Jovem talento da musica baiana lança hit que promete movimentar o verão

“Não Vou Deixar Você Partir”, de Mari Guena, já está bombando na internet

Foto- Reprodução/Youtube

Por Gustavo Medeiros

Chegou o verão e com ele novas tendências e novos artistas, que lançam hits que marcam a estação mais quente do ano. Dentre os lançamentos musicais deste mês, um promete ser um hit daqueles, com um refrão “chiclete” e uma mistura do autêntico axé com uma batida eletrônica.

Na voz da cantora Mari Guena, o clipe da música “Não Vou Deixar Você Partir”, foi lançado oficialmente nesta quarta-feira (15) em seu canal no Youtube. Além disso, a canção já se encontra em todas as plataformas de streaming na internet.

A música contou com a produção de Luciano Pinto, profissional que já trabalhou com Cláudia Leitte. Dirigido por Marcelo Rodrigues, o clipe da canção teve como cenários o centro antigo de Salvador, mais precisamente a Barra e o Pelourinho, locais de pura efervescência no verão baiano.

Segundo Mari Guena, o processo de criação se deu de forma simples, em momentos soltos, sempre com um violão e ouvindo várias histórias que são contadas.

Cada música minha tem um processo de criação diferente. Tem umas que chegam pra mim no chuveiro, aí eu saio do banho correndo, escorrego e tudo pra gravar a música, outras que eu acordo no meio de um sonho com a ideia na cabeça. “Não Vou Deixar Você Partir” foi feita de maneira mais simples, eu tava de bobeira tocando violão, até que veio a inspiração e eu compus esse axé gostosinho.”

Maturidade– Dona de uma voz grave e doce, apenas 17 anos de idade Mari Guena já tem experiência no mundo da música. Em 2017, ela lançou a música “Quero Te Ver” e mostrou que tem um potencial a ser explorado.

Desde então, a jovem já fez diversas participações em projetos de outros artistas como Gilmelandia, Tio Paulinho e Seu Uilson.Acompanhe aqui o clipe da musica que promete ser a sensação do nosso verão

Cachoeira vai sediar congresso voltado para a comunicação e a música

Evento acontece no Centro de Artes,Humanidades e Letras da UFRB

Foto- Divulgação – UFRB

Por Gustavo Medeiros

A musica vai tomar conta da cidade de Cachoeira nos próximos dias. O Centro de Artes Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CAHL-UFRB) vai receber, entre os dias 03 e 05 de julho, o Congresso de Comunicação e Musica (COMÚSICA).

O evento, que está em sua sexta edição, reúne os principais pesquisadores do país na área, promovendo debates e apresentação de trabalhos.

Durante o congresso, os pesquisadores terão contato com artistas e músicos locais, considerando assim a tradição musical que a cidade histórica,localizada no Recôncavo, possui por meio das filarmônicas, dos grupos de samba de roda e do reggae.

O evento conta com a realização do Grupo de Estudos em Experiência Estética, Comunicação e Artes (GEEECA) e do Programa de Pós Graduação em Comunicação.

Confira mais sobre o evento aqui

Fonte – Metro 1 e Portal da UFRB

Salvador 470 anos: “Pretinha briso nesse axé”.

Uma história de amor que tem como pano de fundo o Pelourinho. Uma História de amor por Salvador.

