidade de poluentes e elementos nocivos do ar. Supostamente, o sal absorve as moléculas de água do ar e libera íons negativos, que podem remover partículas de poeira e pólen, causadores de alergias respiratórias”. Minha pressão caiu depois de ler isso, alguém traz um pouco de sal?

Mas vamos logo aos fatos. O sal branco ingerimos na nossa casa é, normalmente, composto basicamente de cloreto de sódio (NaCl). Ele é o ingrediente principal de qualquer sal colorido que possamos encontrar no mercado. Em excesso, o cloreto de sódio está diretamente associado à hipertensão arterial, aos problemas cardiovasculares e aos cálculos renais. Para que o Sal rosa do Himalaia pudesse ser um bom substituto do sal de cozinha refinado ele teria que ter uma quantidade menor considerável de cloreto de sódio, confere? Pois bem, ele não tem. Um estudo publicado no site https://themeadow.com/…/minerals-in-himalayan-pink-salt-spe… mostrou que se tomarmos 10 g de uma amostra de sal marinho e sal rosa encontraremos 3,7 g de sódio no primeiro e 3,7g de sal no segundo. Idênticos. Não no preço, né?

Você pode dizer: mas o sal rosa tem outros minerais que fazem bem! É verdade. Por exemplo, o sal rosa tem mais magnésio e mais potássio e mais ferro que o sal marinho, inclusive é a variedade de minerais na sua composição que dá a ele sua cor rosa. Mas, pense comigo, nenhum sal pode ser responsável pela reposição de minerais no seu organismo. A quantidade que você precisa desses minerais estará presente em milhares de outros alimentos. Se você tiver que usar sal rosa para repor seus minerais, certamente você estará muito mal de saúde. Nem sal e nem açúcar podem ser fontes de minerais para o nosso corpo. Isso vale para o sal de todas as cores.

O sal rosa também não pode absorver água e liberar íons negativos para o ambiente. Na real, se ele absorver agua o sal vai ficar dissolvido como acontece quando você põe o sal branco na água. Assim, a não ser que você queira usar a luminária para temperar sua comida, recomendo a compra de algo mais resistente e estiloso. Não gente, nenhuma luminária de sal rosa pode ajudar na depressão e melhorar seu sono absorvendo íons do ambiente.é importante destacar íons negativos não são uma espécie de olho gordo, ou energia negativa das inimigas invejosas, são apenas partículas com mais elétrons do que prótons.

Em resumo: O sal rosa é apenas um sal comum cheio de impurezas (outros minerais que lhe confere a cor rosa. Retirado de minas do Paquistão (perto da cordilheira do Himalaia), trata-se de um sal bonitinho, colorido mas que faz ABSOLUTAMENTE o mesmo efeito que seu sal de cozinha branco. O sal rosa é o exemplo de que essa sociedade cria falsas necessidades, fantasiamos de cientifico/místico e vendemos a peso de ouro para iludir pessoas em busca de uma vida melhor.

Eu odeio poucas coisas na vida, mas o sal rosa do Himalaia é uma delas. Ele é a prova de que se não soubermos usar o conhecimento científico básico para entender a realidade somos facilmente enganados. Ele é a prova de que precisamos melhorar o nosso processo de divulgação científica e ensino de ciências, para garantir que as pessoas ao saírem do Ensino Médio possam, ao menos, suspeitar das coisas quando elas forem coloridas, ditas quânticas ou explosivas. Ele é a evidência urgente de como precisamos ver o mundo material e a nossa sociedade além do espetáculo e além da aparência. Sem conhecer a natureza e a sociedade nas raízes pagaremos ( já estamos pagando) um preço salgado pelo mitos e explicações fantasiosas do mundo.

Sal rosa do Himalaia deveria ser um xingamento. Dá próxima vez que você achar alguém que odeia muito manda ele ir buscar sal rosa no Himalaia, não há nada mais inútil e ofensivo do que isso.

Nos vemos em breve molequinhos e molequinhas salgadinhos.

Referências

http://www.vitrinegourmet.com/…/a-verdade-sobre-o-sal-rosa…/

https://brasil.elpais.com/…/…/ciencia/1545208054_174787.html

https://veja.abril.com.br/…/sal-rosa-do-himalaia-faz-mesmo…/

https://www.facebook.com/…/a.91275194208…/1390141034348298/…

https://themeadow.com/…/minerals-in-himalayan-pink-salt-spe…
https://onlinelibrary.wiley.com/…/10.1111/j.1745-459X.2010.

