Café com pimenta

Por Juliana Barbosa

De repente 30! Felizmente 30! 

Rapidamente 31!

Intensamente 32!

Ano retrasado, como rito de passagem de decenário, fiz esse texto. No aniversário de 2019 reescrevi, em negrito, o que acreditava que havia mudado em um ano.

Este ano farei diferente. Vou reescrever toda a história, pressupondo que quem a escreveu anteriormente já não existe mais. Usarei aquele clichê: “Se você me conhece baseado no que eu era um ano atrás, você não me conhece mais. Minha evolução é constante, permita-me apresentar novamente.”

Tive como lema juvenil aquela história: “Diz-se que todo ser humano, antes de morrer deve “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.”Plantei mudas de árvores, escrevi dois livros ainda adolescente, entretanto, adiei a parte de “ter um filho”. Ao menos no sentido literal, já que “dei a luz a um diploma universitário, “pari” vários textos que inspiraram tantas outras mulheres e a minha cria” chegou a maturidade com bom emprego na minha área de formação. Isso não significa que eu não queira ser mãe – a propósito esse é um dos meus maiores sonhos. Nesse período de amadurecimento, amigos morreram, superei alguns traumas e outros “estamos em obras’ – Ainda mais agora nessa fase balzaquiana que refere-se a Honoré de Balzac, autor do romance do século XIX “Mulher de trinta anos”, ele descreve as angústias femininas, infidelidade, amor e amadurecimento. Mantive esse trecho do texto de 2018, o papel do jornalista é informar.

Voltando ao século XXI, a tal fase da crise dos 30, agora 32.

Aquela guria que idealiza uma vida estável, bem resolvida, confortável, casa própria, carro, vários diplomas e, quem sabe, uma família? Bobinha! A vida não é um comercial de margarina, e você não nasceu num berço de ouro: meu berço era de madeira – sugestivo para quem teria que encarar a vida com resistência e força. 𝑪𝒂𝒍𝒎𝒂! 𝑨𝒒𝒖𝒆𝒍𝒂 𝒈𝒂𝒓𝒐𝒕𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒊𝒓𝒊𝒂 𝒎𝒖𝒅𝒂𝒓 𝒐 𝒎𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒂𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒆𝒙𝒊𝒔𝒕𝒆. 𝑬 𝒎𝒖𝒅𝒂 𝒐 𝒎𝒖𝒏𝒅𝒐 𝒂 𝒔𝒖𝒂 𝒎𝒂𝒏𝒆𝒊𝒓𝒂, 𝒄𝒐𝒎𝒆ç𝒂𝒏𝒅𝒐 𝒂 𝒓𝒆𝒇𝒐𝒓𝒎𝒂 𝒑𝒐𝒓 𝒅𝒆𝒏𝒕𝒓𝒐, 𝒏𝒂 𝒎𝒆𝒏𝒕𝒆.

Com a ingenuidade do comercial de margarina, tive pressa de viver: Li incontáveis livros, entrei na faculdade aos dezessete anos, tentei direito, não era o que eu queria, fui para publicidade, também não era bem aquilo, então fiz jornalismo e resolvi pousar por ali, na ânsia de ter estabilidade aos trinta. Neste meio tempo, me aventurei no curso de psicologia, paixão que pretendo retomar, e continuei estudando, estudando e trabalhando – como sempre fiz desde quando tinha dezoito anos. Vivi plenamente a universidade, fiz amigos, tomei porres, encarei ressacas, admirei mestres, até chegar à fase do estágio. Eu já tinha vinte e quatro, morava sozinha mas, dependia dos meus pais, o salário mal dava para chamar de salário, acho que o termo correto era incentivo estudantil. Na minha corrida, eu estava longe. Tive paixões, , amadureci mais um tiquinho, porém, o imediatismo continuava gritando: -“cadê a vida de comercial de margarina? ” Formei, fiquei desempregada, voltei para a minha primeira emissora (um bom filho à casa torna), e me acomodei achando que -“ agora vai”! Passaram-se anos, mudei para um apartamento melhor, comprei um carro – com certeza não foi só com o salário de jornalista:

