Setenta por cento de esperança.Um país que deve se encontrar na união de propósitos

Mesmo com o crescimento de uma massa de oposição ao atual presidente, ainda somos uma maioria sem hegemonia consistente

Imagem – Reprodução (Twitter)

Por Gustavo Medeiros

O Brasil sempre foi marcado pela alegria e criatividade de seu povo em várias vertentes da cultura, no esporte e na ciência. Isso é fruto da diversidade territorial que explica o processo de formação da nossa sociedade. O país sempre mediou conflitos no campo da diplomacia, se destacando em missões organizadas pela ONU.

Entretanto, nos últimos anos, os brasileiros se deixaram levar por uma nuvem tóxica que tomou conta de nossas relações. Diversas pessoas foram canceladas por conta da divergencias de ideias, formando assim bolhas, guetos de pensamento e formas de comportamento que lembram até mesmo os tempos cruéis do totalitarismo na Europa dos anos 30. Impossível imaginar que, até pouco tempo atrás, o nosso povo era considerado “ O Mais Feliz do Mundo”.

Os sentimentos tóxicos do brasileiro se avolumaram e tomaram conta do cenário político, nos conduzindo ao fosso civilizatório e aos vários questionamentos que estamos tendo sobre os nossos destinos e identidade. A duvidosa e polêmica eleição de um político inexpressivo, que prometia ser o baluarte de uma nova forma de agir no manuseio da máquina pública, em 2018 intensificou este processo de deterioração nas nossas relações.

Quase dois anos após ao pleito eleitoral, sentimos o desgaste da cultura do ódio e os frutos amargos de todo esse processo. A cada dia, nas falas do atual presidente e nas atitudes dos seus apoiadores, o Brasil se vê saturado de si e sem uma política coesa de combate a uma pandemia que assolou a humanidade este ano.

Sem rumo e tomando posse de posturas autoritárias para governar, o atual presidente se reduz ao seu mundo paralelo como refúgio de uma incompetência social já vista e prestigiada por seus filhos e apoiadores, que são,aproximadamente, 30% de acordo com as últimas pesquisas. Com isso, a cada dia, perde uma parte considerável de um eleitorado que angariou em 2018. A estes, decepcionados, se somam em uma oposição que gira em torno de 70% do eleitorado, uma fatia quase significativa que determinaria a perda do pacto de governabilidade que culminou no afastamento de dois presidentes em 1992 e 2016.

Diante de uma minoria, raivosa,agressiva,dissimulada e capaz de tudo para defender o atual governante, a sugestão, desde já, é que o país se una, em torno desta maioria considerável que se encontra desarticulada em propósitos.A proposta do economista Eduardo Moreira é ganhar corações e mentes com o intuito de influenciar em um possível processo de Impeachment.

Entretanto, o cenário para rupturas e impedimentos é, em contextos práticos, ainda imprevisível, de acordo com alguns juristas,teóricos,especialistas e demais operadores do direito, que acompanham as movimentações de bastidores no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Procuradoria Geral da República (PGR). De certa forma, as pressões da sociedade devem servir para que as instâncias jurídicas possam se posicionar no cumprimento das leis contra a barbárie que está no poder.

Além do que se espera nos próximos dias, esses 70% se constituem como uma fatia aleatória, que vai além de qualquer posição ideológica. Diante de uma situação em que o país está. a um fio da não sustentação do pacto com a democracia, o que se espera é que esta grande massa descontente com os rumos do país tome uma consistência em meio a toda uma expectativa de ameaça da ruptura constitucional que nos cerca a cada instante. Que a esperança possa está na mobilização que, em tempos de pandemia, se encontra presencialmente inviável, mas encontra eco em tempos virtuais.

Com isto, que o brasileiro possa despertar de um pesadelo que começou por causa de míseros R$ 0,20 e volte a se olhar nas alegrias e nos desafios que norteiam os caminhos desta nação. Olhando para a história e formação do seu povo, o Brasil é mais dos que os 30% da minoria que ainda sustenta os arroubos psicopatas do atual presidente e de sua família. Unidos, somos 70% de esperança.

