Luto na História. A Bahia perde Luís Henrique Dias Tavares

Ele tinha 94 anos e deixou um grande legado para a história do nosso estado

Foto- Divulgação

Da Redação MMQI

A intelectualidade baiana sofre mais uma perda com o falecimento do historiador Luís Henrique Dias Tavares nesta segunda-feira (22). Formado em História e Geografia, ele era professor emérito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutor honoris causa da universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Nascido em Nazaré, Recôncavo Baiano. Luís Henrique tinha 94 anos e ocupava cadeira número 1 da Academia de Letras da Bahia, onde era membro desde 1968. Ele contribuiu bastante para ampliar o conhecimento sobre a história da Bahia com suas obras. Seu livro “História da Bahia” reúne um grande arcabouço de informações sobre a formação do povo baiano.

Por conta de sua grande contribuição, o professor se tornou sócio da Academia Portuguesa de História e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Além de escrever obras sobre a história de nosso estado, Luís Henrique também é autor de livros de contos e poesias.

O MMQI presta uma grande homenagem a este baiano ilustre

Fonte – Bahia.ba e Metro 1

Aqualtune – baiana lança livro em que narra trajetória da avó de Zumbi dos Palmares

Escrito por Sara Messias, Aqualtune: Um Sonho Chamado Liberdade foi lançado dia 21 de novembro, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB).

Por Juliana Barbosa

A escritora baiana Sara Messias lançou dia 21 de novembro, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), o livro intitulado “Aqualtune: Um sonho chamado liberdade”. A obra conta a história da Rainha do Congo, que no Brasil é conhecida por ter sido avó de Zumbi dos Palmares.
Fruto de um trabalho de identidade, pesquisa e paixão, “Aqualtune” pretende levar ao leitor relatos de aventuras de uma mulher que viveu no século XVII, considerada como uma personagem revolucionária, corajosa e destemida, mas que se viu obrigada a se casar com o próprio primo.

A equipe do MMQI conversou com Sara, mulher negra, baiana, nascida no bairro do Garcia, em Salvador,que traduz no romance o Holocausto africano, o maior crime perpetrado contra a humanidade, no livro lançado um dia antes do dia da consciência negra.

MMQI O que levou você a escrever Aqualtune, de onde veio a sua inspiração? O que te levou a mergulhar em tanta pesquisa?
S.M Eu moro há mais de uma década na Itália, onde nasceu minha filha. Ao vê-la crescer longe da realidade do meu país, senti uma forte necessidade de resgatar a memória do povo brasileiro, das nossas raízes entrelaçadas aos nossos antepassados negros, índios e europeus. Eu quis dar a ela heroínas, nas quais pudesse se inspirar e através das quais pudesse aprender sobre a nossa história. Comecei a escrever sobre Dandara, já que eu não sabia da existência de Aqualtune. Foi estudando Dandara que eu descobri outras personagens fundamentais para a História do Brasil e tive a intuição de criar a Saga Afro-brasileira Quilombola, para dar voz a essas mulheres que foram silenciadas pela história oficial. E não teve jeito. Assim que li sobre Aqualtune me apaixonei pela sua história de vida e toda a sua trajetória de luta pela liberdade.

MMQI No Livro fica claro as influências que Zumbi herdou da avó das estratégias de guerra? Você propõe esse resgate da heroína mãe de Ganga Zumba?
S.M Sim, até porque Zumbi torna ao Quilombo dos Palmares com dezesseis anos. A influência de Aqualtune na sua vida foi fundamental, para que ele se tornasse o herói que conhecemos hoje. A minha proposta é fazer o leitor reviver a história de Aqualtune. O resgate histórico desta heroína mãe de Ganga Zumba é de grande importância, não só para o povo brasileiro, mas para a história universal. A vida de Aqualtune é um exemplo sobre o Holocausto Africano, o criminoso comércio de vidas humanas que deixou cicatrizes terríveis em nosso povo.