então estudantes, repensem. Jornalismo é uma cachaça, mas, dá uma ressaca danada! Quem faz jornalismo faz, literalmente, por amor pois, financeiramente, o retorno não é aquele que a sua avó iria se gabar para as amigas. Mas, quer fazer? Faça! Nada pior que um profissional insatisfeito. E quem não toma uns porres de vez em quando? Uma das coisas que mais amo no mundo é viajar. Um dos meus lugares favoritos é a chapada Diamantina, especialmente o vale do capão. Amo também trancoso, arraial d’ajuda… O recôncavo da Bahia… Descendo, eu curti Sampa! Mas, o nordeste…. ah!!! Maceió/AL, Caruaru e Gravatá/PE!!! Desculpem-me os devaneios. Continuando… Em 2017 realizei o sonho de conhecer outro país, a Argentina. Logo depois tomei uma topada daquelas! Aos 29 anos, Cazuza (meu gato), morreu, deram Bob Marley (meu cachorro), sem eu me despedi, me separei de um forma traumática, sofri dois acidentes de carro, internação de um mês no hospital, um sequestro básico… até meu telefone quebrou. Voltei para a casa da minha mãe de mala e cuia. Sem nada daquilo que eu pensava ser, o que definia o que eu sou. Parece azar? Mas, não foi, não é. Tive incontáveis livramentos pois, há um propósito nesta bendita existência. Quando o meu sol interior raiou, decidi me desfazer de tudo que já não fazia mais parte de mim: a começar pelo meu emprego. Queria alçar vôos maiores E, a partir daí, pude ver que muitos daqueles que eram meus “amigos”, eram amigos da repórter. O status, e a falsa impressão de “celebridade” que a profissão dá. Não somos o que temos, somos o que somos. Mas, neste mundo adoecido, as pessoas confundem as coisas. Então, joguei tudo pra cima e passei numa seletiva de mestrado em Portugal!! Só não sabia como faria este sonho virar realidade. Prestes a trintar, conheci e me converti ao Budismo. Experiência maravilhosa! Me afastei da filosofia de humanística de Nichiren Daishonin mas, continuo espiritualista. Suponho que haja uma segregação soberba, talvez inconsciente, talvez não intencional, que todas as religiões possuem. Como se a religião fosse um aquário, e a fé, a espiritualidade fossem todo o oceano. É complexo, talvez, inexplicável. E é com este amadurecimento que aceitei com felicidade os meus 30 e poucos anos e alguns cabelos brancos. Quero ser melhor para mim, melhor para os meus, melhor para o mundo. Afinal, não existe uma vida de comercial de margarina. A vida é muito maior que um comercial, a vida é real!

Em 2018, pouco antes de embarcar para PT fiz um ensaio fotográfico muito empoderada. Isso resgatou minha auto estima mas, me ensinou sobre a maldade das pessoas. A distorção social, e os preconceitos que ainda existem. Pra viajar, fiz uma campanha virtual (quem diria? Hoje, eu não faria). Tive uma rede de apoio maravilhosa e cheguei lá! A garota que sonha em conhecer o mundo conheceu mais um país! Mas, vivi experiências que poderiam ser evitadas se eu fosse mais prudente, menos imediatista, mais madura e, principalmente, me planejasse mais. Outra coisa que aprendi muito foi que confiança é sagrada, e não devemos simplesmente entregá-la a qualquer um. A traição é uma violação sentimental e moral. Entretanto, lá em terras lusitanas, reencontrei pessoas que me deram uma família. Descobri que amigo pode virar irmão, independentemente do país em que ele esteja. Aquele que te socorre, que te abraça pelo olhar, usando a tela do celular. Trabalhei como jornalista e repórter em Portugal! Pense! Mas, sentia saudades das pessoas que considero família, que nem sempre tem nosso sangue – isso, até um pernilongo tem! E senti o quanto eu sou abençoada em ter mãe. Não qualquer mãe, a MINHA MÃE. A saudade maior era a dela. E todas as vezes que ela ia ao hospital, eu me sentia impotente. Um oceano nos separava. E ela precisava de mim – e eu dela. Voltei às pressas ao Brasil com o sonho do mestrado não realizado, minha mãe precisando de mim e eu, mais uma vez, desempregada. Pensei que iria voltar ao sofá e deprimir novamente. Bolso vazio, sem celular – de novo e sem dinheiro. Mas, é real, procurem ajuda quando a barra estiver pesada. Procurei. O cérebro é um órgão como qualquer outro e a dor que aperta o peito, vem de lá. O médico que cuida da nossa saúde mental é o psiquiatra. E quem vai nos orientar para uma vida mais saudável é o psicólogo. O que tem de errado nisso? Nada! Cheguei com Doze quilos a mais, com a saúde debilitada. Minha mãe, que sempre foi e é minha melhor amiga, – somos uma dupla de quatro, eu e ela, ela e eu, me deu de presente de aniversário um celular para que eu pudesse trabalhar. Cuidei da saúde , voltei ao peso mais saudável, continuo trabalhando a forma como eu me enxergo, e talvez este exercício leve uma vida inteirinha. Voltei a trabalhar como apresentadora e repórter freelancer. De 2012 a 2019 não houve um só ano que não tenha exercido a profissão Participei da segunda edição da revista papo de salão e visagismo.Trabalhei também como editora de textos numa agência de endomarketing. . Fotografei casamento, ensaios de casal, ensaios infantis… a vida continua! A gente se reinventa! Focando, voltarei a Europa, e quem sabe a Portugal, spoiler! E o Sofá? Não faz parte da rotina. Criei um projeto. Mas, o projeto, ou melhor, o Muito Mais Que Isso já se tornou uma realidade. E era apenas uma ideia que eu tinha, de ter espaço para escrever sem limites de caracteres.

