Afrontosa

Quando o racismo vira pauta mundial

Por Li Afrontosa

Imagem by politica com manzanas

A segregação racial permeia o mundo desde a colonização europeia, onde negros foram escravizados e prejulgados como sub-humanos.
Estudos iniciados no século XVIII durante o Iluminismo, e que se estenderam até o século XX comprovaram que somos diferentes em traços físicos, porém iguais na humanidade.
Geneticamente não é possível racializar um indivíduo pois, características semelhantes foram encontradas em diferentes grupos étnicos, cientificamente não existe evidências que comprovem a supremacia de uma raça, sendo o racismo fruto exclusivamente da ideologia de superioridade.
Os povos africanos de diversos países do continente, foram escravizados e tiveram suas riquezas naturais, materiais e culturais roubadas durante o processo de colonização.
O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão, deixando um abismo de desigualdades entre os descendentes dos escravizados e dos colonizadores.
O racismo no Brasil se difere do racismo vivenciado em outros lugares do mundo.
Porque aqui foi incutido a falsa ideia de Democracia Racial, evitando assim embates violentos como os ocorridos em países como África do Sul e Estados Unidos.
O racismo estrutural que fomenta a educação de milhares de pessoas no mundo, permite que pessoas negras sejam acometidas de diversas violências físicas e psíquicas, além de extrema segregação social, estética, econômica e cultural.
Nos últimos dias, Brasil e Estados Unidos ganharam os noticiários do mundo inteiro, devido a morte de duas pessoas negras, pela Força Armada do Estado, através da polícia.
João Pedro, brasileiro de 14 anos, foi morto dentro de casa no estado do RJ, durante uma operação policial. Seu corpo foi sequestrado, sendo encontrado no IML por familiares 17 horas depois do ocorrido.
Em Minneapolis, nos Estados Unidos, George Floyd, um homem negro de 46 anos, foi morto durante uma abordagem policial, mesmo algemado e sem mostrar resistência. Ele teve seu pescoço pressionado por um policial, acompanhado de mais três colegas, que não se sensibilizaram com os pedidos de socorro da vítima, e das testemunhas ali presentes.
Manifestantes tomaram conta das ruas dos EUA, onde prédios e carros foram incendiados, unindo negros e brancos anti-racistas, clamando por justiça.
No Brasil, a morte do jovem João Pedro também causou comoção e perplexidade.
O que difere as manifestações entre os dois países é a história, pós escravidão.
O Brasil é o país com maior população negra fora do continente africano, contudo, a identidade racial do seu povo, não foi devidamente desenvolvida, a falta de educação não permite que a maioria da população se identifique como negro, desconhecendo seus valores e mantendo-se as margens das oportunidades de crescimento, e impedindo um clamor enérgico da sociedade, tornando-a indevidamente pacífica.
Nos EUA mesmo com uma população negra que gira em torno de 13,8%, os afros descentes contemplam uma história de lutas por igualdades civis e unificação racial, que os permitiram galgar melhores oportunidades de ascensão econômica e social.

Escritora baiana lança seu primeiro livro na Itália ‘AQUALTUNE: Um sonho chamado liberdade’.

Depois do sucesso no Brasil, o lançamento do livro acontece na Itália no dia 24 de maio, às 15h, por via de Live no Instagram e Facebook.

Por Juliana Barbosa

Fotografia: Luís Sá

No mês do aniversario da “Lei Áurea”, libertando os escravos à própria sorte , Sara Messias lança sua primeira obra no exterior em memória das vítimas de mais de 338 anos de escravidão no Brasil, perpassando pelo holocausto africano, narrando a história de Aqualtune, conhecida como mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares. Uma saga afro-brasileira quilombola e índigena capaz de fazer o leitor mergulhar em uma trama forte e emocionante de luta pela liberdade.

Aqualtune: Um sonho chamado liberdade, retrata, através da trajetória da lendária heroína, a história de um povo marcado pela diversidade, riqueza cultural e pela luta, fruto da interseção entre indígenas, negros e europeus.

