Café com pimenta

Por Juliana Barbosa

Mirtes, uma empregada doméstica, precisou levar o filho Miguel para o trabalho, foi passear com o cachorro da patroa e deixou o menino com ela.
A patroa, Sari Corte Real, deixou a criança no elevador SOZINHO, por estar incomodada com o choro da criança.
Ele caiu do 9º andar das torres gêmeas, condomínio luxuoso de Recife.

Miguel tinha 5 anos, era preto e morreu por negligência.
A patroa estava ocupada fazendo a UNHA.

Pagou 20 mil de fiança e está respondendo em liberdade.

Os patrões da mãe de Miguel são o prefeito e a primeira dama de Tamandaré.

Mirtes, a mãe de Miguel, não foi dispensada com remuneração durante uma pandemia pois, a burguesia escravagista não gosta de limpar a própria sujeira.

Não é homicídio culposo: é um caso de DOLO EVENTUAL, ou seja, a patroa assumiu o RISCO de que algum mal acontecesse ao menino.
Deve responder por HOMICÍDIO DOLOSO e ir a Júri!

Imaginem – só por um instante – a repercussão se fosse o contrário.

Não consegui escrever a matéria completa. Deixei aqui um desabafo.

Fontes: G1; Diário de Pernambuco

Afrontosa

Quando o racismo vira pauta mundial

Por Li Afrontosa

Imagem by politica com manzanas

A segregação racial permeia o mundo desde a colonização europeia, onde negros foram escravizados e prejulgados como sub-humanos.
Estudos iniciados no século XVIII durante o Iluminismo, e que se estenderam até o século XX comprovaram que somos diferentes em traços físicos, porém iguais na humanidade.
Geneticamente não é possível racializar um indivíduo pois, características semelhantes foram encontradas em diferentes grupos étnicos, cientificamente não existe evidências que comprovem a supremacia de uma raça, sendo o racismo fruto exclusivamente da ideologia de superioridade.
Os povos africanos de diversos países do continente, foram escravizados e tiveram suas riquezas naturais, materiais e culturais roubadas durante o processo de colonização.
O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão, deixando um abismo de desigualdades entre os descendentes dos escravizados e dos colonizadores.
O racismo no Brasil se difere do racismo vivenciado em outros lugares do mundo.
Porque aqui foi incutido a falsa ideia de Democracia Racial, evitando assim embates violentos como os ocorridos em países como África do Sul e Estados Unidos.
O racismo estrutural que fomenta a educação de milhares de pessoas no mundo, permite que pessoas negras sejam acometidas de diversas violências físicas e psíquicas, além de extrema segregação social, estética, econômica e cultural.
Nos últimos dias, Brasil e Estados Unidos ganharam os noticiários do mundo inteiro, devido a morte de duas pessoas negras, pela Força Armada do Estado, através da polícia.
João Pedro, brasileiro de 14 anos, foi morto dentro de casa no estado do RJ, durante uma operação policial. Seu corpo foi sequestrado, sendo encontrado no IML por familiares 17 horas depois do ocorrido.
Em Minneapolis, nos Estados Unidos, George Floyd, um homem negro de 46 anos, foi morto durante uma abordagem policial, mesmo algemado e sem mostrar resistência. Ele teve seu pescoço pressionado por um policial, acompanhado de mais três colegas, que não se sensibilizaram com os pedidos de socorro da vítima, e das testemunhas ali presentes.
Manifestantes tomaram conta das ruas dos EUA, onde prédios e carros foram incendiados, unindo negros e brancos anti-racistas, clamando por justiça.
No Brasil, a morte do jovem João Pedro também causou comoção e perplexidade.
O que difere as manifestações entre os dois países é a história, pós escravidão.
O Brasil é o país com maior população negra fora do continente africano, contudo, a identidade racial do seu povo, não foi devidamente desenvolvida, a falta de educação não permite que a maioria da população se identifique como negro, desconhecendo seus valores e mantendo-se as margens das oportunidades de crescimento, e impedindo um clamor enérgico da sociedade, tornando-a indevidamente pacífica.
Nos EUA mesmo com uma população negra que gira em torno de 13,8%, os afros descentes contemplam uma história de lutas por igualdades civis e unificação racial, que os permitiram galgar melhores oportunidades de ascensão econômica e social.

