Léo Dias, Anitta e a prática do “jornalismo chantagem”

A ética no fazer jornalístico do mundo das “celebs” fica em evidência após denúncias nas redes sociais

Foto – Reprodução

Por Gustavo Medeiros

Em seus stories,no último domingo (24), a cantora Anitta revelou que ela e sua equipe sofreram uma série de ameaças e chantagens proferidas pelo jornalista e colunista da UOL, Léo Dias. Durante a transmissão da live no Instagram, a cantora desmentiu uma notícia de que a mãe, Dona Miriam, teria saído de sua casa e retornado ao bairro de Honório Gurgel, no subúrbio carioca. Segundo Dias, a mãe de Anitta saiu da mansão por “não concordar com a vida louca da filha”.

A partir da fake news desmentida, Anitta e os integrantes de sua equipe tem recebido ameaças de vazar áudios de conversas e divulgação de prints com diálogos em aplicativos de mensagens. Em uma última conversa com o colunista, a artista comentou que não aceitaria ser atacada e nem ser alvo de ameaça ou qualquer chantagem.

A relação entre Anitta e Leo, que culminou em uma biografia não autorizada, era cercada de medo, devido a forma como o colunista se utilizou para obter informações que foram incluídas na obra. Desde que o jornalismo se profissionalizou e deixou a linha provisionada, a práxis de coagir as fontes ficou a margem da linha ética entre a informação e a fonte. Este limite não pode ser ultrapassado pelo profissional que investiga e é medianeiro da notícia, nesse caso o repórter.

De certa forma, o dito jornalista, ao usar deste recurso duvidoso, rompe com a barreira legal que separa o caráter ético no processo de produção da notícia. E não é a primeira vez que isso acontece, uma vez que já houve casos denunciados por blogueiros e demais artistas sobre as práticas de Dias. Outros tantos, como o youtuber Felipe Castanhari chegam a questionar a linha ética e , até mesmo, a formação do colunista diante do ato denunciado nas redes sociais.

Diante dos fatos abordados, nem precisa ser fã de Anitta ou mesmo gostar de cultura pop, ou ser entendido das leis para poder identificar que este arsenal de chantagens impetrado por Leo Dias, nos últimos dias, vai além das linhas do que é antiético, pois já se enquadra como crime de extorsão, tipificado no artigo 158 do Código Penal Brasileiro. Mesmo assim, não cabe a nós, leigos doutores, julgar ou dar vereditos a respeito.

Em um país marcado pela crise da pandemia da COVID 19 e por outra de ordem política, causada por um presidente com traços nítidos de psicopatia moderada, o país assiste a mais uma motivada por uma pessoa que se diz jornalista e, para tanto, utiliza de um “jornalismo chantagem” para conseguir informações, algumas privilegiadas.

O verdadeiro jornalista anda na risca dos ditames legais e éticos, direitos e deveres que o amparam no exercício da função. Leo Dias, por sua vez, não só ultrapassou a linha tênue desta relação, como se utilizou de meios criminosos para conseguir colocar Anitta entre outros artistas famosos “na mão”.Agora o caso entre a cantora e o colunista vai ser resolvido na 13ª Vara Cível do Rio de Janeiro está cuidando do caso, em segredo de justiça.

Relembre os dias que antecederam a prisão de Lula

Neste domingo (07), faz um ano em que o ex-presidente está preso na carceragem da PF

Multidão em volta de Lula em uma imagem que ganhou o mundo.Foto – Revista Fórum

Por Gustavo Medeiros

São Bernardo do Campo (SP), 07 de abril de 2018. Uma multidão estava reunida dentro e na porta do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC, berço e palco das lutas sindicais desde os últimos anos da Ditadura Militar. Nas dependências mais próximas, várias pessoas reunidas em caravanas se juntavam as outras já existentes. A partir do que era visto em tomadas aéreas, feitas pelas equipes de reportagem, a expectativa era grande em ver aquele brasileiro de Caetés (PE) e sua reação em frente àquela situação já provocada pela medida ,que tinha sido tomada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ordenada pelo juiz do Tribunal Regional Federal (TRF), Sergio Moro.

