A ressignificação do amor na pandemia. Como amar na quarentena?

Este é o momento importante de transformar os nossos afetos

Foto – Susan Cipriano/Pixabay

Por Gustavo Medeiros

O Dia dos Namorados é a verdadeira celebração do amor e do consumo, onde o comércio, no clima dos festejos juninos e das férias no meio do ano, lucra bastante com a venda de produtos e serviços. É o momento onde estabelecimentos como bares, restaurantes,cinemas e hotéis/motéis faturam alto.Em 2019, apenas o comércio eletrônico,por exemplo, faturou cerca de 25% a mais do que em 2018. Entretanto, o papo aqui não é sobre vendas e comércio na data feita para celebração do amor.

O que podemos esperar no dia 12 é uma breve reflexão sobre os nossos sentimentos, uma ressignificação do afeto e da forma de sentir o amor em todas as suas versões. Durante a semana, muitas matérias nos telejornais preconizaram o aumento dos serviços de telemensagens e o crescimento do consumo através das compras on-line.Mas nada,além das transmissões e lives, será tão significativo do que repensar como se relacionar com o outro, as várias formas de transmitir os afetos e repensar as relações em tempos onde o isolamento social é regra de sobrevivência.

Pensando as relações

Foto – Reprodução

Na quarentena, muitas relações foram revistas. Com a convivência constante no lar, algumas uniões foram fortalecidas, outras foram repensadas ou então desfeitas. Conviver com o outro foi o termômetro para definir os sentimentos e o nível de afeto em contraposição com a vida agitada que antecedeu este período, onde a falta de tempo era comum.

Para além destes casos, o distanciamento social também separou os crushes, as relações em formação, além dos noivos que celebrariam a união durante estes dias. Enfim, nada que a tecnologia, com as ligações pela internet, possam resolver. Nos dias de hoje, a distância é um pequeno detalhe diante das maravilhas que a grande rede nos proporciona.

Neste sentido, o que deve se refletir são as formas de pensar os afetos, os sentimentos e as trocas.Como definir o amor ou as formas de senti-lo é o maior desafio imposto por este tempo de clausura, que nos colocou em estado de reflexão de tudo o que foi feito, as nossas ações diante do outro com quem convivemos, seja os nossos pais, irmãos, primos,tios amigos,colegas e,por que não, amores. Talvez seja o momento exato para revermos o significado desta data e como devemos pensar as relações durante este dia.

Ressignificando emoções

Foto – Mladen Antonov (AFP)

Repensar a forma como expressamos este amor é algo necessário. Em qualquer tipo de relação, este sublime sentimento se performa de várias maneiras através do contato e da maneira como traduzimos o afeto. Ter a consciência de que o amor se performa independente da efemeridade vista na paixão é importante.

Com a distância proporcionada pelo isolamento social, o amor, ou a forma de amar, deve ser ressignificada,assim como os demais sentimentos. Com a urgência dos dias, que nos mostra a agonia, as dores, as angústias, a preocupação com quem está longe ( ou perto), ou mesmo a forma como amamos se torna premente. No decorrer dos tempos, a forma de amar sempre sofreu transformações e daí descobrimos que este sentimento resiste e nos fortalece, independente da nossa condição, se está solteiro ou em uma relação, o momento é de ressignificar afetos.

Afrontosa

O Amor é para todos?