A autora narra as aventuras de Aqualtune e ressalta a personagem como revolucionária, corajosa e destemida.

“Ela cresceu em uma sociedade mista, foi instruída pelos sacerdotes portugueses e viveu em harmonia com a população europeia. A princesa do Reino do Congo, dona de conhecimentos políticos, organizacionais e de estratégia de guerra, apesar de ser pouco lembrada nos livros e escolas brasileiras, foi muito importante para a história da população negra durante o Período Colonial”, conta a escritora.

Lançamento Internacional

Capa do livro

O lançamento do livro acontece no dia 24 de maio, às 15h,por via de Live no Instagram e Facebook.

Devido a pandemia do coronavírus, ainda não há previsão de data e local para apresentação e uma tarde de autógrafos.

A escritora comentou a sensação de voltar Bahia e lançar o livro em Novembro, um dia após a data que celebra a consciência negra, no Brasil.

“Em pleno século XXI, ainda vivemos em uma sociedade racista, machista e opressora. Voltar a Salvador, que é a cidade mais negra fora da África, com um trabalho como Aqualtune, é levar para o meu povo uma história de luta e resistência, que ainda permanece nos dias atuais”, explica Sara Messias. “Esse trabalho envolve identidade, pesquisa e paixão, com o propósito de contribuir para uma sociedade mais fraterna, igualitária e principalmente respeitosa frente aos direitos humanos”, conclui

Aqualtune – princesa do Reino do Congo que veio para cá como escrava

Conhecida no Brasil como mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares, até hoje, a lendária heroína simboliza liderança e luta dentro do sistema escravocrata, tendo deixado esse legado através de seus herdeiros e de seu comando no quilombo. Sara Messias vai além e revela um retrato pouco conhecido de uma África do começo do século XVII, numa obra que mistura realidade e ficção. O livro leva ao leitor detalhes da infância e juventude de Aqualtune, até ser obrigada a se casar com seu primo e ver sua vida mudar radicalmente.

Sara Messias

Fotografia: Luís Sá

Mulher, mãe, negra, brasileira e baiana, Sara nasceu em dezembro 1981 e cresceu no bairro do Garcia, em Salvador. Filha de um metalúrgico e uma doméstica, ela e a irmã gêmea, Simone, foram criadas sob os cuidados do avô Valdete e da saudosa avó, dona Agmar – responsáveis por plantar em Sara a semente da leitura. Ainda na infância, ela foi incentivada por eles, pois liam livros clássicos e assistiam a filmes antigos.

A escritora estudou na pré-escola Batista, cursou o primário na Escola 25 de Agosto e o ginásio na Escola Municipal Hildete Lomanto, no bairro do Garcia. Já o ensino médio foi dividido entre o Centro Educacional Edgar Santos e o Centro Educacional Odorico Tavares. Sara tem formação em Turismo pelo CEFET-BA, atual IFBA – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia.

Foi a curiosidade e a vontade de descobrir mais sobre a formação do Brasil que levaram a autora a uma viagem no tempo, fazendo Sara se apaixonar ainda mais pela história do povo brasileiro. Ao começar a escrever, guiada pelo forte desejo de resgatar essa memória, Sara decidiu por um enredo que compartilhasse a formação do povo brasileiro. E assim nasce a primeira obra de uma saga cheia de coragem, luta e ‘orgulho preto’, como ela mesma diz. Hoje, Sara vive na Itália com seu marido Antônio e sua filha Nicole.

Café com pimenta

Por Juliana Barbosa

De repente 30! Felizmente 30! 

Rapidamente 31!

Intensamente 32!

Ano retrasado, como rito de passagem de decenário, fiz esse texto. No aniversário de 2019 reescrevi, em negrito, o que acreditava que havia mudado em um ano.

