Afrontosa

O Padrão da Beleza

Por Li Afrontosa

            Por Li Afrontosa
Desenho: Helena Morani

Mulheres ao longo da história precisaram lutar pelos seus direitos, movimentos feministas surgiram para dar a voz a mulheres que visam igualdades entre os gêneros.
Importantes conquistas como o direito ao voto, acesso a educação e outros ainda por serem conquistados como o direito ao aborto e equiparidade salarial permeiam as lutas desses movimentos.
As pautas feministas são muitas e diversas e precisam ser entendidas dentro de recortes como raça, credo, classe social e orientação sexual, para que assim possam ser amplamente inclusivas.
Porém, há um sofrimento que aflige há anos todas as mulheres. A pressão estética que busca enquadrar todas elas em um padrão de beleza muitas vezes inatingível.
A necessidade de se apresentar um corpo, magro, sem marcas, sem estrias, celulites, uma pele lisa, firme e sem pelos é explorada pelas industrias de moda e cosméticos e vendidas pelas mídias como a beleza ideal.
Essas industrias relutaram por muitos anos em produzir roupas, acessórios e cosméticos que atendam os diferentes corpos e etnias, como se fosse possível existir um padrão único de beleza
Milhares de procedimentos estéticos, incluindo os cirúrgicos fomentam o mercado econômico, levando mulheres de todo o mundo a se submeterem ou consumirem produtos e serviços que as façam se tornarem bonitas.
A busca pela beleza eterna, muitas vezes adoece podendo leva-las a morte, pois os corpos são naturalmente diferentes e passiveis de envelhecimentos e mudanças constantes.
A cobrança exercida sobre o corpo feminino é violenta, a mulher tem que ser eternamente atrativa sexualmente independente dos fatores internos como genéticas ou externos como a passagem do tempo.
Essa pressão pode gerar doenças como depressão, ansiedade, distúrbios alimentares entre outras.
As mulheres são obrigadas a viverem em um tribunal impiedoso que julgam seus corpos como se fossem públicos
As ditas belas não deixam de sofrer, mesmo as consideradas dentro do padrão, não podem descuidar da aparência, basta uma mísera celulite aparecer que as críticas e ofensas surgem de todas as partes.
Quando a mulher é negra e gorda, é quase um crime que deve ser sentenciado a masmorra, pois dificilmente esse corpo será associado a beleza.
Diversos movimentos nasceram com a finalidade de quebrar essas amarras que limitam as mulheres de vivenciarem suas belezas de formas múltiplas, mostrando ao mundo que um corpo bonito é o que abriga uma pessoa feliz.
E o padrão? Que nos siga!

Grande perda no jornalismo baiano. Morre João Carlos Teixeira Gomes, o Pena de Aço

Jornalista que desafiou o carlismo estava internado no Hospital da Bahia

Foto – Reprodução

Da Redação MMQI

O jornalismo brasileiro amanheceu triste nesta sexta feira (19) com a perda do grande João Carlos Teixeira Gomes. Conhecido como Pena de Aço, Joca ocupava a cadeira de número 15 da Academia de Letras da Bahia e se despediu de nós na noite da última quinta-feira (18) após vários dias internado no Hospital da Bahia.

Segundo informações de amigos mais próximos, ele estava enfrentando um AVC ( Acidente Vascular Cerebral) no cerebelo há cerca de três anos. De lá para cá, o seu estado de saúde nunca foi o mesmo. Nos últimos dias, uma fraqueza, precedida de uma pneumonia e falência múltipla dos órgãos, o levou para o internamento.

Além de jornalista, João Carlos era escritor,ensaísta e professor. Junto com Florisvaldo Matos, Calazans Neto e Glauber Rocha ( de quem é biógrafo) formou a geração MAPA na ALB. Mas foi como de perfis biográficos que Joca se notabilizou, mas precisamente por sua coragem em desafiar Antônio Carlos Magalhães com a biografia “Memória das Trevas”, onde ele descreve a trajetória de poder do ex- governador e ex-senador da Bahia.