Pause

Imagem: internet

No mês de março o nosso projeto completou um ano e a nossa equipe deu uma parada. Não sabemos se vamos voltar. Estamos vivendo um momento atípico é inédito para nós: A pandemia do coronavírus. Como jornalista, profissão essencial, temos obrigação de mantermos os nossos leitores informados. Entretanto, nossa equipe não é formada apenas por jornalistas. E viralizou entre nós uma falta de ânimo para escrever. Cada um com suas particularidades. É uma pandemia, não uma competição de produtividade! Os tempos políticos já foram melhores mas, não tivemos tempo de Temer antes, quiçá agora. Resistiremos, cada um do seu canto! O amor prevalecerá. A vida é Muito Mais que isso! Não é curta, ela só passa muito rápido! E me deu de presente um homem maravilhoso que me ensinou uma nova forma de me relacionar, um amor como nunca havia experimentado, que me faz sorrir só de pensar nele… Todos estamos assustados com esse novo momento mas, vai passar. O inimigo invisível mudou todos os planos…. Comecei o dia do aniversário chorando. Lavando a alma! Assim como a chuva que cai todo ano quando completo mais um outono. Mas, como diz a música: “a chuva só vem quando tem que molhar”.

Entrevista excluisva com Anna Luisa Beserra: brasileira é 1ª a ganhar prêmio da ONU

Premiação será entregue durante a Assembleia Geral da ONU, dia 26 de setembro, em Nova York.

Por Juliana Barbosa

Divulgação ONU

Um filtro que purifica a água usando apenas a luz solar rendeu à empreendedora social baiana, Anna Luisa Beserra, 22 anos, o prêmio Jovens Campeões da Terra, da Organização das Nações Unidas Meio Ambiente. É a primeira vez que uma brasileira recebe o prêmio.

Hoje, o Aqualuz está em 53 residências de cinco estados do Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A escolha das casas foi feita através de parceiros, como seleções de fundações e projetos de aceleração que a startup participou. 

A maior parte das casas – pouco mais de 30 – fica na Bahia, nas cidades de Cafarnaum, Campo Formoso, Feira de Santana e Morro do Chapéu. Ao todo, Anna Luísa estima que o dispositivo ajude atualmente 275 pessoas. Até o fim do ano, com a perspectiva de implantação no Maranhão, Piauí e Minas Gerais, ela estima que chegue a 700 pessoas. Até o início do ano que vem, o número deve mais do que dobrar, alcançando 1,5 mil usuários

Segundo a ONU, 1,8 bilhão de pessoas bebem água imprópria ao consumo humano no mundo. No Brasil, segundo dados divulgados neste ano pelo Instituto Trata Brasil, cerca de 35 milhões de pessoas não têm acesso a redes de água potável.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, só em 2016, 1,4 milhão de pessoas morreram em decorrência de doenças diarreicas contraídas pelo consumo de água contaminada.