Este ano farei diferente. Vou reescrever toda a história, pressupondo que quem a escreveu anteriormente já não existe mais. Usarei aquele clichê: “Se você me conhece baseado no que eu era um ano atrás, você não me conhece mais. Minha evolução é constante, permita-me apresentar novamente.”

Tive como lema juvenil aquela história: “Diz-se que todo ser humano, antes de morrer deve “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.”Plantei mudas de árvores, escrevi dois livros ainda adolescente, entretanto, adiei a parte de “ter um filho”. Ao menos no sentido literal, já que “dei a luz a um diploma universitário, “pari” vários textos que inspiraram tantas outras mulheres e a minha cria” chegou a maturidade com bom emprego na minha área de formação. Isso não significa que eu não queira ser mãe – a propósito esse é um dos meus maiores sonhos. Nesse período de amadurecimento, amigos morreram, superei alguns traumas e outros “estamos em obras’ – Ainda mais agora nessa fase balzaquiana que refere-se a Honoré de Balzac, autor do romance do século XIX “Mulher de trinta anos”, ele descreve as angústias femininas, infidelidade, amor e amadurecimento. Mantive esse trecho do texto de 2018, o papel do jornalista é informar.

Voltando ao século XXI, a tal fase da crise dos 30, agora 32.

Aquela guria que idealiza uma vida estável, bem resolvida, confortável, casa própria, carro, vários diplomas e, quem sabe, uma família? Bobinha! A vida não é um comercial de margarina, e você não nasceu num berço de ouro: meu berço era de madeira – sugestivo para quem teria que encarar a vida com resistência e força. 𝑪𝒂𝒍𝒎𝒂! 𝑨𝒒𝒖𝒆𝒍𝒂 𝒈𝒂𝒓𝒐𝒕𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒊𝒓𝒊𝒂 𝒎𝒖𝒅𝒂𝒓 𝒐 𝒎𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒆𝒙𝒊𝒔𝒕𝒆. 𝑬 𝒎𝒖𝒅𝒂 𝒐 𝒎𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒂 𝒔𝒖𝒂 𝒎𝒂𝒏𝒆𝒊𝒓𝒂, 𝒄𝒐𝒎𝒆ç𝒂𝒏𝒅𝒐 𝒂 𝒓𝒆𝒇𝒐𝒓𝒎𝒂 𝒑𝒐𝒓 𝒅𝒆𝒏𝒕𝒓𝒐, 𝒏𝒂 𝒎𝒆𝒏𝒕𝒆.

Com a ingenuidade do comercial de margarina, tive pressa de viver: Li incontáveis livros, entrei na faculdade aos dezessete anos, tentei direito, não era o que eu queria, fui para publicidade, também não era bem aquilo, então fiz jornalismo e resolvi pousar por ali, na ânsia de ter estabilidade aos trinta. Neste meio tempo, me aventurei no curso de psicologia, paixão que pretendo retomar, e continuei estudando, estudando e trabalhando – como sempre fiz desde quando tinha dezoito anos. Vivi plenamente a universidade, fiz amigos, tomei porres, encarei ressacas, admirei mestres, até chegar à fase do estágio. Eu já tinha vinte e quatro, morava sozinha mas, dependia dos meus pais, o salário mal dava para chamar de salário, acho que o termo correto era incentivo estudantil. Na minha corrida, eu estava longe. Tive paixões, , amadureci mais um tiquinho, porém, o imediatismo continuava gritando: -“cadê a vida de comercial de margarina? ” Formei, fiquei desempregada, voltei para a minha primeira emissora (um bom filho à casa torna), e me acomodei achando que -“ agora vai”! Passaram-se anos, mudei para um apartamento melhor, comprei um carro – com certeza não foi só com o salário de jornalista:

então estudantes, repensem. Jornalismo é uma cachaça, mas, dá uma ressaca danada! Quem faz jornalismo faz, literalmente, por amor pois, financeiramente, o retorno não é aquele que a sua avó iria se gabar para as amigas. Mas, quer fazer? Faça! Nada pior que um profissional insatisfeito. E quem não toma uns porres de vez em quando? Uma das coisas que mais amo no mundo é viajar. Um dos meus lugares favoritos é a chapada Diamantina, especialmente o vale do capão. Amo também trancoso, arraial d’ajuda… O recôncavo da Bahia… Descendo, eu curti Sampa! Mas, o nordeste…. ah!!! Maceió/AL, Caruaru e Gravatá/PE!!! Desculpem-me os devaneios. Continuando… Em 2017 realizei o sonho de conhecer outro país, a Argentina. Logo depois tomei uma topada daquelas! Aos 29 anos, Cazuza (meu gato), morreu, deram Bob Marley (meu cachorro), sem eu me despedi, me separei de um forma traumática, sofri dois acidentes de carro, internação de um mês no hospital, um sequestro básico… até meu telefone quebrou. Voltei para a casa da minha mãe de mala e cuia. Sem nada daquilo que eu pensava ser, o que definia o que eu sou. Parece azar? Mas, não foi, não é. Tive incontáveis livramentos pois, há um propósito nesta bendita existência. Quando o meu sol interior raiou, decidi me desfazer de tudo que já não fazia mais parte de mim: a começar pelo meu emprego. Queria alçar vôos maiores E, a partir daí, pude ver que muitos daqueles que eram meus “amigos”, eram amigos da repórter. O status, e a falsa impressão de “celebridade” que a profissão dá. Não somos o que temos, somos o que somos. Mas, neste mundo adoecido, as pessoas confundem as coisas. Então, joguei tudo pra cima e passei numa seletiva de mestrado em Portugal!! Só não sabia como faria este sonho virar realidade. Prestes a trintar, conheci e me converti ao Budismo. Experiência maravilhosa! Me afastei da filosofia de humanística de Nichiren Daishonin mas, continuo espiritualista. Suponho que haja uma segregação soberba, talvez inconsciente, talvez não intencional, que todas as religiões possuem. Como se a religião fosse um aquário, e a fé, a espiritualidade fossem todo o oceano. É complexo, talvez, inexplicável. E é com este amadurecimento que aceitei com felicidade os meus 30 e poucos anos e alguns cabelos brancos. Quero ser melhor para mim, melhor para os meus, melhor para o mundo. Afinal, não existe uma vida de comercial de margarina. A vida é muito maior que um comercial, a vida é real!