Em meio a aquela grande multidão que tomava as ruas próximas ao sindicato, estavam as viaturas da Policia Federal a espera de Luis Inácio Lula da Silva, o ex-presidente que governou o país entre os anos de 2003 a 2010. Dias antes, o clima era de união e força entre as várias lideranças presentes nas dependências do prédio de numero 231, localizado a rua João Basso. Militantes se revezavam em uma demonstração de resistência ao pedido de prisão expedido pelo juiz do Tribunal Regional Federal (TRF).

Imagem – Instituto Lula

A cada apoio dado por lideranças políticas e de movimentos sociais, Lula dava sinais de que não iria se entregar fácil e mostrou, em rede nacional, a força de um carisma pessoal, que conquistou lideres mundiais como Barack Obama e Angela Merkel. A multidão, presente nos quarteirões ao entorno do sindicato, era a radiografia perfeita da esperança de um povo espantado com a sucessão de fatos negativos que afetavam a política nacional desde meados de 2014. Foram os dias mais intensos na vida de um ex-presidente, oriundo das camadas populares.

Relembrando os fatos

Na quinta-feira, 05 de abril, o Supremo Tribunal federal (STF), em uma votação apertada que durou 11 horas, decidiu, por 6 votos a 5, negar o pedido de habeas corpus feito pela defesa de Lula. A decisão dos ministros abriu um caminho definitivo para a prisão, em decorrência da condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O dia seguinte a decisão proferida pelo Supremo foi de muita apreensão para quem estava acompanhando o desenrolar dos acontecimentos. Antes mesmo da decisão completar 24 horas, o TRF-4, comandado pelo atual Ministro da Justiça, Sergio Moro, ordenou em despacho pela prisão de Lula, concedendo a oportunidade de se apresentar voluntariamente à Policia Federal, em Curitiba, às 17h, o que não foi acatado pelo ex-presidente. As horas se passavam e a expectativa pelo desfecho dos fatos tomava conta de todos.

Neste instante, a resistência se tornava palavra de ordem dentro do prédio do Sindicato dos Metalúrgicos e nas ruas ao entorno. Já eram duas noites em vigília e uma certa indefinição que intrigavam os analistas políticos.Esperava-se que Lula comparecesse a missa de aniversário de Marisa Letícia (sua esposa, que faleceu em 2017), mas ele não se apresentou, permanecendo em seu reduto ao lado de aliados e de outras lideranças políticas e populares.

Foto – Ricardo Stuckert

Somente as 18h 42 do dia 07, Lula deixa o Sindicato dos Metalúrgicos para se entregar a Polícia Federal. Após 26h de muita tensão, o operário que virou presidente se entregava aos policiais que, impedidos pela militância, tiveram que sair a pé até a viatura.

Antes de se entregar para cumprir a pena de 12 anos, Lula fez um discurso aos milhares de militantes que estavam presentes, criticando a condução da operação Lava Jato e reforçando a sua inocência. Ele ainda convocou a militância para defender o seu legado. Ao seu lado estavam Manuela D’Avila e Guilherme Boulos, sempre presentes nos momentos mais tensos daqueles dias frios de outono.

Além disso, o ex-presidente proferiu mais críticas a imprensa e justificou o motivo que o fez se entregar a justiça. “Vou cumprir o mandado deles. Estou fazendo uma coisa muito consciente. Se dependesse da minha vontade, eu não iria. Eu vou porque não vão dizer amanhã que eu estou escondido, que eu estou foragido.”, afirmou.

Após o discurso, Lula seguia para a prisão em Curitiba. Os dias que antecederam a detenção, mostraram a força que tem a maior liderança popular da América Latina em mobilizar pessoas para defenderem seu legado.

Conclusão dos fatos

Diante dos fatos, podemos concluir que o dia 07 de abril de 2018 entrará para a história como uma data lembrada na síntese dos acontecimentos que antecederam a prisão, da condução coercitiva até a condenação pelos crimes “cometidos”.

A prisão do ex-presidente expôs um judiciário desnudo em seus interesses, aliados a outros setores de poder. Além disso, abriu diversos debates, como a prisão em segunda instância após condenação criminal entre outros assuntos referentes ao papel das instituições jurídicas no verdadeiro cumprimento imparcial das leis.

A verdade é que a justiça brasileira saiu manchada aos olhos do mundo ao não dar o direito de defesa ao cidadão Luís Inácio Lula da Silva, assim como outros tantos tem. A partir de agora, não veremos mais o poder judiciário como uma instituição seria e zelosa com as leis deste jovem país.

Fonte – O Estado de São Paulo