Café com Pimenta

Por Juliana Barbosa

Arte: Georlando Neto

Que os concursos de beleza objetificam as mulheres, já não é novidade. Mas, nesse concurso, uma mulher negra foi escolhida a mais bonita do mundo: Zozibini Tunzi, Miss África do Sul, é a Miss Universo de 2019. Vocês têm noção do que é uma preta se arrumar pra ir à escola, ligar a TV, e a representatividade dela é a Zozibini Tunzi sendo coroada A MULHER MAIS LINDA DO UNIVERSO? Pensa! Desde a sua criação e primeira edição em 1952, o concurso demorou 25 anos para coroar a primeira Miss Universo negra, Janelle Commissiong, de Trindade e Tobago, em 1977, Wendy Fitzwilliam, em 1998, Mpule Kwelagobe, em 1999, Leila Lopes, em 2011 e Zozibini Tunzi, em 2019. E não paramos por aqui. O certame é cheio de regras que certamente muitos desconhecem. Então, além de destacar a importância desta edição, vamos conhecer um pouco mais do universo do concurso.

Vamos observamos o edital que traz os pré-requisitos que, caso queiram participar do concurso de beleza, as mulheres deverão obedecer – sob pena de desclassificação, pagamento de multas e cumprimento de outras penalidades. Em resumo: o que o edital nos diz? É preciso obediência, para ser considerada bela.

“candidata’: o elemento de composição cand– em latim tem, etimologicamente, o sentido de “ser alvo, branco como a neve” entre outros significados. Cand- tem, igualmente, sentido moral de ‘pureza, candura, candor’: é daí que temos candìdus,a,um‘branco, alvo; radiante, resplandecente; puro; venturoso’, e candidátus,i‘candidato, esp., aquele que veste a toga branca para postular um cargo público’, daí candidátus,a,um ‘que veste branco’ – ou seja, uma ‘candidata’ é a pessoa que se mostra pura, venturosa (ao apresentar-se metaforicamente de branco – branco como metáfora de pureza) e que busca postular (requerer) um cargo: o de Miss Cidade, neste caso.

Sobre ser ‘miss’: a palavra ‘miss’ é inglesa e significa ‘mulher jovem’ (uma maneira polida de se dirigir à pessoa (young woman) quando não se sabe seu nome – conferir o dicionário de papel Longman) – e, claro, é usado como título antes do nome de uma mulher que represente um país, estado ou cidade em algum concurso de beleza: tornada miss, a mulher é ‘rainha’ e tem seu reinado.

Vamos conhecer então, algumas das orientações e condições impostas às candidatas, para que possam se inscrever no concurso:

