“E daí???” O desdem do presidente e a politização da calamidade

A cada fala proferida, o atual governante nos leva para uma crise sem fim

Foto – Agência O Globo

Por Gustavo Medeiros

Perguntado sobre os dados atualizados da pandemia de Coronavírus no país na última terça-feira (28), o atual presidente da republica, de forma desdenhosa, deu uma resposta direta e displicente que gerou memes e reações negativas na internet. O ” E daí”, proferido em tom de desdem e aplaudido pela claque bolsonarista soou mal diante da situação calamitosa, com números que decretam o inicio do pico de contagio.

O desdem do “E daí”, proferido de forma natural e sem a devida empatia, denota a despreocupação do atual governante, que, de forma contumaz e irresponsável, joga no colo de prefeitos e governadores a gravidade da crise. Enquanto o presidente faz guerra com os poderes e cria intrigas para poder governar de forma autocrática, os brasileiros vão contando as vitimas e os corpos.

Essa irresponsabilidade jogou o país em um problema duplo, que só faz aumentar a medida que os dias passam e os planetas se movimentam no céu. A cada dia o Brasil se afunda mais na crise e vê corpos sendo empilhados e depois enterrados em cova comum, sem o minimo de dignidade, como está acontecendo em Manaus. A capital do Amazonas já vive dias difíceis e já projeta a possibilidade de enterrar os mortos pela COVID 19 em sacos plásticos.

Para piorar, com o pico da pandemia chegando, boa parte dos estados não darão conta das internações, a depender da complexidade dos casos. Diante deste cenário, será possível imaginar o aumento do numero de mortes e a expansão do gráfico no mês de maio. A irresponsabilidade de Bolsonaro faz agravar a situação do país, que lidera, de forma vergonhosa, no numero de casos na America do Sul, virando motivo de piada e pena no exterior.

Pode ser muito pior. O desdem do presidente, que advêm de uma atitude negacionista, influencia uma parte da população, fazendo com que a quarentena seja quebrada, o que já é sentido no Índice de adesão das capitais durante este mês. Os dados foram registrados por um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e divulgado pelo site Aos Fatos.

Diante de tais fatos que se sucedem ao passar dos dias, só no resta pedir pela providencia divina para achar logo uma catapulta no fundo do poço que o atual presidente nos levou. Sobre os atos irresponsáveis, que se somam dia após dia, repetiria as falas do presidente para justificar a responsabilidade dos 89 milhões de brasileiros nas eleições de 2018. “Sinto muito, quer que eu faça o que?!”

Como um dia de domingo

O mundo jogando todas as fichas contra a pandemia

 Foto: GREG BAKER / AFP

Por Gustavo Medeiros

Europa e China. Dia de semana, ruas desertas de um mês de fevereiro, estendendo este clima para março e suas águas marinhas revoltas. É primavera e as cerejeiras dão frutos no Japão atônito por suas vítimas, muitos deles idosos. Para além da pandemia, do número de infectados e da taxa de mortes registradas, o Covid 19 nos chama atenção para pequenos detalhes que parecem ser inúteis em um mundo onde tudo está em movimento.


Como um dia de domingo, chineses e europeus ficam em suas casas, sejam enclausurados ou em home-office. O corona nos convida a perceber o nosso lar e o que está dentro dele, as roupas que não usamos, a comida que não degustamos. Olhar para os cantos e ver a poeira do tempo que se acumula e entender o porquê a fresta da janela está suja.


Italianos buscam refúgio na arte, naquilo que salva em tempos difíceis e descobrem que a felicidade está nas coisas pequenas e que devemos compartilhar essa energia, que atenua as dores do mundo, mesmo que seja pelas claraboias, sacadas e janelas. É tempo de olhar para o outro, nem que seja a um metro de distância.

Nunca falamos tanto pelo tal “zap zap”, nunca multiplicamos e viralizamos (literalmente) informações. Como um dia de domingo, olhamos para a rua deserta, onde só se ouve o barulho do vento, que uiva solitário.

Do alto de nossos apartamentos e coberturas, vemos a cidade vazia, nua e sem movimento. Nos percebemos no silêncio e fazemos dele a nossa reflexão. Fomos forçados a parar para pensar, refletir por ( e de) dentro. Este é o momento de ouvir mais,pensar mais e acreditar, vai passar.

Por mais abraços (reais) em Suzy

Como a internet, por comoção ou ódio, desumaniza as pessoas

Foto – G1 (reprodução)

Por Gustavo Medeiros

Há quase duas semanas, o Fantástico exibiu um minidocumentario que contou com a participação de Drauzio Varella sobre a situação das pessoas trans nos presídios . Com uma experiência em trabalhos voluntários no sistema carcerário, o que lhe rendeu um livro, o médico clínico conversou com transexuais detentas,pessoas que, independente de sua condição, sofrem com a discriminação da sociedade.