Pílulas de Química

Por Hélio Messeder

Para afastar o mal, para afastar a inveja, para trazer o amor em 7 dias, emagrecer e até curar câncer a receita é simples: água com limão
Eu já vi de tudo na internet. Tudo mesmo. Esquilos cantando Beyoncé, bebês fofos, presidente defendendo que livro didático tem que ter pouca coisa escrita, correntes para trazer amor em sete dias e até anuncio para aumentar em alguns centímetros seu… nariz, mas nunca vi algo igual ao “fenômeno” água com limão. Se você fizer uma busca rápida na internet verá milhares de resultados apontando o quão milagrosa é a água com limão pela manhã. A receita é simples: acorde, dê aquele bocejo, reclame do seu dia, olhe o celular, encaminhe-se para a cozinha e beba, em jejum, sua deliciosa água com limão. 10 gotas de fruta cítrica pingado em água morna seria suficiente para você sobreviver a qualquer coisa. Sim, qualquer coisa, água com limão ajudaria a emagrecer, regular intestino, rejuvenescer e até, caros leitores dessa pílula, prevenir o câncer. Depois de ver isso tudo, pensei até em mudar o nome da página para pílula da água com limão.
Mas será que isso tem algum fundamento na ciência? Sem rodeios, minha resposta é Não. Sonoro, alto e quase gritando: Não. Não. Não. E o que estão fazendo e falando sobre esse assunto é muito grave!
Segundo os textos da internet e correntes de Whatssap, o limão seria um elemento alcalinizador ( alguns falam em água alcalina) e como, supostamente, o câncer se desenvolveria em ambientes ácidos, a forma de evitar essa doença seria ter uma dieta rica em elementos alcalinos, deixando o pH do sangue básico, e assim evitando câncer. A água morna com limão também diminuiria a absorção de gordura e contribuiria para o emagrecimento. Além disso, li em alguns sites que essa bebida matinal daria energia para o organismo. Tudo isso usando argumentos mirabolantes e até evocando nome de cientistas e nutricionistas. É uma fake news caprichada.
Mas talvez um pouco de química básica ajude a gente pensar sobre isso (respire fundo, vou pesar a mão na química, mas ninguém solta a mão de ninguém). A história da humanidade fez com que classifiquemos algumas substâncias a partir do seu comportamento: ácido ou básico. Um par de opostos que neutralizariam as propriedades do outro. Assim, se vc quiser, por exemplo, diminuir o efeito de um ácido, precisa de um antiácido que seria, algo que funcionasse como base. Em meios aquosos, uma medida para saber se algo é ácido ou base é chamado pH. O pH é uma escala de acidez, em que o neutro seria 0 7, menos do que isso a substância se comportaria como ácido e mais do que isso a substância teria comportamento de base. Eita, compliquei? Imagine que a Alemanha é uma substância com pH 7 e o Brasil uma substância que o pH foi 1. Neste caso teríamos uma Alemanha neutra e um Brasil ácido (uma maneira fofa de explicar o 7X1).
O nosso sangue tem pH em torno de 7,4, levemente básico, o limão e NENHUM outro alimento consegue alterar significativamente esse valor, o que impossibilita que QUALQUER dieta mude consideravelmente o pH do seu sangue. Se mudar, inclusive, você morre. Assim, o limão, não alterara o pH do seu corpo e NÃO pode prevenir ou curar do câncer.
Mas, suponha por absurdo, que o limão fosse capaz de alterar o pH do seu organismo. Se medirmos o pH do limão veremos que ele tem um valor perto de 2,0, o que significa que ele se comporta… tcharam… tcharam…como ÁCIDO. Como ele poderia alcalinizar o sangue? Como? Nossa Senhora da Química que nos ajude! Alguns sites tentam afirmar que o limão seria ácido, mas que no estômago ou depois dele ficaria básico, eu não encontrei nenhum estudo sério que mostre isso e as explicações sugerem que o ácido do limão neutralizaria o ácido do estômago, o que é um absurdo químico ( veja os detalhes nesse link: https://redes.moderna.com.br/…/a-dieta-do-limao-alcaliniza…/)
Por fim, água com limão não pode dar energia e não emagrece. O que emagrece, via de regra, é alimentação saudável e exercício físico, visto que engordar e emagrecer se relaciona, no geral, a um balanço energético de consumo e gasto.
Porém algumas pessoas dizem que se sentem melhor depois de tomar água com limão. Claro, água pela manhã é sempre maravilhoso, uma vez que essa substância ajuda no melhor funcionamento dos rins, no metabolismo e no funcionamento do corpo. Além disso água morna e picância do limão na boca dão sensação de saciedade fazendo você comer menos. Talvez você possa trocar o limão pela laranja ou abacaxi algumas vezes para variar o gosto dessa sua bebida matinal que não tem nenhum efeito curativo, mas o mesmo efeito na leve redução do apetite
É preciso que a gente entenda de uma vez por todas que não há mágica. Nenhuma mistura vai ser capaz de curar doenças ou mesmo de fazer você emagrecer rapidamente. Essas fake news me preocupam, visto que vi relatos de pessoas que abandonaram seu tratamento de câncer para tomar água com limão. Uma decisão bem azeda e baseada em informações falsas.
Se você quer continuar tomando sua água com limão, tudo bem! O efeito placebo já se mostrou superpoderoso e sei que não consigo mudar a crença das pessoas com essas poucas linhas (eu tento!, rs), mas, por favor, pare de divulgar fake news e vender isso como se fosse científico.
No mais fico por aqui. Vou agora tomar minha água com gás e limão que é super refrescante, que não tem poder curativo e NÃO vai salvar minha vida. Sinto te dizer, mas não foi hoje que encontramos a cura do câncer com aquela frutinha da feira. Bjs básicos