A ONU aponta que estas mortes estão “diretamente ligadas à falta de água potável e à falta de saneamento e de acesso à higiene” e que os problemas atingem principalmente “populações jovens, vulneráveis ou que vivem em zonas rurais remotas”.

A equipe do Muito Mais que Isso conversou com Anna, que está em Nova York, onde vai acontecer uma homenagem durante um baile de gala, marcado para o dia 26, durante a Assembleia Geral da ONU.

Divulgação ONU

MMQIVamos começar falando um pouco sobre você. Como você se define?

Anna – Sou biotecnologista, desde criança sempre tive o sonho de ser cientista, então, aos quinze anos, o que me possibilitou a realizar esse sonho foi participar do Prêmio Jovens Cientistas, do CNPq ( Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que o tema era água, aí eu comecei o desenvolvimento do Aqualuz.

Me defino como uma pessoa criativa, inovadora, que busca sempre resolver problemas reais, que possam causar impactos positivos na vida das pessoas, e o aqualuz é um desses. O aqualuz é o primeiro produto de uma série de inovações que eu tenho em minha mente de realizar durante minha vida. Então, a partir do ano que vem a gente já deve começar o desenvolvimento de outros.

MMQIDe que forma surgiu o interesse pela temática que beneficia o semiárido até a ideia do aqualuz?

Anna – Como eu falei, aos quinze anos, eu vi um cartaz na escola do Prêmio Jovem cientista, fiquei com vontade de participar, e comecei a desenvolver, com a ajuda de alguns professores, e a temática do semiárido foi foco a partir do momento que era conhecido, era muito estudado na escola, apesar de eu ter nascido e sido criada em salvador, nunca tive contato físico com essa problemática, então eu pensei em alguma coisa que pudesse realmente ajudar essa região.

MMQI Como funciona o dispositivo?

Anna – O funcionamento do Aqualuz é muito simples, primeiro eu preciso explicar como é uma uma cisterna. A cisterna da região do semiárido é um grande reservatório para captação e armazenamento de água de chuva, ele é fechado mas, por problemas de manutenção acaba acontecendo de contaminações, e é aí que entra o aqualuz. A gente encaixa o aqualuz na saída da bomba da cisterna, essa água vai para o reservatório, fica em exposição diretamente ao sol por um período de duas a quatro horas, até que a água fique potável. Tem um sensor, que muda de cor, e alerta o usuário que a água está pronta para ser retirada e consumida. Sendo que a capacidade dele é de até 10 litros, Pode fazer até 3 ciclos por dia, e a única manutenção necessária é limpeza com água e sabão.

Arquivo Pessoal Anna Luisa

MMQI Quanto tempo dura o aqualuz?

Anna – O aqualuz dura 20 anos, o equipamento dele, o reservatório principal. E tem umas partes que não são essenciais, são acessórios que tem uma durabilidade um pouco menor, só que dá pra pessoa pode substituir ou viver sem. A gente ainda está estudando essa durabilidade de 20 anos, a gente não tem 20 anos de projeto ainda pra ter uma validação concreta mas, essa é nossa estimativa, isso é o que a gente quer.

MMQI Você foi bolsista do CNPq. como enxerga a atual situação do órgão?

Anna – Eu fui bolsista do CNPq e eu enxergo a atual situação como crítica. Por um lado é triste, porque tantos outros pesquisadores, tantas outras pessoas que poderiam estar desenvolvendo coisas, projetos, produtos ou pesquisas para a ciência e para humanidade, mas, por outro lado, o país está numa situação crítica, as prioridades dos políticos não estão sendo muito a educação, isso é muito triste, mas eu espero que não demore muito para voltar esse estimulo, quer dizer, não é nem por um lado ou por outro: os dois lados são negativos, e eu só espero que os cientistas tenham paciência, não desista das suas pesquisas por essa problemática, por que eu acho que a ciência deve prevalecer sempre, o jeito seria procurar outras fontes de fomento, existem muitos países que eles fomentam pesquisa aqui no Brasil, essa seria uma das saídas, claro que não dá para todos, mas alguns poderiam tentar conseguir.

MMQI Quando você explica o aqualuz dizemos: “como não pensamos nisso antes?”. Você passa a credibilidade que a metodologia é muito fácil e viável. Você acredita que o dispositivo pode ser utilizado em outros países?