Para abrir, Abril.

Vídeo: Rede globo/abertura Sete vidas.

Por Juliana Barbosa e Barbosa

Para abrir o edredom e aproveitar o frio e o quentão;

Para abrir um sorriso sem motivo aparente, mesmo que seja pra
gente;

Para abrir a janela e respirar fundo olhando as cores do
mundo;

Para abrir a fornada quente é o melhor cheiro que a gente
sente;

Para abrir o “quente-frio”, saborear o café e
renovar nossa fé;

Para abrir a janela, sentir a brisa do outono, mesmo com a
cara amassada de sono;

Para abrir o coração e entender que quem não serve para
servir, não serve para viver;

Para tornar os sonhos realidades e satisfazer todas as
vontades;

Para respeitar o próximo, sair do ócio e abrir um negócio;

Para se abrir pro outono que é estação de renovação, folhas
velhas caem e novas folhas virão;

Pra se abrir pro ciclo da vida, roda interminável, mundo que não
pára de girar; perceber que somos instantes, o futuro é agora, e amor espalhar;

Para abrir: Abril.

Se você é uma pessoa observadora, pode ter notado que, pela primeira vez, assinei meu nome completo. Talvez, também tenha observado que as imagens do clipe faziam parte da abertura de uma novela, exibida na rede Globo. Formatura, algodão doce, andar de bicicleta, bolha de sabão, cheiro de café, castelo de areia, banho de chuva e formatura. Esses são alguns elementos nostálgicos que fazem parte da vida de qualquer pessoa. Se perguntarmos: quantos já comeram algodão doce? Quantos já andaram de bicicleta? Ou quantos fizeram um castelo de areia?  Se não todos, quase todos levantariam as mãos. Se você leu meus últimos textos, já conhece: essas cenas extraordinárias que nos lembram do passado, que ficam gravadas na mente feito um filme, que faz com que a gente tenha a impressão de sentir o sabor e o cheiro das coisas, ligada a sons e/ou objetos: se chama de memória afetiva. Quase todo mundo sabe qual o movimento que se faz para abrir um coco; que cor fica um café misturado com leite; ou ainda, o que acontece se assoprar um dente-de-leão. O tema da vida e registrado desde a concepção, como o movimento de espermatozoides; até experiências do dia-a-dia, como o afago de uma mãe com o seu bebê, o apertar de um botão de elevador, o riscar de gizes coloridos, o movimento de passar roupa, ou, até mesmo, as lições de geografia. O primeiro dia Abril na minha infância sempre era associado ao dia da mentira – ou estou ficando velha, ou não converso muito com jovens. Posteriormente, a data ficou marcada pelo golpe militar de 1964. Nossa equipe fez diversas matérias sobre a ditadura militar, no intuito de conscientizar a população de que não há “Ditadura boa”. De que não há nada a comemorar. Como formadores de opinião, espalhamos o conhecimento, para que possamos olhar o passado, aprendermos com os erros, e não os repetir. Fizemos isso através de matérias, poemas, fábulas, para que todos pudessem ter a noção da barbárie. Este dia findando, e o mês de Abril começando. Para mim, mais um recomeço, depois de tantos depoimentos de torturas que precisei ler para construir as matérias. Mas, também por que o Abril é o mês da minha renovação pessoal de ciclo, justamente na estação de renovação. Então, desejo que você se abra para o novo, saia da zona de conforto, e seja feliz. Invista na saúde, viva como se fosse morrer, afinal você vai. Nós vamos, e pode ser amanhã, não sabemos. Ame com toda intensidade, lembre-se que o tempo é precioso e não volta atrás. E por último, nunca é tarde para decidir ser uma pessoa melhor, de ti, pra si, pro mundo.

Então, para abrir: Abril.

Dente-de-Leão