Não coloque pagode no meu forró!!! Um equivoco gigante

Decisão para colocar artista na grade do programa “São João do Nordeste”, da Rede Globo, dividiu opiniões durante a semana

FOTO: Instagram – divulgação

Por Gustavo Medeiros

A Rede Globo vem anunciando, desde o início da semana as atrações do programa São João do Nordeste. A atração, que este ano, por conta do isolamento social, será realizada em formato de live e exibida neste sábado após a novela das 20h. A atração, que vai contar com bandas e artistas que representam os noves estados nordestinos, foi motivo de polêmicas e discussões nas redes sociais por um detalhe gigante, a presença de Léo Santana na grade de artistas do programa, uma vez que a atração é destinada para comemorar as festas juninas com o mais nordestino de todos os ritmos, o forró.

A escolha de Léo Santana, artista ligado ao pagode e com passagem marcada pela banda Parangolé, foi motivo de muitas críticas a produção do programa, que selecionou outros artistas ligados ao forró e suas vertentes como Mano Walter, Solange Almeida, Amazan entre tantos outros. Em nota emitida para a imprensa, a TV Bahia justificou que o pagodeiro terá companhia da banda Forró do Tico. A emissora não explicou os critérios usados no convite ao “Gigante”.

Leo Macedo, vocalista da Banda Estakazero, declarou em um vídeo, postado em suas redes sociais, que os outros artistas que representam o segmento no estado se viram desapontados com a decisão. Para ele, “não existe São João sem forró.”. Entretanto, vale lembrar que isso não é regra para os grandes produtores de eventos e contratantes. Eles não levam a sério a força das tradições culturais existentes nos festejos juninos e montam festas fechadas com atrações diversas, algo distópico e fora da realidade se vermos com detalhes a estrutura que é montada.

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Depoimento sobre o São João do Nordeste.

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Bahia Junina

É possível encarar a escolha de Léo Santana como um duro golpe para quem vive o mês de junho viajando os quatro cantos do estado e da região, perdendo noites nas estradas e cumprindo uma extensa agenda de shows, que vai para um pouco além do mês de junho, normalmente, sem considerar estes tempos de pandemia do Novo Coronavírus. Para além da realidade posta, vale pensar na diversidade territorial do nosso estado e como a cultura junina se performa em cada realidade.

Mais do que se imagina, na Bahia cabe tudo e o forró, assim como o arrocha,a axé music, o samba de roda e a música sertaneja, preenche um espaço de grande importância neste grande imaginário formado por litorais,serras,chapadas e sertão. Do extremo sul até o norte banhado pelo ciúme entre Juazeiro e Petrolina, a Bahia Junina se manifesta no legado máximo deixado pelos gênios como Luiz Gonzaga, Trio Nordestino ( baianos de Curaçá), Dominguinhos e outras lendas vivas como Genival Lacerda.

A Bahia respira ( e transpira) forró

A Bahia também respira forró e não dá para imaginar São João sem os grandes artistas como Adelmário Coelho, Zelito Miranda,Carlos Pitta, Virgílio, Xangai, Edigar Mão Branca e os ícones da nova geração como Estakazero, Targino Gondim ( Um pernambucano que a Bahia adotou), Tio Barnabé, Matheus Boa Sorte, Jeanne Lima, Del Feliz, Cicinho de Assis, Noberto Curvelo, Jô Miranda e Marquinhos Café, só para citar.

Para além do pagode, que contém nomes como de Léo Santana e é uma derivação urbana do Samba de Roda que surgiu no Recôncavo Baiano, o forró se alastra em potência no maior estado da região Nordeste. E não é de se imaginar que, antes de serem estrelas da música sertaneja, Simone e Simaria ( nossas baianas de Uibaí com raízes em Ituaçu) estavam ensaiando os primeiros passos para o sucesso cantando forró, algo que foi revisitado em uma das lives realizadas pela dupla nessa quarentena. Até mesmo Gilberto Gil e Moraes Moreira (também baianos de Ituaçu) se renderam ao ronco nobre do fole em um certo momento de suas produções musicais.

Portanto, não dá para pensar São João sem o forró em Senhor do Bonfim, Cruz das Almas, Amargosa, Cachoeira, Ibicuí, Jequié, Vitória da Conquista, São Sebastião do Passé, Piritiba,Miguel Calmon, Lençóis e nas pequenas cidades onde o legítimo som feito por um triângulo, um zabumba e uma “Sanfona Sentida”, sangrando melodias quentes nas noites frias ao pé de uma fogueira, se faz presente.

