Aposta do verão: Din din din don, parceria entre Aila Menezes e Preta Gil destaca a voz feminina no pagode.

O videoclipe gravado em salvador ultrapassou 15 mil visualizações no YouTube em menos de uma semana do lançamento.

Por Juliana Barbosa

Gravação do clipe – Crédito Sercio Freitas

Parcerias na música e na vida. Preta Gil e Aila Menezes se conheceram em 2013, durante a participação da baiana no The Voice Brasil e, desde então, surgiu a amizade entre as cantoras. Preta não esconde a admiração por Aila, de quem já gravou “All right” em seu último álbum, “Todas as cores”.

“Há um tempo alimento a vontade de gravar um novo pagode baiano e com uma mulher forte e de atitude como Aila, “Há um tempo alimento a vontade de gravar um bom pagode baiano e com uma mulher forte e de atitude como Aila, tudo se torna ainda mais interessante. São poucas as mulheres que representam o pagode baiano como ela”, declara Preta Gil.

As cantoras, que já há algum tempo aguardavam uma oportunidade para gravarem juntas, apostam no hit composto por Aila e Tacila Almeida, é um “groove arrastado”, pagode baiano que tem em Aila Menezes uma defensora e percursora do estilo desde 2007, quando era vocalista da banda Afrodite, e que depois se tornou “groove de saia”.

Para o videoclipe da canção,dirigido Chico Kertesz e produzido pela Macaco Gordo, as cantoras escolheram como cenário o Palácio Rio Branco na “Cidade Alta” de Salvador, tendo ao fundo a Baía de todos os Santos e o Elevador Lacerda.

Gravação do clipe – Crédito Sercio Freitas

“A mulher no pagode, o protagonismo sempre foi nosso mas, sempre como a bunda que dança e nunca como a voz ativa que comanda a massa, que lidera… O sistema muitas vezes não permite essa igualdade mas, vamos buscar essa igualdade, seja passando por um tapete vermelho ou metendo o pé na porta”, ressalta Aila Menezes.

A cantora baiana, que levanta a bandeira da diversidade, defende que o pagode é a voz da periferia e apoia o crescimento e o respeito pelo ritmo. Aila afirma que a cantora carioca Preta Gil é uma inspiração, uma mulher à frente do seu tempo, uma pessoa necessária:

“Estou muito feliz em poder participar desse projeto com Preta. Ter sido convidada por ela, que é uma artista humana e plural, é uma honra para mim. A canção ‘Din Din Dom’ é a oportunidade de levarmos o pagode baiano feito por mulheres para o Brasil. Estou muito confiante e acho que vamos arrasar”, disse Aila Menezes.

Reprodução: Instagram

“Sabe aquele groove pra dançar agarradinho, bem gostosinho, bem coladinho, escaradinho?”

Divulgação

Assista aqui o videoclipe: https://youtu.be/6bAox3yWauk

Fonte: Midiorama

Café com pimenta

Por Juliana Barbosa

Anna Carolina de Souza Neves, de 8 anos, foi baleada na cabeça no bairro Parque Esperança, no município da Baixada Fluminense. Ela estava no sofá de casa. O crime foi na madrugada desta sexta-feira (10).

Segundo a Polícia Militar, não havia operação na região em que Anna Carolina foi baleada. A família informou à corporação que disparos foram ouvidos pouco antes de a menina ser atingida.

De acordo com a polícia, agentes foram abordados por moradores quando passavam pela Avenida Joaquim da Costa Lima. Em seguida, o pai de Anna Carolina de Souza Neves apareceu carregando a menina nos braços até a viatura, que levou a criança até o Hospital de Saracuruna. No local, ela não resistiu aos ferimentos.

O corpo de Anna Carolina estava no Instituto Médico Legal de Duque de Caxias, na mesma região, na manhã desta sexta-feira (10). 

A Secretaria de Estado de Vitimização informou que estava em contato com os familiares da criança e ofereceu auxílio, assistência social e psicológica aos parentes. Ela é a 3ª vítima de bala perdida no estado do RJ este ano.