Por Li Afrontosa

Imagem by Pinterest

Amor: substantivo masculino que se refere a forte afeição por outra pessoa.
O sentimento foi eternizado por poetas, autores e tema de muitas canções.
O modelo de amor romântico está há séculos permeando o imaginário de homens e mulheres ao redor do mundo.
Histórias de amor ilustram livros, filmes, revistas e novelas, tornando quase impossível um ser humano que não conheça um romance.
Ter um amor, um par romântico é uma construção social das mais enraizada na sociedade.
As relações amorosas são pautadas em regras culturais sociais e religiosas, o status de casal pode significar ascensão social, poder, realização, prazer e prestigio.
No mundo de príncipes e princesas com características físicas e psicológicas minuciosamente moldadas a perfeição o amor é vendido como a segurança da felicidade eterna.
Ser digno de ser amado é um desafio que aflige muitas pessoas o perfil que projetaram como desejável é na maioria das vezes inatingível.
A percepção do amor romântico é vivenciado por cada indivíduo de uma forma diferente, levando em conta as condições de raça, gênero e classe social
Será que um sentimento tão poderoso está disponível para todos?
Se pudesse ser descrito, de que cor e de que forma seria?
Para entender um pouco desse recorte, vamos conversar com a Lorena Ifé, 31 anos, moradora de Salvador, jornalista, empreendedora, conhecida como Mainha do Afrodengo, é fundadora dessa rede, pesquisa de forma autônoma, sobre amor a partir da perspectiva de pessoas pretas.
Mmqi =Lorena, o amor romântico está acessível para todos?


Lorena Ifé- O amor é uma construção social que vem se moldando ao longo dos anos cada época ele se configura de uma forma e o amor romântico é galgado nas idealizações, naquele ideal de que um completa o outro, que aquela pessoa é perfeita e está muito presente nos contos de fadas e nos filmes românticos hollywoodianos e ele foi muito centrado na construção histórica de amor para pessoas brancas, o amor romântico está muito presente aqui no ocidente e tem essa configuração, mas na história da construção que a gente teve acesso o amor esteve sempre para pessoas brancas e o que ocorre é que você acaba descobrindo que aquela idealização que você fez da pessoa não é o que a pessoa é , a pessoa tem defeitos, tem falhas enfim. Para mim ele não está acessível para todos principalmente quando se fala de população preta, ele não nos contempla, quando vemos os contos de fadas, os filmes, são sempre pessoas brancas que estão lá , são sempre pessoas que estão longe de ser o que a gente é, mas é algo que foi construído no nosso imaginário e a gente quer isso, mas quando a gente encontra alguém para dividir, para amar, compartilhar a gente se frustra.
Mmqi= Qual a cor e a forma do amor?


Lorena Ifé- Quando a gente fala de amor na perspectiva de pensar população preta a gente percebe que ele tem cor, o amor é algo que é muito acessível para pessoas brancas, mas para a gente ele deixa lacunas, principalmente quando a gente pensa na construção histórica das famílias, quando a gente vai para o período de escravidão que a gente era visto só como corpo, tem um livro A historia do amor do Brasil que relata o amor, o casamento para pessoas pretas está lá os casamentos entre um homem branco e a mulata como eles dizem, era algo que eles faziam de tudo para impedir, então a gente estava apenas para o sexo.
Mmqi: Como nasceu o Afrodengo?


Lorena Ifé– O Afrodengo é um grupo que funciona no Facebook, mas ele é mais que um grupo é uma rede de relacionamento centrada no amor entre pessoas negras, na afroafetividade, o grupo possui mais de 50 mil pessoas de todo o mundo, mas o foco principal é para pessoas pretas no Brasil e ele surgiu da ideia de pensar o amor, a formação de relacionamento entre pessoas negras, porque existe uma falha nos aplicativos de relacionamentos que eles não tem diversidades e eles não são feitos para pessoas pretas, eu utilizava e ainda utilizo, e percebo pessoas falando, relatando casos de racismo e de invisibilidade nesses espaços. O grupo foi criado em 2017 é responsável por formar vários casais, amigos e rede de network focada em pessoas pretas, ele iniciou como um grupo de paquera, mas tornou-se um grupo de paquera, amizade e network, ele já formou várias famílias e trouxe para internet essa pauta de amor preto, desde que o Afrodengo surgiu vários outros grupos surgiram e a gente pode considerar que o amor é uma pauta de extrema importância para se pensar a construção da pessoa preta.
Mmqi= Por que limitar o acesso de não negros?