Em 2018, pouco antes de embarcar para PT fiz um ensaio fotográfico muito empoderada. Isso resgatou minha auto estima mas, me ensinou sobre a maldade das pessoas. A distorção social, e os preconceitos que ainda existem. Pra viajar, fiz uma campanha virtual (quem diria? Hoje, eu não faria). Tive uma rede de apoio maravilhosa e cheguei lá! A garota que sonha em conhecer o mundo conheceu mais um país! Mas, vivi experiências que poderiam ser evitadas se eu fosse mais prudente, menos imediatista, mais madura e, principalmente, me planejasse mais. Outra coisa que aprendi muito foi que confiança é sagrada, e não devemos simplesmente entregá-la a qualquer um. A traição é uma violação sentimental e moral. Entretanto, lá em terras lusitanas, reencontrei pessoas que me deram uma família. Descobri que amigo pode virar irmão, independentemente do país em que ele esteja. Aquele que te socorre, que te abraça pelo olhar, usando a tela do celular. Trabalhei como jornalista e repórter em Portugal! Pense! Mas, sentia saudades das pessoas que considero família, que nem sempre tem nosso sangue – isso, até um pernilongo tem! E senti o quanto eu sou abençoada em ter mãe. Não qualquer mãe, a MINHA MÃE. A saudade maior era a dela. E todas as vezes que ela ia ao hospital, eu me sentia impotente. Um oceano nos separava. E ela precisava de mim – e eu dela. Voltei às pressas ao Brasil com o sonho do mestrado não realizado, minha mãe precisando de mim e eu, mais uma vez, desempregada. Pensei que iria voltar ao sofá e deprimir novamente. Bolso vazio, sem celular – de novo e sem dinheiro. Mas, é real, procurem ajuda quando a barra estiver pesada. Procurei. O cérebro é um órgão como qualquer outro e a dor que aperta o peito, vem de lá. O médico que cuida da nossa saúde mental é o psiquiatra. E quem vai nos orientar para uma vida mais saudável é o psicólogo. O que tem de errado nisso? Nada! Cheguei com Doze quilos a mais, com a saúde debilitada. Minha mãe, que sempre foi e é minha melhor amiga, – somos uma dupla de quatro, eu e ela, ela e eu, me deu de presente de aniversário um celular para que eu pudesse trabalhar. Cuidei da saúde , voltei ao peso mais saudável, continuo trabalhando a forma como eu me enxergo, e talvez este exercício leve uma vida inteirinha. Voltei a trabalhar como apresentadora e repórter freelancer. De 2012 a 2019 não houve um só ano que não tenha exercido a profissão Participei da segunda edição da revista papo de salão e visagismo.Trabalhei também como editora de textos numa agência de endomarketing. . Fotografei casamento, ensaios de casal, ensaios infantis… a vida continua! A gente se reinventa! Focando, voltarei a Europa, e quem sabe a Portugal, spoiler! E o Sofá? Não faz parte da rotina. Criei um projeto. Mas, o projeto, ou melhor, o Muito Mais Que Isso já se tornou uma realidade. E era apenas uma ideia que eu tinha, de ter espaço para escrever sem limites de caracteres.

Pause

Imagem: internet

No mês de março o nosso projeto completou um ano e a nossa equipe deu uma parada. Não sabemos se vamos voltar. Estamos vivendo um momento atípico é inédito para nós: A pandemia do coronavírus. Como jornalista, profissão essencial, temos obrigação de mantermos os nossos leitores informados. Entretanto, nossa equipe não é formada apenas por jornalistas. E viralizou entre nós uma falta de ânimo para escrever. Cada um com suas particularidades. É uma pandemia, não uma competição de produtividade! Os tempos políticos já foram melhores mas, não tivemos tempo de Temer antes, quiçá agora. Resistiremos, cada um do seu canto! O amor prevalecerá. A vida é Muito Mais que isso! Não é curta, ela só passa muito rápido! E me deu de presente um homem maravilhoso que me ensinou uma nova forma de me relacionar, um amor como nunca havia experimentado, que me faz sorrir só de pensar nele… Todos estamos assustados com esse novo momento mas, vai passar. O inimigo invisível mudou todos os planos…. Comecei o dia do aniversário chorando. Lavando a alma! Assim como a chuva que cai todo ano quando completo mais um outono. Mas, como diz a música: “a chuva só vem quando tem que molhar”.

Aposta do verão: Din din din don, parceria entre Aila Menezes e Preta Gil destaca a voz feminina no pagode.

O videoclipe gravado em salvador ultrapassou 15 mil visualizações no YouTube em menos de uma semana do lançamento.

Por Juliana Barbosa

Gravação do clipe – Crédito Sercio Freitas

Parcerias na música e na vida. Preta Gil e Aila Menezes se conheceram em 2013, durante a participação da baiana no The Voice Brasil e, desde então, surgiu a amizade entre as cantoras. Preta não esconde a admiração por Aila, de quem já gravou “All right” em seu último álbum, “Todas as cores”.

“Há um tempo alimento a vontade de gravar um novo pagode baiano e com uma mulher forte e de atitude como Aila, “Há um tempo alimento a vontade de gravar um bom pagode baiano e com uma mulher forte e de atitude como Aila, tudo se torna ainda mais interessante. São poucas as mulheres que representam o pagode baiano como ela”, declara Preta Gil.