  • A candidata, por ocasião de seu nascimento, deverá ser ‘registrada originalmente sexo feminino’ – há algum tempo, esse ‘originalmente’nem nos chamaria a atenção (provavelmente nem fosse escrito), mas hoje em dia ele levanta a questão da ideia de que os idealizadores do concurso entendem que sexo e gênero são coincidências naturais… Hoje já sabemos que as instâncias sexo e gênero não são gêmeas siamesas e nada tem de ‘natural’, antes são construções sociais – portanto, o edital tem uma concepção meramente biológica do que é SER MULHER. Quando as mulheres trans poderão mostrar sua beleza?
  • Ter, no máximo 25 anos de idade, não podendo ter 26 anos completos até a data do concurso (Não ser emancipada) – este dado está em perfeita conformidade com a ideia de ‘miss’ – pois senão seria um concurso de Mrs. – mas, o que perguntamos é: Por quê? Por que as candidatas têm que ser jovens? Qual é a importância do capital-juventude para a Miss Cidade? Quando as mulheres com idade superior a 25 anos poderão mostrar sua beleza?
  • Não ser e nunca ter sido casada, não ter tido casamento anulado, não conviver maritalmente – mantendo a mulher na condição da possibilidade de objeto a ser desejado – enquanto exibe seu corpo e dotes físicos (por que desfile de maiô/biquíni ?) para os avaliadores – a mulher, literalmente, não pode ‘ter proprietário’, ou seja, ser casada com um homem que detenha poderes exclusivos sobre ela – não é essa a ideia do patriarcado sobre o casamento? A de que a mulher é propriedade do marido? Quando as mulheres casadas poderão mostrar sua beleza?
  • Não pode ser mãe, nem estar grávida– ‘ser mãe’ é algo ‘sagrado’ para o machismo estrutural: nesta cultura, o fato de parir isola a mulher de sua sexualidade e de sua sensualidade: como poderia uma ‘miss’ ser mãe ou uma mãe ser ‘miss’? Estando grávida, uma mulher não será mais objeto do desejo machista – ao menos não explicitamente: controla-se assim a sexualidade feminina. Quando as mulheres grávidas poderão mostrar sua beleza?
  • Gozar de boa saúde física e mental, ser simpática e cooperativa:adjetivos e mais adjetivos que vão aos poucos qualificando quem são as mulheres que o patriarcado vai conceder o acesso ao concurso… se não for saudável não pode participar – Por quê? O que a doença – dado da natureza humana – tem a ver com a beleza? A candidata deve ter ‘boa saúde mental’ – em nossa sociedade psicótico-paranoica, a saúde mental será um traço a desclassificar todos nós, mas ainda assim: por que se exclui as pessoas com ‘problemas mentais’ da possibilidade de participar de tal concurso? Quando as mulheres com ‘deficiências físicas ou mentais’ poderão mostrar sua beleza?
  • A candidata não pode ter publicado ou realizado nenhum tipo de foto, ensaio, book, ou ainda trabalhos a título de nu artístico ou explicito – uma mulher que tenha publicado esse tipo de material (contendo seu nú) não pode participar do concurso de miss – isso tem a ver com decoro, recato, pudor, dignidade, honradez, seriedade nas maneiras, compostura, decência e conveniência: Quando as mulheres livres poderão mostrar sua beleza?
  • No mínimo 1,68 (um metro e sessenta e oito centímetros) de altura; as medidas de corpo devem aproximar–se de 90 cm de quadril, 60 cm de cintura e 90 cm de busto – medidas, medidas, medidas… afinal, o que são medidas? São as dimensões ou quantidades consideradas como normais e desejáveis; a proporção, a regra, a norma (de novo, a norma) – essas medidas são conseguidas a partir de elementos de referência, critérios do valor, das qualidades de alguém; um grau ou alcance – o crítico deverá perguntar: quem define tais critérios? Qual é o corpo ideal (con)formado, (in)formado, (de)formado por tais medidas? De quem é a inteligência e o poder de quem definiu tais medidas? Quais os interesses em se conformar os corpos a tais medidas? Que corpos tais medidas produzem como sendo legítimos e quais são produzidos como invisíveis? O que acontece com a autoestima dos corpos que não se encaixam nessas medidas e são rejeitados e descartados antes de concorrer (no concurso e na vida)?
  • TATUAGENS: só serão permitidas tatuagens quando estas forem discretas, por exemplo: na nuca, punho, tornozelo – sociologicamente, podemos ler (muito grosseiramente) a tatuagem como um desvio de norma (não ser tatuado é a norma); a pessoa tatuada marca seu próprio corpo, toma ele para si, dele se apossa, nele se justifica e transforma-o no que quer… bom, se a candidata apresentar níveis toleráveis dessa autoapropriação ela poderá participar, desde que seja ‘discreta’ (ou seja, novamente – que se comporte de maneira comedida, prudente; reservada, circunspecta, de pouca intensidade) – sendo assim, poderá vir-a-ser miss, perdão: vir-a-ser candidata a miss…
  • Não ter realizado nenhum tipo de intervenção estética – o desejo pela natureza intocada; a afirmação de que o que ali está se mostrando é ‘de verdade’, não é manipulado, é puro, é virgem. Se a estética é a base do concurso (a cada item estamos vendo que não…) então esta beleza deve ser posta em estado bruto, sem manipulações.
  • Possuir beleza de rosto e de corpo e ter condições de representar a sua cidade, estado e país – aqui, parece-nos que precisamos de uma reflexão bem profunda para entendermos o que é ‘beleza de rosto e de corpo’ – elemento profundamente subjetivo, mas ao mesmo tempo de apreciação social: resgatando elementos anteriormente apresentados e que vão dando pistas para a noção vaga de beleza aqui solicitada: ser jovem e ser magra (não há exigência explícita para o peso das candidatas – mas façamos as contas levando em consideração as medidas de altura, quadril, cintura e busto – anteriormente apresentadas – e teremos o padrão de peso exigido pelo edital);
  • Não ter antecedentes criminais – para esse ponto deixo uma questão: no Brasil, alguém que cometa um crime e por ele pague, pode ser punido com essa restrição? Alguém pode ser impedido de participar de um concurso de beleza, porque no passado roubou ou cometeu algum outro crime? Veja, penso aqui na situação da pessoa que cometeu o crime e por ele pagou… o que o antecedente criminal tem que ver com a beleza?
  • A candidata não deverá ser vista fumando ou consumindo bebida alcoólica: a miss será exemplo de mulher, exemplo de beleza: todo exemplo tem como função inspirar suas seguidoras. A despeito da ideia de ‘exemplo’ que a futura miss terá que carregar consigo, o não consumo de bebidas ou cigarro marcam novamente uma posição de recato, de moderação e de prudência.