Enfim, vale a lembrança, em meio a um ano atípico, onde viveremos os festejos juninos dentro de nossas casas, sem o aquecer das fogueiras e sem o som dos fogos de artifício. O esforço de quem mantém a cultura nordestina na Bahia se traduz na música e na alegria de quem faz o forró seja na Chapada Diamantina, no Recôncavo, na Região Sisaleira ou no longínquo Oeste, já na divisa com Goiás, Piauí, Minas Gerais e Tocantins.

Maior que tudo

O forró é maior que qualquer decisão de interesse de produtoras, é uma tradição sustentada e nutrida de geração para geração, com base na fé e na devoção de um povo aos três santos (Antônio, João e Pedro). Mais além do que a escolha de Léo Santana, o mais nordestino de todos os ritmos sobrevive a ação do tempo, que embala casamentos, dores de amor e alegrias repletas na fartura de uma colheita ou em uma história pitoresca.

Para além de qualquer decisão, o forró continua sendo maior que tudo.

Nordeste – O Brasil que estuda sua própria História

Os estudantes da região conquistaram 58 medalhas, das 75 distribuídas na ONHB.

Foto- Facebook

Por Gustavo Medeiros

Na edição deste ano da Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB), os alunos da região Nordeste foram responsáveis pela conquista de 58 medalhas das 75 distribuídas pelo evento, que está na sua 11ª edição e é realizado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Se comparado ao desempenho do ano passado (onde 59 medalhas foram conquistadas das mesmas 75 distribuídas), nada mudou e isso diz muito sobre a qualidade do ensino de história nos nove estados nordestinos, na qualificação dos professores, e na metodologia, ou seja,na forma de ensinar.

No nordeste a História do Brasil é levada a sério e a termo. Posso dizer isso por experiência própria,pois tenho , em meu convívio diário e passado (não tão distante), tenho visto experiências de como o entendimento analítico de fatos que ocorreram pode transformar um individuo e uma sociedade.

Resultado Final da ONHB. Reprodução- Facebook

O ensino de história proporciona um cidadão pensante, crítico e consciente dos problemas a serem enfrentados ao analisar o passado e refleti-lo no presente. Este é o temor das grandes elites, o direito a cidadania por meio de uma leitura consciente da realidade refletida no passado.

Desta forma, os 58 nordestinos medalhados na ONHB provaram que aqui se reflete, se estuda a sociedade atual com base na história, compreendendo a formação social através do processo histórico e que isso vai além de querer seguir carreira na área, atuando na pesquisa ou no ensino.

A história inspira e instrui, educa e reflete. O Brasil precisa de nordestinos que usam a disciplina como inspiração e o nordeste,mais uma vez, salva o país quando mostra que é necessário preservar o pensamento crítico e a história, enquanto força motriz deste movimento imprescindível.

Diante das 58 conquistas que salvam o Brasil de uma hecatombe geral em terras campineiras, podemos dizer que a resistência está na história e o nordeste, neste sentido, se reafirma como núcleo deste movimento, se sobrepondo ao culto a ignorância propagada pelo olavismo.

Diante de tantos retrocessos vistos e sentidos a cada dia, um dia, quem sabe, o nordeste e a história salvarão este país. O futuro,por sí só, assim dirá.

Vitória perde de goleada e é eliminado do Nordestão

Leão tomou quatro gols do Fortaleza e não marcou nenhum

Sem ação, o Vitória foi facilmente dominado pelo Fortaleza. Foto – LC Moreira (Futura Press)

Por Gustavo Medeiros

No duelo entre os leões, o do Pici se saiu melhor. Fora de casa e diante da torcida adversária, o Vitória perdeu para o Fortaleza por 4 a 0 na noite da última segunda-feira (8), em partida válida pelas quartas de final da Copa do Nordeste.

Com o resultado, o Fortaleza garantiu a sua vaga para a fase seguinte do Nordestão. Já o Leão da Barra foi eliminado sem vencer uma partida sequer no torneio. A partir de agora, a equipe treinada por Claudio Tencati vai focar na estreia da Série B, que será contra o Botafogo-SP.

Os gols do tricolor cearense foram marcados por Junior Santos (duas vezes) , Edinho e Dodô.

Fonte – Bahia Noticias