Em Minha Pele

Feminismo, Nudez e Tabu

Por Juliana Barbosa

Foto: Léo Melo/Arquivo Pessoal

Se despir é a forma mais literal e visceral de tirar as camadas que colocaram na frente dos nossos olhos e que não nos permitem enxergar da forma como realmente somos. Sou Jornalista, escritora, mulher: e nada disso importa quando alguém aponta o dedo para uma foto nua. É como se a falta de roupa fosse desabonar toda nossa conduta enquanto ser humano, toda história que construímos ao longo das nossas vidas. Ninguém, além de nós mesmas, sabemos os caminhos que andamos para chegarmos até aqui. Muitas de nós carregamos cicatrizes, queimaduras, marcas de violência sexual, traumas, mas, o que a sociedade insiste em ver – e julgar: é o corpo nu. Mas, não qualquer corpo. O corpo feminino. Que sempre esteve nu em revistas masculinas para atender aos ímpetos fantasiosos. Corpos perfeitos, mulheres espetaculares, famosas. Mas, se uma mulher abaixa a blusa para amamentar um bebê ainda há alguém para maldar. A maldade está nos olhos de quem ver.
Nos olhamos no espelho e já procuramos aquelas “imperfeições” que sempre nos apontaram. Ficar pelada – e se sentir bem com isso- é uma das sensações mais libertadoras, que acabam refletindo em várias outras áreas da nossa vida. E acreditem: Muitas vezes, incomuns. Até mesmo para aquela atriz maravilhosa. Todas nós temos limitações. Ninguém vive satisfeito 100%, ou não existiria a industria da moda, da beleza. E, talvez, o Brasil não
liderasse o ranking de países em cirurgias plásticas femininas.

Hoje fiz uma matéria sobre projetos fotográficos que devolvem a autoestima das mulheres e ajuda a quebrar padrões impostos pela sociedade, e que adoecem muitas de nós. Durante a produção da matéria, descobri que de acordo com o Relatório Global de Autoconfiança Feminina, elaborado pela Dove, quando mulheres não estão se sentindo bem com sua aparência, 9 em cada 10 chegam até mesmo a desistir de um compromisso marcado.  Isso significa que 92% das mulheres brasileiras afirmaram abrir mão de praticar atividades importantes na vida. Chega a ser assustador mas, você nunca disse: – “Não tenho roupa!”. ou a famosa :-” Poxa, cabelo!”. Sempre temos alguma queixa.

Quando a gente fala de nudez, posta fotos nuas ou sensuais, nesse país extremamente machista em que a gente vive, nossos pais e até avôs foram ensinados que quando o cara faz 13 anos, ele tem que virar macho.Transar. . Eles cresceram vendo revistas de mulher pelada cujo único objetivo era objetificar o corpo da mulher, além de ensinarem para os meninos que existe um tipo certo de “mulher pra casar”. É uma cultura que está muito enraizada na forma como a sociedade vê o corpo feminino. Por que um homem pode andar sem blusa na rua, mas a mulher pode até ser presa se quiser fazer topless? A mulher não pode se masturbar, não pode gozar, não pode sentir tesão, tudo é proibido a mulher “feita para casar”. É fundamental que a gente combata esse tipo de visão. Mas como? Se cobrindo? Abaixando a cabeça pros julgamentos que já estamos tão acostumadas? Penso que somos donas de nós mesmas. Quer mostrar, mostra; se quiser cobrir, cubra. Escolha é a palavra chave. Meu corpo, minhas regras. É claro que ainda tem uma linha muito tênue que separa essas visões, e que pode ser interpretada de várias formas. Pense que por trás daquela pessoa despida, naquela pele que está sendo fotografada, pode estar a busca pela libertação de padrões, até a tentativa de quebrar traumas antigos, como assédios e estupros. Então, mana, julgar é a PIOR forma de ajudar uma mulher. E a forma mais distante de EMPODERAMENTO. Na foto que ilustra o primeiro artigo, diário, processo de catarse, enfim AQUELA SOU EU! E querem saber qual foi a primeira coisa que eu dizia quando olhava as minhas fotos pela primeira vez? “Nossa, mas nem parece que sou eu”. Confesso que ouvi muito isso também, Mas, o que importa é que percebi o quanto sou múltipla e ao mesmo tempo ímpar. O quanto somos seres universais, formados por pequenas partículas atômicas, mas também somos deusas, filhas da força criadora de todos os universos. Esse é meu grito de libertação. Espero contar minha história de vida aos poucos. Essa não é a primeira tentativa de fazer isso. Mas, nunca é tarde para recomeçar. Pretendo fazer Muito Mais que Isso!

Então meninas, e fotógrafos profissionais, este é o insta que irei contar a história @emminhapele