Referências:

BISCHOFF, Fritz et al. The effect of acid ash and alkaline ash foodstuffs on the acid-base equilibrium of man. The Journal of Nutrition, v. 7, n. 1, p. 51-65, 1934.
NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger-7. Artmed Editora, 2018.
http://www.fsp.usp.br/…/…/18/desmistificando-agua-com-limao/
http://saude.gov.br/…/44714-cura-do-cancer-por-alimentos-mi…
http://saude.gov.br/…/44623-limonada-quente-cura-o-cancer-f…
https://www.mundoboaforma.com.br/limao-faz-mal-para-o-esto…/
https://redes.moderna.com.br/…/a-dieta-do-limao-alcaliniza…/
https://jornalmomentoquimico.wordpress.com/…/bioquimica-a-…/
https://escolakids.uol.com.br/ciencias/quimica-do-limao.htm
https://www.mundoboaforma.com.br/limao-faz-mal-para-gastri…/
https://vejario.abril.com.br/…/agua-com-limao-em-jejum-pre…/

Pílulas de química

Por Hélio Messeder

Tomei todas, estou passando mal e a culpa é da química?

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Festas de fim de ano chegando, tiozinho fazendo piada do pavê ou para comer, verão chegando com tudo e a galera só quer saber mesmo de uma coisa: tomar aquela cervejinha gelada exxxperta, aquela caipiroska danada ou tudo isso junto e misturado. Aqui em Salvador nós chamamos isso de “comer água” ( não estamos falando de mastigar gelo). O cenário perfeito e mágico se anuncia: clima de paquera e agito, arrocha tocando no rádio, você contando quantos engradados tomou, canudo de metal que já passou em várias bocas, aquela vontade de mandar mensagem para o ex etc.

Tudo no devido lugar para um período comum de fim de ano.
Mas, caro comedor de água, toda magia tem seu preço. No outro dia, ou no mesmo dia para aqueles mais apressadinhos, vem a famosa e inimaginável: RESSACA. Mais conhecida como “nunca mais vou beber de novo”, a ressaca é aquele negócio que parece amor, você não sabe definir direito, só sabe sentir. Então, como isso aqui é uma pílula química, falemos quimicamente sobre essa tal ressaca.