Não é possível falar do assassinato de Anna Carolina sem lembrar de Ágatha Félix, também morta aos 8 anos, no complexo do alemão, dentro de uma Kombi, quando voltava pra casa com a mãe, também numa sexta feira, no dia 20 de setembro de 2019.

Ambas mortas pelo estado. Mortas por aqueles que deveriam protegê-las. Vítimas da necropolítica.

Em 2019, seis crianças foram assassinadas na região Metropolitana do Rio.

Não, poderia simplesmente fazer a nota e pronto. Precisava colocar no papel todo repúdio, toda dor, toda lástima de perceber que este ano não tem nada de novo. Toda vez que uma criança é atingida por uma bala disparada pelo estado, a notícia é de que o corpo que encontrou essa “bala perdida” é um preto, pobre e periférico.

E, para os governantes, é só mais um CPF cancelado.

Feliz ano novo para quem? Novo? Como!? Onde? Feliz?

Morre, aos 95 anos, a atriz Hilda Rebello, mãe do diretor Jorge Fernando

Hilda estava internada no CTI do Hospital Pró-cardíaco, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, há uma semana para tratar uma infecção respiratória.

Por Juliana Barbosa

A atriz Hilda Rebello, mãe do diretor Jorge Fernando, morreu neste domingo (29), no Rio de Janeiro. A artista de 95 anos estava internada no CTI do Hospital Pró-cardíaco, em Botafogo, na Zona Sul da cidade, há uma semana. A informação foi confirmada pela família da atriz através de rede social e pelo hospital.

O velório está marcado para esta segunda-feira (30), a partir das 10h, no crematório da Penitência, no Caju, Zona Portuária. A cerimônia de cremação está marcada para as 15h30.

Hilda estava tratando uma infecção respiratória e, em nota, o hospital explicou que a morte ocorreu em decorrência de complicações associadas a infecção respiratória.

Jorge Fernando morreu aos 64 anos, no fim de outubro, após uma parada cardíaca.

CARREIRA
O sonho de ser atriz acompanhava Hilda Rabello desde a infância. Ela só estreou profissionalmente depois que Jorge Fernando passou a escalá-la para trabalhos em novelas dirigidas por ele. A primeira oportunidade veio na década de 1980, quando fez Ama Zefa em Que Rei Sou Eu? (Globo, 1989).

Entre os papeis mais lembrados, estão Hermínia de Vamp (Globo, 1991), Violante de Deus nos Acuda (Globo, 1992), Matilde de Chocolate com Pimenta (Globo, 2003) e Dona Filó de Alma Gêmea (Globo, 2005).

Na TV, os trabalhos mais recentes foram as novelas Alto Astral (Globo, 2015), como Dona Aurora, e Haja Coração (Globo, 2016), como Dona Marieta. No cinema, ela atuou em cinco filmes e é lembrada como “avó do Menino Maluquinho”, em Menino Maluquinho – O Filme (1995), dirigido por Helvécio Ratton.

Fontes: Revista Quem; G1

Café com Pimenta

Por Juliana Barbosa

Arte: Georlando Neto

Que os concursos de beleza objetificam as mulheres, já não é novidade. Mas, nesse concurso, uma mulher negra foi escolhida a mais bonita do mundo: Zozibini Tunzi, Miss África do Sul, é a Miss Universo de 2019. Vocês têm noção do que é uma preta se arrumar pra ir à escola, ligar a TV, e a representatividade dela é a Zozibini Tunzi sendo coroada A MULHER MAIS LINDA DO UNIVERSO? Pensa! Desde a sua criação e primeira edição em 1952, o concurso demorou 25 anos para coroar a primeira Miss Universo negra, Janelle Commissiong, de Trindade e Tobago, em 1977, Wendy Fitzwilliam, em 1998, Mpule Kwelagobe, em 1999, Leila Lopes, em 2011 e Zozibini Tunzi, em 2019. E não paramos por aqui. O certame é cheio de regras que certamente muitos desconhecem. Então, além de destacar a importância desta edição, vamos conhecer um pouco mais do universo do concurso.

Vamos observamos o edital que traz os pré-requisitos que, caso queiram participar do concurso de beleza, as mulheres deverão obedecer – sob pena de desclassificação, pagamento de multas e cumprimento de outras penalidades. Em resumo: o que o edital nos diz? É preciso obediência, para ser considerada bela.