MMQI O lançamento de Aqualtune – Um sonho chamado liberdade, foi 21 novembro, um dia após um dia da Consciência Negra. Como foi este momento?
S.M Nossa! Foi maravilhoso, inesquecível e surpreendente. Descrever este momento é como viver novamente: a emoção e paixão por essa heroína, Aqualtune. Ela me dá tanta energia e aumenta o meu desejo de mostrar todas as heroínas que ela originou. Agora, é hora de fortalecer a história dela, divulgar o livro para que mais pessoas conheçam a trajetória dessa mulher incrível. Enquanto isso, preparo o caminho para os outros livros da saga.

Marca de móveis tira a palavra ‘criado-mudo’ do catálogo

O termo, que é considerado racista, deve ser substituído por ‘Mesa da Cabeceira’.

Por Juliana Barbosa

Arte: Georlando Barbosa Neto

Certas expressões populares se tornam de tal forma parte de nosso vocabulário e repertório que é como se sempre tivessem existido. Dor de cotovelo, chorar as pitangas, dar com os burros n’água, engolir um sapo ou salvo pelo gongo, tudo é dito como se fosse a coisa mais natural e normal do mundo.

Mas se mesmo as palavras mais corriqueiras possuem uma história e sua própria árvore etimológica, naturalmente que toda e qualquer expressão popular, das mais sábias e profundas às mais bestas e sem sentido, possuem uma origem, ora curiosa e interessante, ora sombria e simbólica de um passado sinistro.

Pois muitas das expressões que usamos no dia a dia, e que hoje comunicam somente seu sentido funcional – aquilo que atualmente a frase “quer dizer” – são originarias de um vergonhoso e longo período da história do Brasil: a escravidão.

Ainda que os sentidos originais tenham se diluído em algo trivial, essa origem permanece, como em toda palavra ou frase comum, feito um DNA marcando nossa própria história.

O Brasil foi o país que mais recebeu escravos no mundo, e o último país independente do continente americano a abolir a escravidão. Conhecer o sentido original e a história de uma expressão é saber, afinal, o que é que estamos falando.

Em 1820, os escravos que faziam os serviços domésticos eram chamados de criados. Alguns desses homens e mulheres passavam dia e noite imóveis ao lado da cama com um copo d’água, roupas ou o que mais fosse. Mesmo sem se mexer, alguns senhores achavam incômodo o fato de eles falarem, e muitos chegavam a perder a língua. Outros sofreram duras punições para “aprender” a nunca se movimentar quando houvesse alguém dormindo.

Um dia, surgiu a ideia de uma pequena mesa para ficar ao lado da cama, usada basicamente para apoiar objetos. Esse móvel exercia a mesma função do escravo doméstico e foi chamado de criado. Então, para não confundir os dois, passaram a chamar o móvel de criado-mudo.

Dois séculos depois, sem nos dar conta, ainda carregamos termos racistas como esse, mas sabemos que é sempre tempo de mudar e evoluir.

Por isso, a rede de móveis Etna está começando a abolir o nome “criado-mudo” de todas as suas lojas, virtual e físicas.

Usando a #CriadoMudoNuncaMais, a rede convida o público a participar da campanha e abolir o termo do vocabulário.

Ah, e como podemos chamá-lo daqui pra frente? 
Bem, ele já tem um sinônimo: mesa de cabeceira.

Fontes: Etna, Ceert.Org, FKsa

20 DE NOVEMBRO: A Morte de Zumbi dos Palmares

Por Dani Isoàlà

Hoje, para todos os homens e mulheres pretas, descendentes, militantes e do asè, é uma data que não pode ser esquecida. O dia em que é comemorado a Consciência Negra foi, exatamente, o dia em que o Quilombo dos Palmares foi invadido e Zumbi assassinado pelas tropas portuguesas, no ano de 1695.

A data foi criada por um grupo de quilombolas do Rio Grande do Sul, no ano de 1970, como data do Mártire do maior quilombo de negros fugidos, alforriados e indígenas da história do Brasil que teve a sua localização delatada para o poder senhorial da época, sofrendo uma emboscada que culminou com a morte brutal de Zumbi.