As cantoras, que já há algum tempo aguardavam uma oportunidade para gravarem juntas, apostam no hit composto por Aila e Tacila Almeida, é um “groove arrastado”, pagode baiano que tem em Aila Menezes uma defensora e percursora do estilo desde 2007, quando era vocalista da banda Afrodite, e que depois se tornou “groove de saia”.

Para o videoclipe da canção,dirigido Chico Kertesz e produzido pela Macaco Gordo, as cantoras escolheram como cenário o Palácio Rio Branco na “Cidade Alta” de Salvador, tendo ao fundo a Baía de todos os Santos e o Elevador Lacerda.

Gravação do clipe – Crédito Sercio Freitas

“A mulher no pagode, o protagonismo sempre foi nosso mas, sempre como a bunda que dança e nunca como a voz ativa que comanda a massa, que lidera… O sistema muitas vezes não permite essa igualdade mas, vamos buscar essa igualdade, seja passando por um tapete vermelho ou metendo o pé na porta”, ressalta Aila Menezes.

A cantora baiana, que levanta a bandeira da diversidade, defende que o pagode é a voz da periferia e apoia o crescimento e o respeito pelo ritmo. Aila afirma que a cantora carioca Preta Gil é uma inspiração, uma mulher à frente do seu tempo, uma pessoa necessária:

“Estou muito feliz em poder participar desse projeto com Preta. Ter sido convidada por ela, que é uma artista humana e plural, é uma honra para mim. A canção ‘Din Din Dom’ é a oportunidade de levarmos o pagode baiano feito por mulheres para o Brasil. Estou muito confiante e acho que vamos arrasar”, disse Aila Menezes.

Reprodução: Instagram

“Sabe aquele groove pra dançar agarradinho, bem gostosinho, bem coladinho, escaradinho?”

Divulgação

Assista aqui o videoclipe: https://youtu.be/6bAox3yWauk

Fonte: Midiorama

Café com pimenta

Por Juliana Barbosa

Anna Carolina de Souza Neves, de 8 anos, foi baleada na cabeça no bairro Parque Esperança, no município da Baixada Fluminense. Ela estava no sofá de casa. O crime foi na madrugada desta sexta-feira (10).

Segundo a Polícia Militar, não havia operação na região em que Anna Carolina foi baleada. A família informou à corporação que disparos foram ouvidos pouco antes de a menina ser atingida.

De acordo com a polícia, agentes foram abordados por moradores quando passavam pela Avenida Joaquim da Costa Lima. Em seguida, o pai de Anna Carolina de Souza Neves apareceu carregando a menina nos braços até a viatura, que levou a criança até o Hospital de Saracuruna. No local, ela não resistiu aos ferimentos.

O corpo de Anna Carolina estava no Instituto Médico Legal de Duque de Caxias, na mesma região, na manhã desta sexta-feira (10). 

A Secretaria de Estado de Vitimização informou que estava em contato com os familiares da criança e ofereceu auxílio, assistência social e psicológica aos parentes. Ela é a 3ª vítima de bala perdida no estado do RJ este ano.

Não é possível falar do assassinato de Anna Carolina sem lembrar de Ágatha Félix, também morta aos 8 anos, no complexo do alemão, dentro de uma Kombi, quando voltava pra casa com a mãe, também numa sexta feira, no dia 20 de setembro de 2019.

Ambas mortas pelo estado. Mortas por aqueles que deveriam protegê-las. Vítimas da necropolítica.

Em 2019, seis crianças foram assassinadas na região Metropolitana do Rio.

Não, poderia simplesmente fazer a nota e pronto. Precisava colocar no papel todo repúdio, toda dor, toda lástima de perceber que este ano não tem nada de novo. Toda vez que uma criança é atingida por uma bala disparada pelo estado, a notícia é de que o corpo que encontrou essa “bala perdida” é um preto, pobre e periférico.

E, para os governantes, é só mais um CPF cancelado.

Feliz ano novo para quem? Novo? Como!? Onde? Feliz?