Por Juliana Barbosa

 
Você pode não saber quem é Leandro Roque de Oliveira, mas já deve ter ouvido falar do cantor Emicida. Você pode não gostar muito de rap entretanto, após conhecer pelo menos uma música do O álbum “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, duvido que você não saia cantarolando pela rua “loca, loca, loca” sem perceber. O Hit em questão é Baiana, composição de Emicida e DJ Du. No refrão, a surpresa: a voz inconfundível de Caetano Veloso. Digo mais, convidar Caetano para dividir os vocais do refrão da canção e fazer os sons sirênicos que atravessam toda a música, ajudou a ampliar os cruzamentos geográficos: o baiano Caetano cantou “Sampa”, e agora o paulista Emicida canta “Baiana”. A percussão que lembra a sonoridade do Olodum também é marcante. Uma história de amor que tem como pano de fundo o histórico Pelourinho, em Salvador. Com uma sensibilidade digna de poucos, o paulista soube caminhar entre as ruas e becos da cidade, levando o ouvinte a um tour, com direito a memória afetiva – que são aquelas lembranças que você tem dos bons tempos da infância: “Banho de pipoca, colar de conchinha” . Além de toda essa mística, sensualidade, a enaltação da mulher negra, “Baiana” possui imparidade rítmica – propriedade extremamente sutil encontrada apenas na música africana. Nessa canção, Iemanjá se presentifica como o entrecruzamento da crítica social e da valorização da África. Transcende os estereótipos e revela sua promissora beleza ancestral. Além disso, a letra remete-nos à “água de Amaralina”, espaço mítico cantado por Raul Seixas (“Menina de Amaralina”), Clara Nunes (“Conto de areia”), Maria Bethânia (“Trampolim”), Mart’Nália (“Nas águas de Amaralina”) e, claro, Caetano Veloso (“Tropicália”). Aliás, a estrutura cinematográfica e as sobreposições de imagens da letra de “Tropicália” aparecem refletidas na letra de “Baiana”. Em ambas, o sujeito da canção passeia os olhos pelo mundo, focando determinados pontos de beleza que mimetizam o seu estado de espírito.Tudo para desaguar no refrão sinestésico: “A cabeça ficou louca / Só com aquele beijinho no canto da boca / Louca, louca, louca / Só com beijin”, um beijin”. Ou seja, de cantor da sereia, o sujeito da canção é recompensado com “o canto da sereia [que] vem de boa, eu à toa, é / Prejuízo, pretinha, briso nesse axé”. Um sustenta o outro no canto, no encantamento sonoro visual. A baiana corporifica a paisagem. E vice-versa – “Salvador de cá, Salvador dali”. Na primeira parte da letra, a baiana é ritmo – “Pirei em tua cor nagô, tua guia / Teu riso é Olodum a tocar no Pelô / Dia de Femadum, tambor alegria / Cê me lembra malê, gosto pra valer” – e magia – “Império Oió / A descer do Orum, bela Oxum / Cujo igual não há em lugar nenhum”. Na segunda parte, ela é tradição – “Maria pela mão de mestre Didi / Do sol de escurecer os tons de Kariri” – e tradução “É o mito Ioruba, bonito pode pá / Água de Amaralina, gota de luar / Deleite ocular, rito de passar / Me lembrou Clementina a cantar”. Esses últimos versos remetem o ouvinte a: “Um dia a morena enfeitada / de rosas e rendas / abriu seu sorriso de moça / e pediu pra dançar. / A noite emprestou as estrelas / bordadas de prata / e as águas de Amaralina / eram gotas de luar”, da canção “Conto de areia”, de Toninho Nascimento e Romildo Bastos. De “morena” a “pretinha”, são várias as referências à ancestralidade da canção, do ritmo e da cultura a descer do Orum. Tudo enfeita e encanta a baiana, a que é a primeira na posição do coração do sujeito. Para além dos atributos físicos, já fartamente estereotipados em prosa, verso e canção, a baiana é cantada em sua afirmação Ioruba. E eis que ressurge Iemanjá, “que pra uns é branca, pra nóiz é pretinha / igual Nossa Senhora [Aparecida], padroeira minha”, e sua festa: “2 de Fevereiro, dia da Rainha / (…) / Banho de pipoca, colar de conchinha / Pagodeira em linha da Ribeira”.De Salvador de cá, Salvador dali (fictícia e real, de longe, de perto, de dentro, surreal), Oxum, Iemanjá, Clementina e a baiana cantada por Emicida recuperam a História para renovar a certeza de um novo e iluminado protagonismo do feminino. Empoderamento negro e religioso, empoderamento feminino, cores, ritmos, sabores, sentidos. Isso é o que a Baiana tem? Verdade traduziu bem bonito. Mas, Baiana tem Muito Mais que Isso.!


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Baiana (Emicida / DJ Duh)
Baiana cê me bagunço
Pirei em tua cor nagô, tua guia
Teu riso é Olodum a tocar no Pelô
Dia de Femadum, tambor alegria
Cê me lembra malê, gosto pra valer
Dique do Tororó, Império Oió
A descer do Orum, bela Oxum
Cujo igual não há em lugar nenhum
O branco da areia da Lagoa de Abaeté
Tá no teu sorriso, meu juízo perde o pé
O canto da sereia vem de boa, eu à toa é
Prejuízo, pretinha briso nesse axé

A cabeça ficou louca
Só com aquele beijinho no canto da boca
Louca, louca, louca, louca
Só com beijin’, um beijin’
Minha cabeça ficou louca
Só com aquele beijinho no canto da boca
Louca, louca, louca, louca
Só com beijin’, um beijin’

Baiana é bom de ter aqui
Na Salvador de cá, Salvador dali
Maria pela mão de mestre Didi
Do sol de escurecer os tom de Kariri
É o mito em Orubá, bonito pode pá
Água de Amaralina, gota de luar
Deleite ocular, rito de passar
Me lembrou Clementina a cantar
2 de Fevereiro, dia da Rainha
Que pra uns é branca, pra nóiz é pretinha
Igual Nossa Senhora, padroeira minha
Banho de pipoca, colar de conchinha
Pagodeira em linha da Ribeira, eia, Cajazeira
Baixada o tubo tudo, firme e forte na ladeira
Uma pá de cor, me lembrou Raimundo de Oliveira
Meu coração, tua posição, a primeira

Fontes:
Rollingston, Lendocacao