“candidata’: o elemento de composição cand– em latim tem, etimologicamente, o sentido de “ser alvo, branco como a neve” entre outros significados. Cand- tem, igualmente, sentido moral de ‘pureza, candura, candor’: é daí que temos candìdus,a,um‘branco, alvo; radiante, resplandecente; puro; venturoso’, e candidátus,i‘candidato, esp., aquele que veste a toga branca para postular um cargo público’, daí candidátus,a,um ‘que veste branco’ – ou seja, uma ‘candidata’ é a pessoa que se mostra pura, venturosa (ao apresentar-se metaforicamente de branco – branco como metáfora de pureza) e que busca postular (requerer) um cargo: o de Miss Cidade, neste caso.

Sobre ser ‘miss’: a palavra ‘miss’ é inglesa e significa ‘mulher jovem’ (uma maneira polida de se dirigir à pessoa (young woman) quando não se sabe seu nome – conferir o dicionário de papel Longman) – e, claro, é usado como título antes do nome de uma mulher que represente um país, estado ou cidade em algum concurso de beleza: tornada miss, a mulher é ‘rainha’ e tem seu reinado.

Vamos conhecer então, algumas das orientações e condições impostas às candidatas, para que possam se inscrever no concurso:

  • A candidata, por ocasião de seu nascimento, deverá ser ‘registrada originalmente sexo feminino’ – há algum tempo, esse ‘originalmente’nem nos chamaria a atenção (provavelmente nem fosse escrito), mas hoje em dia ele levanta a questão da ideia de que os idealizadores do concurso entendem que sexo e gênero são coincidências naturais… Hoje já sabemos que as instâncias sexo e gênero não são gêmeas siamesas e nada tem de ‘natural’, antes são construções sociais – portanto, o edital tem uma concepção meramente biológica do que é SER MULHER. Quando as mulheres trans poderão mostrar sua beleza?
  • Ter, no máximo 25 anos de idade, não podendo ter 26 anos completos até a data do concurso (Não ser emancipada) – este dado está em perfeita conformidade com a ideia de ‘miss’ – pois senão seria um concurso de Mrs. – mas, o que perguntamos é: Por quê? Por que as candidatas têm que ser jovens? Qual é a importância do capital-juventude para a Miss Cidade? Quando as mulheres com idade superior a 25 anos poderão mostrar sua beleza?
  • Não ser e nunca ter sido casada, não ter tido casamento anulado, não conviver maritalmente – mantendo a mulher na condição da possibilidade de objeto a ser desejado – enquanto exibe seu corpo e dotes físicos (por que desfile de maiô/biquíni ?) para os avaliadores – a mulher, literalmente, não pode ‘ter proprietário’, ou seja, ser casada com um homem que detenha poderes exclusivos sobre ela – não é essa a ideia do patriarcado sobre o casamento? A de que a mulher é propriedade do marido? Quando as mulheres casadas poderão mostrar sua beleza?
  • Não pode ser mãe, nem estar grávida– ‘ser mãe’ é algo ‘sagrado’ para o machismo estrutural: nesta cultura, o fato de parir isola a mulher de sua sexualidade e de sua sensualidade: como poderia uma ‘miss’ ser mãe ou uma mãe ser ‘miss’? Estando grávida, uma mulher não será mais objeto do desejo machista – ao menos não explicitamente: controla-se assim a sexualidade feminina. Quando as mulheres grávidas poderão mostrar sua beleza?
  • Gozar de boa saúde física e mental, ser simpática e cooperativa:adjetivos e mais adjetivos que vão aos poucos qualificando quem são as mulheres que o patriarcado vai conceder o acesso ao concurso… se não for saudável não pode participar – Por quê? O que a doença – dado da natureza humana – tem a ver com a beleza? A candidata deve ter ‘boa saúde mental’ – em nossa sociedade psicótico-paranoica, a saúde mental será um traço a desclassificar todos nós, mas ainda assim: por que se exclui as pessoas com ‘problemas mentais’ da possibilidade de participar de tal concurso? Quando as mulheres com ‘deficiências físicas ou mentais’ poderão mostrar sua beleza?