Entre todas as histórias contadas durante a atração, está a de Suzy, presa há oito anos. Durante este período, a detenta não recebeu a visita de parentes, o que denota a invisibilidade da pessoa trans e a solidão entre as grades dos centros de detenção.

Entretanto, o que chamou a atenção no quadro foi um gesto simples, que parece perder a sua conotação em tempos pós modernos. Drauzio,ao final da conversa, abraçou a detenta, algo que fugiria do convencional se fosse feito por um jornalista. O ato em si causou diversas opiniões e movimentou as redes sociais,polarizando votos de ódio e comoções exacerbadas.

O abraço de Drauzio, destacado do contexto da atração, deu um ar de humanidade, esquecido na visceral idade das contendas que dividiu o país em dois lados. Entre a comoção a esquerda, o ódio irônico a direita e a indiferença, o Brasil paralelo das redes sociais perdeu o bom senso nas suas opiniões. Alias,neste submundo de mágoas verborrágicas que a internet se tornou, perdemos a sensibilidade compreensiva de olhar para o outro em sua integralidade, nos seus erros e nas suas dores.

Para por mais lenha na fogueira da polêmica vazia, uma fake news sobre a causa da prisão correu na internet, uma vez que nada foi dito. Dados oficiais mostram que a pratica do furto é responsável por grande parte das detenções de transgêneros.

Para motivos de esclarecimento, o foco maior da matéria é a invisibilidade da pessoa trans e a adequação do sistema carcerário a este público, algo que foi mostrado em alguns programas de tevê. Vale lembrar que, o transgênero,além da indiferença, é mal visto pelos outros presos em boa parte das detenções muito mais pela sua condição.

Pelas lentes da internet, Suzy se tornou uma referencia, quer seja uma vitima do sistema ou um monstro desenhado pelos incautos. Desumanizamos, com um só clique, pessoas com a maior facilidade. Criamos personagens e não refletimos sobre pessoas. Com as relações em rede, romantizamos e construímos narrativas fora da nossa realidade,longe do que vivemos ou sentimos.

Que possamos sim dar mais abraços reais e verdadeiros em Suzy e em outras tantas mulheres trans que passam despercebidas em nossas vidas, sejam nas celas das cadeias ou nas noites frias das vias públicas.

Tensões e hegemonia norteiam consequências do ataque no Oriente Médio

Governo Trump tira de cena o general Qasim Soleimani e gera atritos com o Irã

Ataque destruiu o carro onde estava o general da Guarda Revolucionária do Irã. Foto – Iraq Security Media

Por Gustavo Medeiros

Mal começou o ano de 2020 e os Estados Unidos já deu início a uma ofensiva no Oriente Médio. Na última quinta-feira (02), os norte americanos coordenaram um ataque contra o aeroporto de Bagdá, vitimando o general iraniano Qasem Soleimani, responsável pelas ações militares do Irã no exterior. Outras sete pessoas morreram na ação, que atingiu o terminal de cargas.

Soleimani tinha uma grande influência e prestígio entre os militares iranianos e, segundo o governo norte-americano, mata-lo era uma questão de defesa. Em entrevista, o secretário de estado Mike Pompeo alegou que, vivo, o general representava uma ameaça imediata.

Qasim Soleimani era um general influente entre os militares iranianos. Foto – Reprodução.

A ação do governo Trump foi retaliada pela Russia,aliada do Irã, China e França,países que, assim como os Estados Unidos, fazem parte do conselho de segurança da ONU. Estas nações alertaram sobre as consequências dos ataques e demonstraram a preocupação sobre a situação no Oriente Médio.

Assim como na comunidade internacional, no Irã a morte do general Soleimani gerou uma onda de reações negativas. A autoridade máxima do país, o aiatolá Ali Khamenei, em comunicado oficial, atribuiu o ataque à “gente mais cruel da terra” e pediu uma “dura vingança”. Iraque alegou que a ação foi uma ,”flagrante violação” a soberania do país.

O ataque ao aeroporto de Bagdá reacende a tensão entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Atualmente, os países estavam em uma coalizão, junto ao Iraque, contra a milícia Estado Islâmico e retomaram os territórios que estavam sob domínio do grupo terrorista.

Para a grande imprensa no mundo todo, a ação, além de intensificar as tensões no oriente, serviu de ponto para reavivar a hegemonia norte americana e a busca do controle sobre os poços de petróleo na região,uma vez que o Irã, em 2019, descobriu um campo de petróleo com capacidade de produção para 50 barris.

Para alguns analistas, o ataque significa a retomada do projeto pessoal de Donald Trump, uma vez que os americanos terão eleições presidenciais este ano,ou seja, o interesse de Trump é hegemônico. São dois “pês” que norteiam a relação norte americana na região, neste caso poder e petróleo.

Fonte – Ele País, Correio da Bahia e Revista Fórum