Joca foi o autor da obra que desafiou o Carlismo. Foto – Divulgação

O nosso Pena de Aço construiu uma carreira sólida dentro do jornalismo, trabalhando, durante muito tempo, no Jornal da Bahia, ocupando diversos cargos, de repórter a chefe de reportagem. Joca também trabalhou no Jornal A Tarde como colaborador fixo e foi secretário de comunicação do Governo do Estado na gestão de Waldir Pires.

Joca deixou uma vasta obra composta por biografias e contos, contribuindo, de forma incansável, para o desenvolvimento da carreira jornalística no estado. É dessa forma que o MMQI homenageia um dos grande nomes do nosso jornalismo.

Fontes – Bahia.ba, Metro 1 e Correio da Bahia

Não coloque pagode no meu forró!!! Um equivoco gigante

Decisão para colocar artista na grade do programa “São João do Nordeste”, da Rede Globo, dividiu opiniões durante a semana

FOTO: Instagram – divulgação

Por Gustavo Medeiros

A Rede Globo vem anunciando, desde o início da semana as atrações do programa São João do Nordeste. A atração, que este ano, por conta do isolamento social, será realizada em formato de live e exibida neste sábado após a novela das 20h. A atração, que vai contar com bandas e artistas que representam os noves estados nordestinos, foi motivo de polêmicas e discussões nas redes sociais por um detalhe gigante, a presença de Léo Santana na grade de artistas do programa, uma vez que a atração é destinada para comemorar as festas juninas com o mais nordestino de todos os ritmos, o forró.

A escolha de Léo Santana, artista ligado ao pagode e com passagem marcada pela banda Parangolé, foi motivo de muitas críticas a produção do programa, que selecionou outros artistas ligados ao forró e suas vertentes como Mano Walter, Solange Almeida, Amazan entre tantos outros. Em nota emitida para a imprensa, a TV Bahia justificou que o pagodeiro terá companhia da banda Forró do Tico. A emissora não explicou os critérios usados no convite ao “Gigante”.

Leo Macedo, vocalista da Banda Estakazero, declarou em um vídeo, postado em suas redes sociais, que os outros artistas que representam o segmento no estado se viram desapontados com a decisão. Para ele, “não existe São João sem forró.”. Entretanto, vale lembrar que isso não é regra para os grandes produtores de eventos e contratantes. Eles não levam a sério a força das tradições culturais existentes nos festejos juninos e montam festas fechadas com atrações diversas, algo distópico e fora da realidade se vermos com detalhes a estrutura que é montada.

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Depoimento sobre o São João do Nordeste.

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Bahia Junina

É possível encarar a escolha de Léo Santana como um duro golpe para quem vive o mês de junho viajando os quatro cantos do estado e da região, perdendo noites nas estradas e cumprindo uma extensa agenda de shows, que vai para um pouco além do mês de junho, normalmente, sem considerar estes tempos de pandemia do Novo Coronavírus. Para além da realidade posta, vale pensar na diversidade territorial do nosso estado e como a cultura junina se performa em cada realidade.

Mais do que se imagina, na Bahia cabe tudo e o forró, assim como o arrocha,a axé music, o samba de roda e a música sertaneja, preenche um espaço de grande importância neste grande imaginário formado por litorais,serras,chapadas e sertão. Do extremo sul até o norte banhado pelo ciúme entre Juazeiro e Petrolina, a Bahia Junina se manifesta no legado máximo deixado pelos gênios como Luiz Gonzaga, Trio Nordestino ( baianos de Curaçá), Dominguinhos e outras lendas vivas como Genival Lacerda.

A Bahia respira ( e transpira) forró

A Bahia também respira forró e não dá para imaginar São João sem os grandes artistas como Adelmário Coelho, Zelito Miranda,Carlos Pitta, Virgílio, Xangai, Edigar Mão Branca e os ícones da nova geração como Estakazero, Targino Gondim ( Um pernambucano que a Bahia adotou), Tio Barnabé, Matheus Boa Sorte, Jeanne Lima, Del Feliz, Cicinho de Assis, Noberto Curvelo, Jô Miranda e Marquinhos Café, só para citar.