Lorena Ifé– Essa discursão de entender o amor como forma política começou para mim quando eu li um texto de Bell Hooks uma intelectual afro americana que falava sobre a construção do amor nas famílias pretas e eu percebi as lacunas deixadas da escravidão na nossa forma de amar, eu percebia vários conflitos que existiam dentro de famílias, de não demostrar amor por ser uma fraqueza, ai eu entendi que criar um movimento politico de afeto preto seria importante, e eu limitei as pessoas negras porque são as que mais sofrem as consequências dessa falta de amor. Então eu quis promover um resgate histórico, um processo de resistência de resgate de algo que quando a gente vai buscar as histórias de famílias africanas esteve presente em nossas vidas, mas quando a gente foi trazido par a o Brasil isso foi muito massificado, quando a gente pensa hoje em espaços de pratica religiosa como religião de matiz africana, parte muito dessa ideia de pensar o quilombo para construção do amor de formação de família. O Afrodengo é esse nicho para pessoas pretas porque ele visa atender essa demanda que a demanda do amor está para todos, mas quando se fala de pessoas negras tem algumas particularidades.
Mmqi =A solidão da mulher negra é uma realidade?


Lorena Ifé – É uma realidade para as mulheres negras no Brasil, mas eu acho que ele vai muito para além de não ter um par romântico, eu acredito que a solidão da mulher negra vai muito no sentido de a gente achar que amor na nossa vida não é uma prioridade, que a gente precisa estudar, trabalhar e ter outras prioridades e achar que o amor é perda de tempo, que a gente não tem direito a isso e eu digo amor em varias esferas, tanto o amor romântico, como da própria família, que as vezes a gente acaba se isolando e buscando construir nossas trajetórias sozinhas ou estar sempre para cuidar do outro e nunca ter esse lugar de ser cuidada.
Mmqi = Quais as barreiras que a mulher encontra para engatar um relacionamento?


Lorena Ifé – Eu penso que nós mulheres pretas estamos centradas nessa construção desse amor romântico mas que não nos contempla que é o amor que está no imaginário da nossa infância dos contos de fadas que a gente leu, do que nos foi passado que estava no imaginário geral da construção do amor, não tinha essa delimitação , agora tenho me debruçado em ler autoras intelectuais negras que falam sobre amor na perspectiva preta e que eu percebo que é algo completamente diferente, porque a gente está lutando por algo que é direito nosso, mas que foi nos tirado principalmente no processo de escravidão que nós vivemos, Então gente imagina numa perspectiva hetero aquele cara perfeito que vai atender todas as nossas necessidades, mas a gente esquece de pensar que existem questões tanto crenças, quanto traumas que a gente viveu e que esses homens viveram e que isso interfere na nossa forma de se relacionar com as pessoas, então agora a gente precisa promover o resgate de pensar o amor como ação, o que eu posso fazer para amar outra pessoa, o que eu posso oferece a ele e o que ela pode me oferecer, e pensar o amor como uma escolha que você vai se dedicar em construir e evoluir espiritualmente com aquela pessoa.
Mmqi = Relacionamentos afrocentrados é uma forma de resistência?


Lorena Ifé – Eu não uso o termo afrocentrado porque é uma área de estudo que ainda não me aprofundei, eu uso o termo amor preto. Sim é uma forma de resistência, eu sempre digo que o amor preto perpassa em saber amar a si mesmo, então é uma forma de resistência, é uma forma de amar alguém que se parece com você e para amar alguém que se parece com a gente precisa primeiro se amar, e é uma forma de resistência de resgate de pensar o amor, de pensar comunidade, de pensar construções de amor saudáveis a partir da base de nossos ancestrais.
Mmqi =Quais os perfis dos seguidores?

Lorena Ifé– São pessoas pretas a partir de 18 anos com pessoas até mais de 60 anos de vários lugares do Brasil, os lugares que tem mais gente é São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador que foi onde tudo começou, são pessoas que são solteiras, tem casais dentro do grupo que se apresentam, mais a maioria são pessoas solteiras ou que vivem relacionamentos com pessoas pretas e querem falar dessa relação.
Mmqi =Relacionamento monogâmico ainda é uma preferência?