Anna – O Aqualuz é sim, uma tecnologia muito simples, ele foi baseado no SODIS (SOlar water DISinfection)tecnologia que utiliza exposição da água dentro de garrafas pets para fazer o mesmo processo de desinfecção solar da água, só que existem vários problemas associados, dentre eles, a própria garrafa PET solta alguns químicos que são tóxicos ao consumo humano, e aí a gente desenvolveu um produto que resolveu esses problemas do SODIS, e sendo viável para essa região do semiárido, sendo especificamente desenvolvido para essa região, não só no Brasil, mas também em outros países do mundo.

Arquivo Pessoal Anna Luisa

MMQI – .A primeira brasileira a vencer prêmio da ONU, logo o principal prêmio ambiental para jovens empreendedores com idades entre 18 e 30 anos. Como você recebeu a notícia ,e o que passa por sua cabeça, agora,que está vivenciando tudo?

Anna – Eu recebi a notícia por e-mail. Mas, foi um e-mail bem tenso. Sabe quando você recebe um e-mail e desesperado pra ler pra saber o que é, o que está escrito e com aquela dúvida se foi aprovado, ou se é um e-mail negativo para dizer que você não foi aprovado? Então foi um sentimento muito bom quando li, fui aprovada, levantei da cadeira, dei um pulo, corri, chorando, para contar a notícia aos meus pais, foi um momento muito, muito bom, e agora que estou aqui, (em nova York), vivenciando isso,está sendo melhor ainda, não imaginava que seria tão impactante. Estou conhecendo pessoas novas, com visões diferentes e positivas do mundo, com trabalhos incríveis na área de sustentabilidade, voltados mesmo para fazer um planeta mais sustentável, e eu já estou aqui inspirada, com novas ideias querendo já mudar minha rotina diária, ser mais consciente, não só com o aqualuz, que é voltado para a água mas, até no dia a dia mesmo, pensando nas atitudes que a gente tem, nas ações que a gente tem que impacta, significamente no meio ambiente, como andar menos de carro, o consumo de gasolina, não usar mais sacolas plásticas, não usar copo descartável. Coisas simples que fazem toda diferença;.

MMQIAos 21 anos você já mudou a história de muita gente, e provavelmente realizou alguns sonhos! Quais são os planos agora?

Anna – Ontem foi meu aniversário de 22 anos, foi o primeiro aniversário que fiz fora do Brasil, e eu ainda acho que fiz muito pouco, sabia? Eu pensando assim, ainda tem tanta coisa que eu quero fazer, no mundo de coisa que passa pela minha cabeça. Nos próximos anos quero criar mais tecnologias, deixar a empresa no âmbito internacional mesmo, tanto o aqualuz, quanto outros produtos, atingindo o mercado fora do Brasil, o máximo de pessoas possível, impactando a vida das pessoas,ajudando o mundo, sendo sempre produtos sustentáveis e alinhados com os objetivos do desenvolvimento sustentável. Para o Aqualuz, por exemplo, a gente pretende nunca parar o desenvolvimento, sempre vão ter novos impactos associados ao aqualuz.

MMQI.Você é CEO de uma startup majoritariamente formada por mulheres, Jovens cientistas. Há preconceito de gênero na área? Se sim, isso interfere de alguma forma?

Anna – Sim, já passei por algumas experiências que eu percebi que os homens estavam sendo favorecidos e havia uma visão machista sobre mim e minha empresa, não só por eu ser mulher, mas também por eu ser jovem. Mas, eu acredito que hoje, na nossa empresa isso não existe, a gente tem homens também, e todo mundo convive pacificamente, não há ninguém com visões distorcidas : ” Eu sou homem, eu tenho mais valor que você..”. É uma coisa que a gente acredita que tem que criar cultura na sociedade mesmo. Acho que hoje, com o espaço que a gente está criando, com a credibilidade que a gente está tendo, o fato de ser mulher e ser jovem, não está sendo mais um ponto negativo, está sendo um ponto positivo, mostrando o próprio potencial que as mulheres e os jovens tem no mundo, então a parte do preconceito está sendo superada, no nosso caso mas, a gente sabe que muitas pessoas que estão começando agora ainda enfrentam esse problema, a gente quer servir de inspiração. É algo que precisa ser trabalhado muito, ainda mas, acredito que já esteja evoluindo.