Para além do pagode, que contém nomes como de Léo Santana e é uma derivação urbana do Samba de Roda que surgiu no Recôncavo Baiano, o forró se alastra em potência no maior estado da região Nordeste. E não é de se imaginar que, antes de serem estrelas da música sertaneja, Simone e Simaria ( nossas baianas de Uibaí com raízes em Ituaçu) estavam ensaiando os primeiros passos para o sucesso cantando forró, algo que foi revisitado em uma das lives realizadas pela dupla nessa quarentena. Até mesmo Gilberto Gil e Moraes Moreira (também baianos de Ituaçu) se renderam ao ronco nobre do fole em um certo momento de suas produções musicais.

Portanto, não dá para pensar São João sem o forró em Senhor do Bonfim, Cruz das Almas, Amargosa, Cachoeira, Ibicuí, Jequié, Vitória da Conquista, São Sebastião do Passé, Piritiba,Miguel Calmon, Lençóis e nas pequenas cidades onde o legítimo som feito por um triângulo, um zabumba e uma “Sanfona Sentida”, sangrando melodias quentes nas noites frias ao pé de uma fogueira, se faz presente.

Enfim, vale a lembrança, em meio a um ano atípico, onde viveremos os festejos juninos dentro de nossas casas, sem o aquecer das fogueiras e sem o som dos fogos de artifício. O esforço de quem mantém a cultura nordestina na Bahia se traduz na música e na alegria de quem faz o forró seja na Chapada Diamantina, no Recôncavo, na Região Sisaleira ou no longínquo Oeste, já na divisa com Goiás, Piauí, Minas Gerais e Tocantins.

Maior que tudo

O forró é maior que qualquer decisão de interesse de produtoras, é uma tradição sustentada e nutrida de geração para geração, com base na fé e na devoção de um povo aos três santos (Antônio, João e Pedro). Mais além do que a escolha de Léo Santana, o mais nordestino de todos os ritmos sobrevive a ação do tempo, que embala casamentos, dores de amor e alegrias repletas na fartura de uma colheita ou em uma história pitoresca.

Para além de qualquer decisão, o forró continua sendo maior que tudo.

Insights do Cotidiano

Saúde Mental em Tempos de Isolamento

Por Priscilla Fraga

“Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa
Como que se fosse combinado em todo o planeta
Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém

O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não ‘tava lá
Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não ‘tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não ‘tava lá
E o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar”

(Raul Seixas)

Como Raul cantava “No dia em que a Terra parou”, imagina-se que ele não fazia idéia do que enfrentaríamos anos depois. Hoje sabemos que o isolamento social é a melhor forma de prevenção ao corona vírus, porém esse novo “normal” trazimpactos nas nossas emoções. 

Cada pessoa vivenciará o momento de maneira diferente, isso é inegável, independente da condição física, mental ou social, porém se já temos antecedentes de diagnóstico de transtornos psicológicos, chamo ainda mais atenção para a ansiedade e a depressão, pois os desdobramentos podem ser ainda mais graves, para algumas pessoas.

E você deve estar, a se perguntar o por que? Bom, porque, pessoas ansiosas se preocupam excessivamente, apresentam dificuldade de se concentrar, irritam-se com facilidade, tem alteração no sono, tensão muscular, além das suas expectativas, serem passíveis a frustração, na grande maioria das vezes. Já nos transtornos depressivos, as pessoas tendem a estarem em um estado de tristeza profunda, tomadas por sentimentos de desespero e desesperança, o que interfere diretamente em atividades da vida cotidiana, diminuindo o interesse em realizá-las, insônia, além dos fatores externos que podem desencadear-la como estressores, perdas e separações.

O que podemos fazer ? Segue abaixo cinco dicas:

1. Rotina

Tente elaborar uma rotina mesmo que semi-estruturada, passível a flexibilizações e mudanças, pois ela ajudará a organizar suas atividades diárias e evitará sensações de angustia e vazio.

2. Tecnologia

Use-a de maneira sábia, a fim de estar próximo dos seus afetos. Evite entrar em contato com notícias que lhe desregulem emocionalmente, ocasionando por consequência crises emocionais.

3. Meditação

Pratique-a, pois ela irá lhe ajudar a diminuir o stress e a ansiedade, melhorar a concentração, além de ser uma excelente ferramenta para estar mais em contato com o autoconhecimento.