  • A candidata não pode ter publicado ou realizado nenhum tipo de foto, ensaio, book, ou ainda trabalhos a título de nu artístico ou explicito – uma mulher que tenha publicado esse tipo de material (contendo seu nú) não pode participar do concurso de miss – isso tem a ver com decoro, recato, pudor, dignidade, honradez, seriedade nas maneiras, compostura, decência e conveniência: Quando as mulheres livres poderão mostrar sua beleza?
  • No mínimo 1,68 (um metro e sessenta e oito centímetros) de altura; as medidas de corpo devem aproximar–se de 90 cm de quadril, 60 cm de cintura e 90 cm de busto – medidas, medidas, medidas… afinal, o que são medidas? São as dimensões ou quantidades consideradas como normais e desejáveis; a proporção, a regra, a norma (de novo, a norma) – essas medidas são conseguidas a partir de elementos de referência, critérios do valor, das qualidades de alguém; um grau ou alcance – o crítico deverá perguntar: quem define tais critérios? Qual é o corpo ideal (con)formado, (in)formado, (de)formado por tais medidas? De quem é a inteligência e o poder de quem definiu tais medidas? Quais os interesses em se conformar os corpos a tais medidas? Que corpos tais medidas produzem como sendo legítimos e quais são produzidos como invisíveis? O que acontece com a autoestima dos corpos que não se encaixam nessas medidas e são rejeitados e descartados antes de concorrer (no concurso e na vida)?
  • TATUAGENS: só serão permitidas tatuagens quando estas forem discretas, por exemplo: na nuca, punho, tornozelo – sociologicamente, podemos ler (muito grosseiramente) a tatuagem como um desvio de norma (não ser tatuado é a norma); a pessoa tatuada marca seu próprio corpo, toma ele para si, dele se apossa, nele se justifica e transforma-o no que quer… bom, se a candidata apresentar níveis toleráveis dessa autoapropriação ela poderá participar, desde que seja ‘discreta’ (ou seja, novamente – que se comporte de maneira comedida, prudente; reservada, circunspecta, de pouca intensidade) – sendo assim, poderá vir-a-ser miss, perdão: vir-a-ser candidata a miss…
  • Não ter realizado nenhum tipo de intervenção estética – o desejo pela natureza intocada; a afirmação de que o que ali está se mostrando é ‘de verdade’, não é manipulado, é puro, é virgem. Se a estética é a base do concurso (a cada item estamos vendo que não…) então esta beleza deve ser posta em estado bruto, sem manipulações.
  • Possuir beleza de rosto e de corpo e ter condições de representar a sua cidade, estado e país – aqui, parece-nos que precisamos de uma reflexão bem profunda para entendermos o que é ‘beleza de rosto e de corpo’ – elemento profundamente subjetivo, mas ao mesmo tempo de apreciação social: resgatando elementos anteriormente apresentados e que vão dando pistas para a noção vaga de beleza aqui solicitada: ser jovem e ser magra (não há exigência explícita para o peso das candidatas – mas façamos as contas levando em consideração as medidas de altura, quadril, cintura e busto – anteriormente apresentadas – e teremos o padrão de peso exigido pelo edital);
  • Não ter antecedentes criminais – para esse ponto deixo uma questão: no Brasil, alguém que cometa um crime e por ele pague, pode ser punido com essa restrição? Alguém pode ser impedido de participar de um concurso de beleza, porque no passado roubou ou cometeu algum outro crime? Veja, penso aqui na situação da pessoa que cometeu o crime e por ele pagou… o que o antecedente criminal tem que ver com a beleza?
  • A candidata não deverá ser vista fumando ou consumindo bebida alcoólica: a miss será exemplo de mulher, exemplo de beleza: todo exemplo tem como função inspirar suas seguidoras. A despeito da ideia de ‘exemplo’ que a futura miss terá que carregar consigo, o não consumo de bebidas ou cigarro marcam novamente uma posição de recato, de moderação e de prudência.