MMQIO presidente Jair Bolsonaro estará em Nova York quando você for premiada. O que diria ao presidente diante da politica ambiental brasileira no exterior, criticada por especialistas e líderes mundiais em meio ao avanço do desmatamento e das queimadas?

Anna – De fato, a postura não é o melhor cenário para o Brasil, e deveriam pedir auxílio de especialistas na área ambiental, para se posicionarem de forma ideal para o planeta.

Crise no CNPq

O pontapé mesmo para o Aqualuz sair do papel veio no curso de Biotecnologia na Ufba. Ainda no primeiro semestre, participou da incubadora da instituição – a chamada Inovapoli. Por um ano, entre 2015 e 2016, Anna recebeu uma bolsa de iniciação tecnológica do CNPq para desenvolver o projeto.

No início do mês, a Capes ( Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior ), anunciou o corte de 5.200 bolsas, que deixariam de ser renovadas (ou seja, redistribuídas para novos alunos) para conseguir manter as que estavam ativas. No total, a agência já cortou 11.800 bolsas neste ano. Já o CNPq afirmou que não teria como garantir o pagamento de seus 84.000 bolsistas a partir deste mês por falta de verbas. Por enquanto, entidades ligadas à produção científica brasileira tentam chamar a atenção do Congresso para os prejuízos à pesquisa brasileira, caso a previsão orçamentária não seja corrigida pelos parlamentares.

Fontes: El País, BBC, Agência Brasil

Revista Papo de Salão traz nova experiência estética

Foto: Jázio Velásquez

Por Paulo Leandro (MTB. 1.214-BA

A arte de tornar-se mais linda, o noticiário da última moda e tecnologia estética, acompanhado das melhores maneiras de cuidar bem de si mesma. Tudo isso e muito mais será possível apreciar na segunda edição da revista Papo de Salão, já em fase de reta final de edição para circular em outubro nos melhores endereços da beleza em Salvador.

O cenário atende à proposta editorial da publicação, totalmente produzida na capital baiana, com o objetivo de tornar-se uma das referências nacionais em experiência de contemplação do belo: será o espaço Nana Cabelo e Estética, de Rosana Velloso, no bairro da Graça.

aisthesis, de onde deriva aisthetiké, como chamavam os gregos da Antiguidade Clássica, na origem do conceito de estética, há 22 séculos, ganha atualidade no projeto do hair stylist e visagista Chico Fernandez, celebrando seus 26 anos de carreira, em parceria com a jornalista Juliana Barbosa.

Foto: Jázio Velásques

De currículo recheado com atuações em televisão, sites noticiosos e vivência na imprensa de Portugal, Juliana não só produz conteúdo para a Papo de Salão, como também é uma das modelos de presença mais alegradora para quem vai cultivar o prazer de por as vistas nas páginas coloridas da nova Papo de Salão.

Foto: Fernando Lopes

Nesta edição, a revista Papo de Salão tem também a participação especial da premiada jornalista Isana Pontes, responsável por editoriais fotográficos, além da edição e produção de textos.

Jázio Velásques

Papo de Salão traz, entre as principais novidades, o refinamento verificado nos detalhes da maquiagem das modelos, sob a responsabilidade de Miuson Matos, profissional estabelecido no mercado baiano, e dedicado à arte de valorizar a beleza.

Foto: Monique Gualberto

O time de fotógrafos, composto por Jázio Velásquez, Fernando Lopes e Monique Gualberto, já vem distribuindo algumas imagens nas redes sociais, como forma de deguste para os leitores da revista, cuja proposta é tida como uma preciosidade para os padrões de Salvador, reconhecidamente carente de belas publicações deste gênero.

FINAL

Café com Pimenta

Por Juliana Barbosa

Arte:Internet

Não foi pelo chocolate, foi pela cor.

Foi apenas uma desculpa para exercer a barbarie.
Nada justifica práticas escravocratas. Ter sido chicoteado é emblemático, reforça o escárnio do racismo estrutural da sociedade.

No início do ano, um outro jovem foi morto no supermercado extra.

Não foi pelo “surto”. Foi pela cor.

Ainda em 2019, um músico foi executado com 80 tiros de fuzil, na frente da família.
Não foi tática de defesa do exército. Foi pela cor.

Em 2014, um adolescente de 15 anos foi amarrado ao poste com uma trava de bicicleta e espancado, na zona Sul do Rio de Janeiro. Ele teve parte da orelha arrancada pelos agressores.