A data de 20 de novembro, remete a nós muito mais do que isso se formos parar e analisar. Esta data serve para lembrar de forma mais intensa a luta diária das pessoas de pele mais retinta e seus descendentes, que buscam diariamente o reconhecimento de si como ser humano e seu devido respeito pela parte do outro.

A discriminação, hoje, é algo sutil. Infelizmente, as pessoas ainda mantém de uma forma um pouco mais discreta, porém não imperceptível, a discriminação com tudo que vem do negro africano, principalmente a parte religiosa. Olha os costumes africanos como algo inferior, pequeno, sem cultura, mas, se olharmos direito, de onde vem a nossa cultura.

Mais de 50% de nossos costumes e tradições são de origem africana e indígena. A forma brasileira de dançar, recepcionar, festejar, as viscitudes das falácias, a força da nossa fé. Nada disso é europeu. Errado é levar adiante a ideia de que negro africano era ou é preguiçoso, como já foi dito pelas autoridades atuais, não, não se engane.

O povo africano tem no seu costumes o trabalho árduo, levantar cedo para realizar suas atividades, dormir tarde realizando as suas atividades profissionais, é assim há séculos. A oralidade é algo que também herdamos de lá, o hábito de contar histórias, falar sobre nossas antepassados, sobre aqueles que já se foram e sentimos saudades. 

Esta data serve para fazer com que as pessoas entendam que há muito mais africano dentro de nós do que imaginamos. Não é a cor da pele que irá dizer a sua descendência, é a sua história, de onde vem seus avós, seus bisavós, quem foram eles.

Outra coisa que o 20 de novembro remete é: somos brasileiros, nascemos em um país que já possuía dados populacionais no século XVIII, e estes dados nos mostram que 70% da população era composta por negros e criollos (filhos de africanos nascidos no Brasil). Então, finalizo este texto com esta pergunta: De onde você descende?

Nordeste – O Brasil que estuda sua própria História

Os estudantes da região conquistaram 58 medalhas, das 75 distribuídas na ONHB.

Foto- Facebook

Por Gustavo Medeiros

Na edição deste ano da Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB), os alunos da região Nordeste foram responsáveis pela conquista de 58 medalhas das 75 distribuídas pelo evento, que está na sua 11ª edição e é realizado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Se comparado ao desempenho do ano passado (onde 59 medalhas foram conquistadas das mesmas 75 distribuídas), nada mudou e isso diz muito sobre a qualidade do ensino de história nos nove estados nordestinos, na qualificação dos professores, e na metodologia, ou seja,na forma de ensinar.

No nordeste a História do Brasil é levada a sério e a termo. Posso dizer isso por experiência própria,pois tenho , em meu convívio diário e passado (não tão distante), tenho visto experiências de como o entendimento analítico de fatos que ocorreram pode transformar um individuo e uma sociedade.

Resultado Final da ONHB. Reprodução- Facebook

O ensino de história proporciona um cidadão pensante, crítico e consciente dos problemas a serem enfrentados ao analisar o passado e refleti-lo no presente. Este é o temor das grandes elites, o direito a cidadania por meio de uma leitura consciente da realidade refletida no passado.

Desta forma, os 58 nordestinos medalhados na ONHB provaram que aqui se reflete, se estuda a sociedade atual com base na história, compreendendo a formação social através do processo histórico e que isso vai além de querer seguir carreira na área, atuando na pesquisa ou no ensino.

A história inspira e instrui, educa e reflete. O Brasil precisa de nordestinos que usam a disciplina como inspiração e o nordeste,mais uma vez, salva o país quando mostra que é necessário preservar o pensamento crítico e a história, enquanto força motriz deste movimento imprescindível.

Diante das 58 conquistas que salvam o Brasil de uma hecatombe geral em terras campineiras, podemos dizer que a resistência está na história e o nordeste, neste sentido, se reafirma como núcleo deste movimento, se sobrepondo ao culto a ignorância propagada pelo olavismo.

Diante de tantos retrocessos vistos e sentidos a cada dia, um dia, quem sabe, o nordeste e a história salvarão este país. O futuro,por sí só, assim dirá.