“A sociedade foi programada durante muito tempo para que não ver a beleza de maneira negra. Mas, agora estamos entrando em um tempo em que finalmente as mulheres como eu podem saber que somos bonitas(…) A coisa mais importante que deveríamos ensinar para as jovens meninas de hoje em dia é a liderança. É algo que tem faltado em jovens meninas e mulheres há muito tempo. Não porque não queremos, mas por causa do que a sociedade definiu como as mulheres seriam(…) “ Zozibini Tunzi.

A coroação de uma mulher com cabelos crespos, pele preta, é uma mudança significativa no padrão de um concurso. Mas, a notícia não é apenas essa. A notícia é o que isso representa. O que isso muda na vida de Olga, de 13 anos. O que isso representa para Daiane, para Érica e para tantas outras mulheres e meninas que passaram a vida toda buscando representatividade.

A vitória de uma mulher negra no Miss Universo, ainda que discorde dos padrões e concursos de beleza, representa uma vitória de toda mulher negra, de toda garota negra que cresce a margem da sociedade no quesito padrão estético. E a sua inteligência deixa evidente ao menos para mim que nós podemos chegar onde quisermos e não somos inferiores a ninguém. A vitória dela é como se tivesse nos puxado pra cima, entende? Porque, de fato, é a verdadeira representatividade, eu vejo meu cabelo nesta mulher,eu vejo minha cor, eu vejo a minha inteligência. EU ME VEJO! Acredito também que a vitória dela seja uma mudança a passos curtos, mas ainda é uma mudança de padrão absurdamente significativa, principalmente quando se verifica que ela mesmo não sendo a primeira Miss universo negra, certamente é a primeira que foge a estética dos cabelos alisados ou compridos que a todas nós é imposta e conscientemente ou inconscientemente nos sentimos na obrigação de ter nossos cabelos espichados e longos. Nós sabemos que no quesito “ ser mulher” há estranhamento quando se vê qualquer uma de cabelo curto, e isso piora quando se é negra pois há o desprezo pelo cabelo crespo e associação imediata a pobreza , imundice, feiúra…

Eu particularmente senti isso na pele quando deixei por 1 ano e 4 meses meu cabelo natural. Foi o momento que mais senti o racismo. E a Zozibini estar nessa posição significa que ela é absurdamente forte e ultrapassa qualquer entendimento ou empatia que possamos tentar ter ou enxergar. Ela é o significado real da resistência, luta, dignidade, inteligência, beleza e principalmente nós poderemos e nós venceremos! Mas, pra mim foi a vitória real de uma mulher negra sem modificações estéticas, é como se fosse um diamante puro. Ahhhh! E ainda acrescento! É a primeira de cabelos crespos, porque todas as outras 4 ou 5 anteriores já estavam dentro de um padrão de aceitabilidade por terem seus cabelos cacheados ou alisados.”

Daiane Purificação, Advogada

Lembro que na única vez que assisti esse concurso, eu e minha mãe torcíamos pra garota de Trinidad e Tobago, que aos nossos olhos era a melhor. Obviamente (aquele tempo) ela não ganhou. Fiquei frustrada e nunca mais assisti. Por ratificar naquele momento a obviedade da escolha pela beleza eurocêntrica. Não pensei que fosse viver para ver. Pode parecer bobagem. Mas não é! Representatividade é a palavra e cada vez mais importante é sim,para as meninas pequenas verem Majus na tv! Eu, na infância (apesar da pele branca), escondia meus cabelos crespos dentro de uma manta de bebê pra fingir que era cabelo comprido e liso. Pq era assim. E ainda hj escondo esses cabelos por detrás de “relaxamentos capilares” pq sim, a transição é um processo delicado e lento e prescinde de muita aceitação perante o espelho. Inclusive cortei curto essa semana. Pra ver se “agora vai”. Mas para minha filha,por exemplo, que tem 13 anos e está vivenciando tudo isso, é MEGA importante,para reafirmaçâo da sua identidade e da sua beleza! Muitas vezes ela titubeou em querer alisar, mas de uns anos pra cá, ela se sente linda e mega orgulhosa do seu cabelo black (apesar de mim). Conseguiu resistir aos esteriótipos padrões . E se sente representada em diversos nichos (insuficientes,sabemos),mas…

Érica Medeiros – Advogada e mãe de Olga de 13 anos.