4. Atividade Física

Faça atividades que te dêem prazer, pois elas colaboram com o sistema imunológico e melhoram a sensação de bem estar.

5. Terapia On-line

Busque ajuda, caso perceba que não está conseguindo administrar as suas demandas, e não a hesite, ela é fundamental no processo.

Esse nosso inimigo é invisível, mas você não precisa ser diante das suas necessidades.

Se cuide, se ame, se proteja!

*A experiência de vida e profissional.

Fontes utilizadas:

*https://ufrj.br/noticia/2020/03/25/coronavirus-saude-mental-em-tempos-de-isolamento

*http://www.pucrs.br/blog/cuidados-com-a-saude-mental-em-tempos-de-isolamento-social/

*https://saude.abril.com.br/podcast/a-saude-mental-durante-e-apos-a-pandemia-de-coronavirus-podcast/

A ressignificação do amor na pandemia. Como amar na quarentena?

Este é o momento importante de transformar os nossos afetos

Foto – Susan Cipriano/Pixabay

Por Gustavo Medeiros

O Dia dos Namorados é a verdadeira celebração do amor e do consumo, onde o comércio, no clima dos festejos juninos e das férias no meio do ano, lucra bastante com a venda de produtos e serviços. É o momento onde estabelecimentos como bares, restaurantes,cinemas e hotéis/motéis faturam alto.Em 2019, apenas o comércio eletrônico,por exemplo, faturou cerca de 25% a mais do que em 2018. Entretanto, o papo aqui não é sobre vendas e comércio na data feita para celebração do amor.

O que podemos esperar no dia 12 é uma breve reflexão sobre os nossos sentimentos, uma ressignificação do afeto e da forma de sentir o amor em todas as suas versões. Durante a semana, muitas matérias nos telejornais preconizaram o aumento dos serviços de telemensagens e o crescimento do consumo através das compras on-line.Mas nada,além das transmissões e lives, será tão significativo do que repensar como se relacionar com o outro, as várias formas de transmitir os afetos e repensar as relações em tempos onde o isolamento social é regra de sobrevivência.

Pensando as relações

Foto – Reprodução

Na quarentena, muitas relações foram revistas. Com a convivência constante no lar, algumas uniões foram fortalecidas, outras foram repensadas ou então desfeitas. Conviver com o outro foi o termômetro para definir os sentimentos e o nível de afeto em contraposição com a vida agitada que antecedeu este período, onde a falta de tempo era comum.

Para além destes casos, o distanciamento social também separou os crushes, as relações em formação, além dos noivos que celebrariam a união durante estes dias. Enfim, nada que a tecnologia, com as ligações pela internet, possam resolver. Nos dias de hoje, a distância é um pequeno detalhe diante das maravilhas que a grande rede nos proporciona.

Neste sentido, o que deve se refletir são as formas de pensar os afetos, os sentimentos e as trocas.Como definir o amor ou as formas de senti-lo é o maior desafio imposto por este tempo de clausura, que nos colocou em estado de reflexão de tudo o que foi feito, as nossas ações diante do outro com quem convivemos, seja os nossos pais, irmãos, primos,tios amigos,colegas e,por que não, amores. Talvez seja o momento exato para revermos o significado desta data e como devemos pensar as relações durante este dia.

Ressignificando emoções

Foto – Mladen Antonov (AFP)

Repensar a forma como expressamos este amor é algo necessário. Em qualquer tipo de relação, este sublime sentimento se performa de várias maneiras através do contato e da maneira como traduzimos o afeto. Ter a consciência de que o amor se performa independente da efemeridade vista na paixão é importante.

Com a distância proporcionada pelo isolamento social, o amor, ou a forma de amar, deve ser ressignificada,assim como os demais sentimentos. Com a urgência dos dias, que nos mostra a agonia, as dores, as angústias, a preocupação com quem está longe ( ou perto), ou mesmo a forma como amamos se torna premente. No decorrer dos tempos, a forma de amar sempre sofreu transformações e daí descobrimos que este sentimento resiste e nos fortalece, independente da nossa condição, se está solteiro ou em uma relação, o momento é de ressignificar afetos.