A ressaca é um negócio que a ciência já estuda há muito tempo, mas não temos muitos consensos sobre suas reais causas. Para a maior parte dos cientistas, os sintomas de intoxicação de quando se bebe álcool em demasia se dá por vários fatores combinados. O primeiro seria o excesso de enzimas que seu fígado precisa produzir para degradar o etanol. Quando você bebe demais, seu fígado ativa o modo power ranger megazord e termina produzindo mais enzima do que o necessário. Esse leve excesso, seria um dos responsáveis pelos sintomas desagradáveis da ressaca. É dái, inclusive, que surge a ideia de que para “rebater” a ressaca seria preciso tomar uma cerveja no dia seguinte ( Não faz isso não beloved, tu vai entrar num ciclo sem fim).

Ainda sob responsabilidade do fígado, quando ingerimos etanol, este é convertido em acetaldeído e logo depois em acetato (inofensivo para o organismo). No entanto, quando bebemos muito, a velocidade de conversão do etanol para o acetaldeído é maior do que de acetatldeído para acetato. O excesso de acetaldeído na corrente sanguínea parece contribuir para os enjoos, vermelhidão, pressão baixa etc.

Mas se tu achou que o etanol era o único problema da sua noite de farra e excessos está bem enganado. As bebidas são misturas de vários outros compostos químicos, os chamados congêneres, a depender da sensibilidade ou metabolismo das pessoas a quantidade ou tipo de congênere pode potencializar o efeito da ressaca ( metanol, por exemplo, é um congênere de muitas bebidas). Eis o motivo de sua ressaca ficar mais forte ou mais fraca a depender do que você misturou na balada. Miga, deixa eu te falar: catuaba, Skol Beats, Vodka e litrão de devassa não tem corpo que aguente tanto congênere. Melhore!

Mas parece que essas não são as únicas causas. O álcool tem efeito diurético e você perde bastante líquido enquanto está na balada com o copo sempre cheio e o coração vazio. A falta de água causa dor de cabeça, sede, além de desregular o sódio e o potássio do organismo.

Não há tratamento eficaz para ressaca, a não ser esperar seu fígado processar todo o álcool que tu bebeu naquele open bar maroto de cerveja quente. Todos os tratamentos comuns ( café, antiácido, analgésico, anti-histamínico, banho gelado) servirão para aliviar os sintomas, mas não aceleram o metabolismo do fígado. Além de aliviar os sintomas com chás e remédios, beber bastante água e comer coisas com mais açúcar podem ajudar nesse processo de você voltar das cinzas da balada.

No mais é isso, aproveite o fim de ano, se for comer água não case e me chame. E assim como a dor de amor, a ressaca vai passar e você vai amar beber de novo e não cumprir mais essa promessa no fim de ano.

Referências

https://super.abril.com.br/compor…/como-enfrentar-a-ressaca/

https://super.abril.com.br/…/8-remedios-faceis-de-encontra…/

https://super.abril.com.br/cien…/por-que-ficamos-de-ressaca/

https://brasil.elpais.com/…/…/ciencia/1465993715_476877.html

https://drauziovarella.uol.com.br/alimen…/cafe-cura-ressaca/

https://www.chemistryviews.org/…/Chemistry_of_a_Hangover__A…

https://www.chemistryviews.org/…/Chemistry_of_a_Hangover__A…
http://asverdadesdaquimica.blogspot.com/…/principais-causas…

http://www.petquimica.ufc.br/a-quimica-da-ressaca/

GOMES, Bruno da Silva. Efeitos causados pela ingestão de álcool em praticantes de musculação. 2013.

ANDRADE, Zilton de Araújo et al. As relações entre álcool e fibrose hepática. 2006.

Pílula de Química

 Refrigerante: uma bebida ou uma arma química?

Por Hélio Messeder

 (Leo Natsume/Mundo Estranho)

Vocês já ofereceram refrigerante para alguém que não toma mais essa bebida? Inicialmente a pessoa faz uma cara que parece que você está oferecendo um líquido extraído de Chernobyl  temperado com pedras de Cesio 137. Diante daquela cara, ela poderia dizer apenas NÃO e seguir sua vida, mas uma pessoa que não bebe mais refrigerante sente-se vitoriosa e com uma vontade incontrolável de converter as pessoas ao “não-refrigerantismo”, então ela diz sorrindo:

 “Não, obrigada. Me livrei desse vício. Tem 8409 mil anos que não bebo refrigerante. Você deveria parar. Esse negócio tem química. Causa câncer”  