Lorena Ifé-Eu sou uma pessoa não monogâmica e sou ativista dentro dessa área, mas o perfil das pessoas no Afrodengo é um perfil monogâmico sempre que a gente trazia a pauta da não monogamia para dentro do grupo tinha conflitos ai eu decidi criar o grupo Afrodengo Amores Livres que é para discutir a pauta da não monogamia entre pessoas pretas e lá a gente dialoga sobre desafios, sobre como se estrutura relações assim, mas a preferencia é a monogamia no grupo oficial.
Mmqi=Dia dos namorados está chegando o que você deseja para os apaixonados?


Lorena Ifé– A mensagem que eu deixo para as pessoas é que agora é hora de pensar o amor como ação, quando a gente pensa sobre isso, a gente age de forma mais responsável de entender quais os desafios que a gente enfrenta para poder se amar e amar outra pessoa, então o que eu deixo é que vocês aproveitem ao máximo esse momento, em tempos de isolamento social é o momento da gente pensar qual o tipo de relação a gente quer construir, refletir a pessoa que a gente está compartilhando nossa vida, se você mora junto com a pessoa, pensar como pode fazer para tornar o relacionamento mais saudável e isso vem do dialogo de escutar a pessoa e de oferecer o que a gente tem de melhor e pensar que é uma pessoa humana e que a gente não pode ficar idealizando e sonhando com uma peoa que não existe, evoluir com a pessoa que a gente tem, é essa a mensagem que eu deixo.

Solteiro no dia dos namorados? Relaxa! Confira maneiras de aproveitar a data.

Festas estão programadas para esta quarta-feira (12). Confira as opções de lazer.

Por Juliana Barbosa

Reprodução; Internet

Dia dos Namorados, a noite é dos solteiros! Quem nunca ouviu essa frase? Apesar da data romântica cair numa quarta-feira, que tal se jogar na night e passar a data muito bem acompanhado pelos crushes, ou aproveitar para se presentear? O jeito que você se ama e se trata, ensina como os outros devem tratar você. E nada de ‘bad”. Se amando, se curtindo, e deixando as pessoas celebrarem o amor, sendo ou não, uma data comercial. Então, vamos de All We Need is Love e Open bar !

Foto: Luiz Fernando/Reprodução Facebook 

Quer curtir?

Solteiro Não Trai

Na festa, terá shows das bandas Criando Caso,  Forró Massapê e Dj Naylson Carvalho. A entrada custa R$ 30 e pode ser comprada no local.  — Foto: Divulgação
Na festa, terá shows das bandas Criando Caso, Forró Massapê e Dj Naylson Carvalho. A entrada custa R$ 30 e pode ser comprada no local. — Foto: Divulgação

A festa “Solteiro Não Trai” acontece no bar Pra Começar, no bairro da Pituba, a partir das 21h, com shows das bandas Criando Caso, Forró Massapé e Dj Naylson Carvalho. Os ingressos custam R$ 20 (lista) / R$ 30 (bilheteria). Eles podem ser adquiridos na internet.

Saulo e Luiz Caldas

Os cantores Saulo e Luiz Caldas se apresentarão em um show de voz e violão, no Cerimonial Rainha Leonor, em Salvador. O show está marcado para quarta-feira (12) — Foto: Divulgação
Os cantores Saulo e Luiz Caldas se apresentarão em um show de voz e violão, no Cerimonial Rainha Leonor, em Salvador. O show está marcado para quarta-feira (12) — Foto: Divulgação

Os cantores Saulo e Luiz Caldas se apresentarão em um show de voz e violão, no Cerimonial Rainha Leonor, em Salvador. Os ingressos custam R$ 120 (Setor B) e R$ 140 (Setor A) e podem ser adquiridos tanto na Loja da Santa Casa da Bahia, no Salvador Shopping, quanto no espaço onde ocorrerá a festa.