Fontes: UOL, G1, Hélio Hintze

Aqualtune – baiana lança livro em que narra trajetória da avó de Zumbi dos Palmares

Escrito por Sara Messias, Aqualtune: Um Sonho Chamado Liberdade foi lançado dia 21 de novembro, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB).

Por Juliana Barbosa

A escritora baiana Sara Messias lançou dia 21 de novembro, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), o livro intitulado “Aqualtune: Um sonho chamado liberdade”. A obra conta a história da Rainha do Congo, que no Brasil é conhecida por ter sido avó de Zumbi dos Palmares.
Fruto de um trabalho de identidade, pesquisa e paixão, “Aqualtune” pretende levar ao leitor relatos de aventuras de uma mulher que viveu no século XVII, considerada como uma personagem revolucionária, corajosa e destemida, mas que se viu obrigada a se casar com o próprio primo.

A equipe do MMQI conversou com Sara, mulher negra, baiana, nascida no bairro do Garcia, em Salvador,que traduz no romance o Holocausto africano, o maior crime perpetrado contra a humanidade, no livro lançado um dia antes do dia da consciência negra.

MMQI O que levou você a escrever Aqualtune, de onde veio a sua inspiração? O que te levou a mergulhar em tanta pesquisa?
S.M Eu moro há mais de uma década na Itália, onde nasceu minha filha. Ao vê-la crescer longe da realidade do meu país, senti uma forte necessidade de resgatar a memória do povo brasileiro, das nossas raízes entrelaçadas aos nossos antepassados negros, índios e europeus. Eu quis dar a ela heroínas, nas quais pudesse se inspirar e através das quais pudesse aprender sobre a nossa história. Comecei a escrever sobre Dandara, já que eu não sabia da existência de Aqualtune. Foi estudando Dandara que eu descobri outras personagens fundamentais para a História do Brasil e tive a intuição de criar a Saga Afro-brasileira Quilombola, para dar voz a essas mulheres que foram silenciadas pela história oficial. E não teve jeito. Assim que li sobre Aqualtune me apaixonei pela sua história de vida e toda a sua trajetória de luta pela liberdade.

MMQI No Livro fica claro as influências que Zumbi herdou da avó das estratégias de guerra? Você propõe esse resgate da heroína mãe de Ganga Zumba?
S.M Sim, até porque Zumbi torna ao Quilombo dos Palmares com dezesseis anos. A influência de Aqualtune na sua vida foi fundamental, para que ele se tornasse o herói que conhecemos hoje. A minha proposta é fazer o leitor reviver a história de Aqualtune. O resgate histórico desta heroína mãe de Ganga Zumba é de grande importância, não só para o povo brasileiro, mas para a história universal. A vida de Aqualtune é um exemplo sobre o Holocausto Africano, o criminoso comércio de vidas humanas que deixou cicatrizes terríveis em nosso povo.

MMQI O lançamento de Aqualtune – Um sonho chamado liberdade, foi 21 novembro, um dia após um dia da Consciência Negra. Como foi este momento?
S.M Nossa! Foi maravilhoso, inesquecível e surpreendente. Descrever este momento é como viver novamente: a emoção e paixão por essa heroína, Aqualtune. Ela me dá tanta energia e aumenta o meu desejo de mostrar todas as heroínas que ela originou. Agora, é hora de fortalecer a história dela, divulgar o livro para que mais pessoas conheçam a trajetória dessa mulher incrível. Enquanto isso, preparo o caminho para os outros livros da saga.

Estudante da UFRB é morta a tiros na cidade de Cachoeira; ex- namorado é o suspeito

Elitânia de Souza da Hora tinha 25 anos e cursava o 7º semestre do curso de Serviço Social. Em nota, a UFRB informou que decretou luto oficial de três dias pela morte da estudante.

Reprodução: Facebook

Por Juliana Barbosa

Elitânia de Souza da Hora, 25 anos, foi assassinada às 22h50 desta quarta-feira (27) na cidade de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, a 120km de Salvador. A jovem era estudante do 7º semestre do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e foi morta a tiros, segundo informações preliminares da Polícia Civil, pelo ex- namorado,na rua Currais Velhos, que fica perto da Faculdade. O motivo seria a não aceitação do término do namoro. Ele está foragido desde a morte da jovem.