Eu sempre fico achando que os adeptos do não-refrigerantismo tem uma competição interna, para ver quem fica mais tempo sem beber esse líquido do capeta. Nunca entendi por que dizer a quantidade de anos que não bebe refrigerante ajuda na construção do argumento. Imagina se isso vira moda? Quer namorar comigo? Não, me livrei desse vicio, tenho 5 anos sem namorar e você deveria parar com isso, tem muita química

 Os partidários do não-refrigerantismo estão em todos os lugares, inclusive e claro, nas correntes de zap zap do tiozão. Reproduzo aqui um trecho curto de uma dessas corrente que mostra o que acontece se você beber refrigerante: “Pesquisas realizadas pelo renomado Instituto Fleury apontaram grande quantidade de Fenofinol Ameido e Voliteral, substancias tóxicas e que causam, respectivamente, a má atividade dos rins e câncer.” Seria mesmo o refrigerante essa bomba ou essa arma química? 

Podemos dizer que o refrigerante é composto de água, açúcar, um xarope contendo várias substâncias em pequenas quantidades (cafeína, corantes, conservantes, acidulantes, óleos essenciais, cafeína) e CO2 dissolvido ( o gás do refrigerante). Basicamente 88% da massa total do refrigerantes é de água e quase todo o resto de açúcar (11%).

Não há muita ou pouca química no refrigerante. O que há é um conjunto de substâncias que solubilizadas em água e açúcar e com um gás dissolvido causa uma explosão de sensações na boca. Se tiver gelado, à medida que que o refri vai passando pela sua boca o gás vai se desprendendo do líquido, absorvendo a energia em forma de calor e dando refrescância. Uma combinação inacreditável para quem gosta de doce.

Uma lata de refrigerante tem cerca de 2 colheres de sopa cheias de açúcar. Não são 9 ou 10 colheres como aparece em algumas Fake News, mas ainda são muitas. Esse é o principal problema do refri. A quantidade de açúcar exagerada em cada dose torna o líquido um inimigo da dieta, das pessoas com diabetes e daqueles que não gostam muito de coisas adocicadas.  A acidez pode causar problemas para que tem questões no trato digestivo. Tirando isso, não há nenhum estudo comprovado, sério e de longa escala que mostre que o refrigerante é um veneno. As pesquisas que tentam associar algo ao refrigerante, apenas mostram que o açúcar em excesso pode estar vinculado a algum tipo de doença, mas açúcar em excesso não é problema único do refrigerante.

Que conclusão chegamos com tudo isso? Simples. O consumo moderado de refrigerante não causa mal nenhum. Diante de uma dieta equilibrada, fazendo exercícios físicos regulares, o refrigerante é um alimento como qualquer outro. O excesso é que pode causar problemas.  A química aponta que você precisa parar de se culpar se tomou aquele refri na festinha do domingo. 

Por fim, sucos de caixinha tem, no geral, tanto açúcar como refrigerante e não são bons substitutos.  Refrigerantes levemente gaseificados (aquarium, H20H!!) são muito parecidos com refrigerantes diets, são boas alternativas para o açúcar, mas há mais estabilizantes e adoçantes (outra pílula, rs). Assim, os diets também devem ser consumidos com moderação. Água com gás, sucos da fruta sem açúcar e água de coco podem funcionar como melhores substitutos.

Já ia me esquecendo: a corrente do whatsapp é falsa e eu sempre vou revirar meus olhos para os adeptos do “não-refrigerantismo”. O refrigerante é só uma bebida.  Como qualquer outra, aprecie com moderação.

Referências

GODINHO, Mariana da S. et al. Classificação de refrigerantes através de análise de imagens e PCA. Quim. Nova, v. 31, n. 6, p. S1-S4, 2008.

LIMA, A.C.S.; AFONSO, J.C. A química do refrigerante. Química Nova na Escola, n. 31, p. 210-216, 2009.

PIRES, Diego Arantes Teixeira; MACHADO, Patrícia Fernandes Lootens. Refrigerante e bala de menta: explorando possibilidades. Química Nova da Escola, v. 35, n. 3, p. 166-173, 2013.

https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/os-mitos-as-verdades-sobre-os-refrigerantes-7977007

http://www.saude.gov.br/fakenews/44771-refrigerantes-falta-de-atividade-renal-e-tumores-fake-news

https://noticias.r7.com/saude/nutricionista-destaca-os-beneficios-do-consumo-moderado-de-acucar-05092013