Banda Cortejo Afro e Silva

Banda Cortejo Afro realiza festa "Venha Beijar no Pelourinho”, no Largo Tereza Batista, no dia 12 de junho (quarta-feira). — Foto: Divulgação
Os cantores Saulo e Luiz Caldas se apresentarão em um show de voz e violão, no Cerimonial Rainha Leonor, em Salvador. O show está marcado para quarta-feira (12) — Foto: Divulgação

Uma das opções para a data é a festa “Venha Beijar no Pelourinho”, realizada pela Banda Cortejo Afro, no Largo Tereza Batista. Na ocasião, a banda receberá o cantor Silva. Os interessados em participar do evento, programado para as 21h, podem adquirir os ingressos por R$20, através da compra online ou presencialmente, nas lojas South nos Shoppings da capital baiana.

Reprodução: Internet

Quer ficar em casa?

Não tem grilo! Dia dos namorados é uma daquelas datas que as pessoas amam ou odeiam, mas é especialmente complicado quando você está solteira(o) há pouco tempo e anda se sentindo sozinho.

Parece que enquanto todo mundo que você conhece está curtindo o dia com sua cara metade, você não tem nada para fazer nesse dia e está de coração partido. Mas, investir na tristeza, certamente não é a melhor opção.

Lembre-se: somos inteiros!

Esquece esse conto de fadas de que todo mundo tem a metade da laranja, ou a tampa da panela!

Tire um tempo para se cuidar.

Ouça uma playlist animada

Marque uma hora com você mesmo(a) – anote na agenda! E nessa hora, faça apenas coisas que lhe dão alegria e descontração

Está na hora de dar prioridade a você mesmo. Por que não usar o dia romântico e transformá-lo num dia para cuidar de si mesmo(a)? Vá ao salão, faça pés e mãos, peça uma massagem, um corte de cabelos, uma depilação – faça o que for preciso para se sentir com tudo em cima e de bem com seu corpo. Escolha um presente para você. Faça um programa com outros amigos.  Que tal uma maratona de filmes ou séries?

Permita-se comer alguma coisa bem gostosa.

Na Coreia do Sul, os solteiros curtem o Dia Negro, um feriado anual que acontece em abril. Nesse dia, os solteiros se reúnem em restaurantes e afogam as mágoas em tigelas do delicioso jajangmyeon, um prato chinês-coreano de macarrão tipo lámen ao molho de feijão preto, com legumes e carne de porco por cima. Mas, quem quiser ficar em casa, há vários aplicativos que entregam comida em casa, ou quem sabe, você mesmo(a) pode preparar um menu especial.

Desconecte-se!

Guardar o telefone por algum tempo encerra inúmeros benefícios. Sem o celular vibrando ao lado de sua cama à noite você vai dormir melhor, e durante o dia você ficará mais calmo(a) e concentrado(a) sem ele. Pesquisas também revelam que desligar-se de eletrônicos no fim de semana nos ajuda a concentrar nossa atenção no trabalho nos dias úteis.

O mais importante é se sentir feliz! Mesmo que sua timeline esteja repleta de fotos de casais: CELEBRE O AMOR! Afinal, a melhor companhia que você pode ter, é você mesmo(a)!

Reprodução: Internet

Fontes: G1 e huffpostbrasil.


Trisais e adeptos do poliamor: Restaurante com menu para adeptos inaugura hoje, em Recife.

O restaurante começou a funcionar de forma itinerante, em 2015, e inaugura unidade fixa neste Dia dos Namorados

Por Juliana Barbosa

As empresárias Thaís França, de 29 anos, e Lívia Deodato, de 37, sócias no empreendimento – Foto: Reprodução / Instagram

O Girassol Cozinha, restaurante especializado em comida vegetariana e vegana, foi apresentado pelas ruas do Recife como um projeto itinerante, em 2015. Pensando na inclusão e diversidade, as empresárias Thaís França, de 29 anos, e Lívia Deodato, de 37, sócias no empreendimento, divulgaram um menu para os trisais (R$ 180), pessoas que são adeptas ao relacionamento poliamor, nomeados também como poligâmicos ou poliafetivos. Neles, os indivíduos desejam uma relação afetiva com duas ou mais pessoas, sejam elas homossexuais ou heterossexuais, podendo se relacionar entre si sexualmente ou apenas dividir um parceiro.