Arte: Georlando Neto

Em nota, a UFRB informou que decretou luto oficial de três dias pela morte da estudante e lamentou ‘as terríveis circunstâncias do crime’ e pede Justiça.

A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), por meio da Reitoria e da direção do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL), manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento da estudante Elitânia de Souza da Hora, do sétimo semestre do curso de Serviço Social, na noite desta quarta-feira, dia 27 de novembro.

As terríveis circunstâncias do crime contra Elitânia causam tristeza e indignação de toda a comunidade acadêmica. A UFRB deposita sua confiança nas autoridades para que a justiça seja feita.

O Vice-Reitor, no exercício da Reitoria, declara luto oficial de três dias na UFRB e a suspensão das aulas no Centro de Artes, Humanidades e Letras na data de hoje.

A Universidade está em contato com a família para prestar a devida assistência.

Ao registrarmos nossas condolências, manifestamos apoio e solidariedade aos amigos e familiares e a toda comunidade acadêmica.

Cruz das Almas, 28 de novembro de 2019.

José Pereira Mascarenhas Bisneto
Vice-Reitor no exercício da Reitoria

Fontes: Correio, Folha de São Paulo

Marca de móveis tira a palavra ‘criado-mudo’ do catálogo

O termo, que é considerado racista, deve ser substituído por ‘Mesa da Cabeceira’.

Por Juliana Barbosa

Arte: Georlando Barbosa Neto

Certas expressões populares se tornam de tal forma parte de nosso vocabulário e repertório que é como se sempre tivessem existido. Dor de cotovelo, chorar as pitangas, dar com os burros n’água, engolir um sapo ou salvo pelo gongo, tudo é dito como se fosse a coisa mais natural e normal do mundo.

Mas se mesmo as palavras mais corriqueiras possuem uma história e sua própria árvore etimológica, naturalmente que toda e qualquer expressão popular, das mais sábias e profundas às mais bestas e sem sentido, possuem uma origem, ora curiosa e interessante, ora sombria e simbólica de um passado sinistro.

Pois muitas das expressões que usamos no dia a dia, e que hoje comunicam somente seu sentido funcional – aquilo que atualmente a frase “quer dizer” – são originarias de um vergonhoso e longo período da história do Brasil: a escravidão.

Ainda que os sentidos originais tenham se diluído em algo trivial, essa origem permanece, como em toda palavra ou frase comum, feito um DNA marcando nossa própria história.

O Brasil foi o país que mais recebeu escravos no mundo, e o último país independente do continente americano a abolir a escravidão. Conhecer o sentido original e a história de uma expressão é saber, afinal, o que é que estamos falando.

Em 1820, os escravos que faziam os serviços domésticos eram chamados de criados. Alguns desses homens e mulheres passavam dia e noite imóveis ao lado da cama com um copo d’água, roupas ou o que mais fosse. Mesmo sem se mexer, alguns senhores achavam incômodo o fato de eles falarem, e muitos chegavam a perder a língua. Outros sofreram duras punições para “aprender” a nunca se movimentar quando houvesse alguém dormindo.

Um dia, surgiu a ideia de uma pequena mesa para ficar ao lado da cama, usada basicamente para apoiar objetos. Esse móvel exercia a mesma função do escravo doméstico e foi chamado de criado. Então, para não confundir os dois, passaram a chamar o móvel de criado-mudo.

Dois séculos depois, sem nos dar conta, ainda carregamos termos racistas como esse, mas sabemos que é sempre tempo de mudar e evoluir.

Por isso, a rede de móveis Etna está começando a abolir o nome “criado-mudo” de todas as suas lojas, virtual e físicas.

Usando a #CriadoMudoNuncaMais, a rede convida o público a participar da campanha e abolir o termo do vocabulário.

Ah, e como podemos chamá-lo daqui pra frente? 
Bem, ele já tem um sinônimo: mesa de cabeceira.

Fontes: Etna, Ceert.Org, FKsa