OMS decreta pandemia do novo coronavírus

Número de casos no Brasil passa de 70. Organização Mundial da Saúde pede que países redobrem comprometimento com o combate à doença.

Por Juliana Barbosa

Um dia após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia – disseminação em nível mundial, do novo coronavírus (Covid-19), o mercado reagiu negativamente nesta quinta-feira(12). No Brasil, a Bolsa de Valores brasileira iniciou o dia já em forte queda e acionou pela segunda vez no dia circuit breaker, quando as operações são interrompidas por 30 minutos —foram quatro ocorrências em quatro dias. Já o dólar comercial começou em alta de 6%, ultrapassando a marca de 5 reais. O clima de apreensão foi agravado com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a suspender por 30 dias os voos entre seu país e a Europa. Enquanto o vírus avança e causa pânico no mundo. O governo da China declarou hoje que o pico do surto do novo coronavírus acabou no país. Os novos casos de Covid-19 continuam em declínio, afirmou o porta-voz da Comissão Nacional de Saúde, Mi Feng, em entrevista coletiva em Pequim.

Nesta quinta, foram registrados apenas 15 novos casos no país. A província de Hubei, onde fica a cidade de Wuhan, considerada o epicentro da epidemia, registrou apenas oito novas infecções. É a primeira vez que Hubei registra uma contagem diária de menos de 10 novos casos.

No Brasil, o Ministério da Saúde publicou uma portaria que define como serão feitos o isolamento e a quarentena para enfrentar a pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2), causador da doença Covid-19.O texto prevê que agentes de vigilância podem recomendar o isolamento para pessoas que tiveram contato próximo com alguém infectado enquanto o caso delas estiver sendo investigado. O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou no Twitter que medidas de isolamento e quarentena podem ser impostas compulsoriamente.

 “Mas isso não é necessário com autorresponsabilidade. A saúde pública é a lei suprema”, afirmou.

O Governo brasileiro trabalha oficialmente com 52 casos da doença, número que cresce com anúncio de 21 novos casos em São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Pernambuco ―esses números só devem ser acrescidos ao balanço nacional, que é atualizado diariamente, nesta quinta-feira.

A China registrou 80.980 casos confirmados de Covid-19 desde o início do surto, com 3.173 mortes confirmadas por complicações causadas pelo novo coronavírus. Além da China, 37.371 casos foram registrados e há ao menos 1.130 mortes. O Irã tem mais de mais de 10 mil casos da doença e 429 mortes. A Itália tem mais de 10 mil infectados e registrou 631 mortes. Nos EUA, há 1 mil casos e 31 mortes.

Por que idosos estão entre os grupos mais vulneráveis ao coronavírus? Saiba quais são os riscos

Segundo o médico infectologista Caio Rosenthal, uma série de fatores colabora para que esse grupo seja mais afetado que a população em geral. Veja, abaixo, alguns deles:

  • O sistema imunológico dos idosos costuma ser deficiente por causa da idade
  • Mesmo as vacinas tomadas na juventude já não são tão eficazes, portanto, há menos anticorpos no organismo
  • Os pulmões e mucosas tornam-se mais frágeis e vulneráveis a doenças virais
  • O idoso costuma engasgar-se e aspirar mais, inclusive levando mais a mão à boca, aumentando o risco de contágio
  • Ele também vai a hospitais com mais frequência, ficando mais exposto a micro-organismos

Veja os cuidados específicos que os mais velhos devem tomar:

  • Estar com as vacinas em dia
  • Controlar possíveis casos de diabetes e de outras enfermidades (como doenças cardíacas, por exemplo)
  • Manter-se fisicamente ativo
  • Reduzir, apenas quando possível, as idas a hospitais, para evitar contágio

As outras recomendações, diz o médico, são as mesmas destinadas a outras faixas da população: lavar bem as mãos, afastar-se de pessoas com suspeita de infecção e tentar não levar uma vida sedentária – além de não fumar.

Fontes: El país, G1

Hipoteca reversa – renda completar para idosos ou armadilha de endividamento?

Por Eline Matos

Foto Internet

O governo federal lança a chamada Medida Provisória da Liberdade Econômica (MP 881/2019), criando um pacote de 50 ações que visam, segundo o secretário Paulo Uebel[1], desburocratizar o ambiente de negócios e estimular a economia. Uma das medidas em estudo é a criação da chamada hipoteca reversa. Nesta modalidade de crédito, exclusiva para idosos, o imóvel é usado como garantia em troca de uma renda extra. Em outras palavras, idoso recebe renda mensal através de empréstimo em troca do imóvel, que é vendido pelo banco após sua morte para quitar dívida.

A hipoteca reversa não é uma criação do governo brasileiro, essa linha de crédito já é utilizada em outros países. Nos EUA, segundo Lauro Vieira de Faria, economista da Escola Nacional de Seguros, o valor do empréstimo costuma ser limitado a 60% do valor do imóvel e em caso de riscos de avarias ou de o valor da dívida pode acabar superando o valor de venda do imóvel são cobertos por uma série de seguros específicos.

Em uma espécie de aluguel ao contrário o proprietário recebe uma determinada quantia mensal do banco e continua a morar no imóvel. Assim, após a morte do credor, a dívida é quitada com a venda do imóvel. Se sobrar dinheiro, fica para os herdeiros. Se não sobrar, os herdeiros podem optar por pagar a dívida, ou seja, quitar o valor do empréstimo para continuarem morando nela. Senão, é despejo.

A medida é ofertada pelo governo como uma proposta que vai ajudar os idosos proporcionando uma “renda complementar”, que na verdade é um empréstimo, essa proposta é criticada pela economista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ), Denise Gentil. A professora, especialista em previdência social, afirma que a proposta do governo é simplesmente entregar o imóvel de uma família para o sistema financeiro ao invés de proteger o idoso com um sistema de Seguridade Social.

Segundo Denise, “o idoso tem de ter uma renda satisfatória que assegure sua proteção. A saída não é endividar sua família. Essa é a saída fácil para esse governo neoliberal, que deixa de arcar com suas responsabilidades de Estado, de ser o provedor de proteção social, para deixar as famílias brasileiras serem tragadas pelo sistema financeiro”.

A renda proveniente da aposentadoria deveria assegurar todas as necessidades dos idosos. Contudo, esse não é o cenário que vemos hoje no Brasil e com a possibilidade aprovação do desmonte da previdência social e a nova política para o Benefício de Prestação Continuada, dos quais idosos entre 60 a 70 anos poderão receber uma renda de “aposentadoria” de R$ 400,00, essa proposta cairia como uma armadilha de endividamento, pois os idosos, com casa própria, poderão necessitar desses tipos de empréstimos para complementar sua renda insuficiente.


[1]Chefe da secretaria de desburocratização vinculado ao Ministério da Economia