Prestes a inaugurar sua primeira unidade fixa e em meio aos diversos menus oferecidos pelos restaurantes recifenses no Dia dos Namorados, o ambiente tem um diferencial.

“A gente não pensa apenas na diversidade de gênero, mas na diversidade de relacionamentos, de troca, de amor. Então, resolvemos acrescentar essa opção no menu para que as pessoas não precisassem conhecer o espaço como um ‘casal + um’”, explica Thaís. O jantar do Dia dos Namorados será em esquema soft opening, nesta quarta-feira, 12, a partir das 19h30. O espaço fica localizado na Rua Marquês de Paranaguá, 91, no Poço da Panela, Zona Norte do Recife.

As empresárias Thaís França, de 29 anos, e Lívia Deodato, de 37, sócias no empreendimento – Foto: Reprodução / Instagram

Público crescente

França, que também é gastrônoma, ainda fala sobre a falta de lugares e serviços para esse tipo de público, que, atualmente, só cresce no mundo.

“A carência de lugares e ofertas como a nossa parte não apenas da cidade [Recife], mas da sociedade em si, que ainda enxerga isso como um tabu. Nossa decisão, como reais incentivadoras do amor livre e conhecedoras de alguns trisais, acabou sendo muito natural na hora de oferecer o serviço. A carência existe, mas nosso trabalho também é de naturalizar o mesmo processo para outros espaços”, afirmou. 

Os menus também contemplam os jantares individuais (R$ 70) e para os casais (R$ 130).

Reprodução: Instagram

Fonte: Tv Jornal e UOL

Pétala de Lírio

Por Jade Bittencourt

Foto: Internet

FIM DE PESADELO

uma vez eu tava abraçada com ela
no ponto de ônibus
e desacelerou um carro.
de seu interior palavras imundas
tentaram apalpar o nosso amor.

outra vez
caminhava com uma amiga
de mãos dadas
confiantes
confiáveis
mas parece que
leram em nós um convite
à invasão.

gritaram a verdade
(não nos ofende)
mas no tom de ameaça

“SAPATÃO”

inescapamos da raiva
tememos por nós

recentemente
um guardião dos bons costumes
vociferou o desejo de nos acabar
comprar uma arma eliminativa
“dessas bixas, lésbicas e outras aberrações”

o ar quase escapa dos pulmões
precisei lembrar de respirar
não correr
ou retroceder
não bambear
para esconder pistas
de que sabia
que era pra mim
aquela praga

com olhos abertos
me assombram
invadem o sono
intranquilo

quando vamos despertar?

Jade Bittencourt, 17 de maio de 2019

FIM DE PESADELO

uma vez eu tava abraçada com ela
no ponto de ônibus
e desacelerou um carro.
de seu interior palavras imundas
tentaram apalpar o nosso amor.

outra vez
caminhavam com uma amiga
de mãos dadas
confiantes
confiáveis
mas parece que
leram em nós um convite
à invasão.

gritaram a verdade
(não nos ofende)
mas no tom de ameaça

“SAPATÃO”

inescapamos da raiva
tememos por nós

recentemente
um guardião dos bons costumes
vociferou o desejo de nós acabar
comprar uma arma eliminativa
“dessas bixas, lésbicas e outras aberrações”

o ar quase escapa dos pulmões
precisei lembrar de respirar
não correr
ou retroceder
não bambear
para esconder pistas
de que sabia
que era pra mim
aquela praga

com olhos abertos
me assombram
invadem o sono
intranquilo

quando vamos despertar?

Jade Bittencourt, 17 de maio de 2019