Não foi por justiça. Foi pela cor.

No mesmo ano, no Espírito Santo, Alaiton Ferreira morreu aos 17 anos, depois de ter sido linchado por dezenas de pessoas na região metropolitana de Vitória, que o acusavam de estupro. No entanto, a Polícia Civil capixaba não registrou nenhuma ocorrência de violência sexual contra o adolescente.

Não foi pela acusação de estupro. Foi pela cor.

Em 2017, o caso do adolescente de 17 anos que teve a expressão “eu sou ladrão e vacilão” tatuada na testa como forma de punição por, supostamente, ter tentado furtar uma bicicleta em São Bernardo do Campo.

Não foi pela bicicleta, foi pela cor.

Tortura é crime hediondo. Requintes de crueldade, ares de sadismo.

A UNICEF apontou que adolescentes negros têm um risco de morte 2,88 vezes superior ao dos brancos. O relatório serviu como base para que o Brasil fosse notificado em 2018 pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), por causa da epidemia de violência que acomete a população jovem e negra.

Incitada ainda mais com os discursos de desprezo contra os direitos humanos por Jair Bolsonaro em sua carreira política. Sem esquecer o elogio que ele faz a um militar torturador condenado pela Justiça.

Um levantamento da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, divulgado no fim de julho, mostra que ao longo de 10 meses o órgão recebeu 931 denúncias de tratamentos desumanos praticados contra pessoas presas – mais de 70% delas negras – no Estado.
Em média, três presos são torturados a cada dia.

Confundem a chuteira com a arma. Confundem o guarda-chuva com um fuzil.
Confundem a “quentinha” com um revólver.

Só não confundem a cor quando torturam, não confundem a cor quando apertam o gatilho.

Café com pimenta

Diariamente

Por Juliana Barbosa

Para calar a boca: Dentista

Pra lavar a roupa: Vaza Jato

Para viagem longa: Kit gay

Para difíceis contas: Abraham Weintraub

Para diminuir o desmatamento: Demite quem faz o cálculo

Para o pneu na lona: Couro de gente

Para a pantalona: Conta na Suíça

Para pular a onda: Gilmar Mendes

Para lápis ter ponta: Nióbio

Para o Pará e o Amazonas: Demarcação

Para parar na Pamplona: Queiroz

Para trazer à tona: The Intercept

Para a melhor azeitona: Dinheiro

Para o presente da noiva: Desvio de verbas

Para Adidas: O Igual do Paraguai

Para o outono, a folha: de Pagamento

Para embaixo da sombra: Beach Park

Para todas as coisas: Está puxado

Para que fiquem prontas: Penitência

Para dormir a fronha: Tá gelado

Para brincar na gangorra: Conjes

Para fazer uma touca: Damares

Para beber uma coca: Aécio

Para ferver uma sopa: O Eduardo

Para a luz lá na roça: Vela

Para vigias em ronda: Ninguém viu

Para limpar a lousa: Dallagnol

Para o beijo da moça: Frozen

Para uma voz muito rouca: Corta os remédios

Para a cor roxa: Delegacia da mulher

Para a galocha: Pé na lama

Para ser moda: Instagram

Para abrir a rosa: Mamadeira de piroca

Para aumentar a vitrola: O Antagonista

Para a cama de mola: Tábata Amaral

Para trancar bem a porta: Chama o Moro

Para que serve a calota: Olavo de Carvalho

Para quem não acorda: Lava Jato

Para a letra torta: Caneta bic

Para parecer mais nova: Chama de novinha

Para os dias de prova: Não tem escola

Para estourar pipoca: Witzel

Para quem se afoga: FGTS

Para levar na escola: Que escola?

Para os dias de folga: Não tem mais folga

Para o automóvel que capota: Pra quê auto escola?

Para fechar uma aposta: Estados Unidos

Para quem se comporta: Meritocracia

Para a mulher que aborta: Caixão

Para saber a resposta: Bolsonaro

Para escolher a compota: Ele também

Para a menina que engorda: chama o Dória

Para a comida das orcas: Lixo

Para o telefone que não toca

Para a barragem que transborda

Para a mesa que não vai ser posta

Para você, o que você menos gosta

D i a r i a m e n t e .