“A sociedade foi programada durante muito tempo para que não ver a beleza de maneira negra. Mas, agora estamos entrando em um tempo em que finalmente as mulheres como eu podem saber que somos bonitas(…) A coisa mais importante que deveríamos ensinar para as jovens meninas de hoje em dia é a liderança. É algo que tem faltado em jovens meninas e mulheres há muito tempo. Não porque não queremos, mas por causa do que a sociedade definiu como as mulheres seriam(…) “ Zozibini Tunzi.

A coroação de uma mulher com cabelos crespos, pele preta, é uma mudança significativa no padrão de um concurso. Mas, a notícia não é apenas essa. A notícia é o que isso representa. O que isso muda na vida de Olga, de 13 anos. O que isso representa para Daiane, para Érica e para tantas outras mulheres e meninas que passaram a vida toda buscando representatividade.

A vitória de uma mulher negra no Miss Universo, ainda que discorde dos padrões e concursos de beleza, representa uma vitória de toda mulher negra, de toda garota negra que cresce a margem da sociedade no quesito padrão estético. E a sua inteligência deixa evidente ao menos para mim que nós podemos chegar onde quisermos e não somos inferiores a ninguém. A vitória dela é como se tivesse nos puxado pra cima, entende? Porque, de fato, é a verdadeira representatividade, eu vejo meu cabelo nesta mulher,eu vejo minha cor, eu vejo a minha inteligência. EU ME VEJO! Acredito também que a vitória dela seja uma mudança a passos curtos, mas ainda é uma mudança de padrão absurdamente significativa, principalmente quando se verifica que ela mesmo não sendo a primeira Miss universo negra, certamente é a primeira que foge a estética dos cabelos alisados ou compridos que a todas nós é imposta e conscientemente ou inconscientemente nos sentimos na obrigação de ter nossos cabelos espichados e longos. Nós sabemos que no quesito “ ser mulher” há estranhamento quando se vê qualquer uma de cabelo curto, e isso piora quando se é negra pois há o desprezo pelo cabelo crespo e associação imediata a pobreza , imundice, feiúra…

Eu particularmente senti isso na pele quando deixei por 1 ano e 4 meses meu cabelo natural. Foi o momento que mais senti o racismo. E a Zozibini estar nessa posição significa que ela é absurdamente forte e ultrapassa qualquer entendimento ou empatia que possamos tentar ter ou enxergar. Ela é o significado real da resistência, luta, dignidade, inteligência, beleza e principalmente nós poderemos e nós venceremos! Mas, pra mim foi a vitória real de uma mulher negra sem modificações estéticas, é como se fosse um diamante puro. Ahhhh! E ainda acrescento! É a primeira de cabelos crespos, porque todas as outras 4 ou 5 anteriores já estavam dentro de um padrão de aceitabilidade por terem seus cabelos cacheados ou alisados.”

Daiane Purificação, Advogada

Lembro que na única vez que assisti esse concurso, eu e minha mãe torcíamos pra garota de Trinidad e Tobago, que aos nossos olhos era a melhor. Obviamente (aquele tempo) ela não ganhou. Fiquei frustrada e nunca mais assisti. Por ratificar naquele momento a obviedade da escolha pela beleza eurocêntrica. Não pensei que fosse viver para ver. Pode parecer bobagem. Mas não é! Representatividade é a palavra e cada vez mais importante é sim,para as meninas pequenas verem Majus na tv! Eu, na infância (apesar da pele branca), escondia meus cabelos crespos dentro de uma manta de bebê pra fingir que era cabelo comprido e liso. Pq era assim. E ainda hj escondo esses cabelos por detrás de “relaxamentos capilares” pq sim, a transição é um processo delicado e lento e prescinde de muita aceitação perante o espelho. Inclusive cortei curto essa semana. Pra ver se “agora vai”. Mas para minha filha,por exemplo, que tem 13 anos e está vivenciando tudo isso, é MEGA importante,para reafirmaçâo da sua identidade e da sua beleza! Muitas vezes ela titubeou em querer alisar, mas de uns anos pra cá, ela se sente linda e mega orgulhosa do seu cabelo black (apesar de mim). Conseguiu resistir aos esteriótipos padrões . E se sente representada em diversos nichos (insuficientes,sabemos),mas…

Érica Medeiros – Advogada e mãe de Olga de 13 anos.

Fontes: UOL, G1, Hélio Hintze

Caso de Racismo na UFRB – Aluno recusa documento da mão de professora negra

Situação foi registrada por outros alunos e vídeo comprovando o fato circula pelas redes sociais

Por Gustavo Medeiros

Um caso de racismo foi registrado na noite da última segunda-feira (09) no Centro de Artes Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CAHL-UFRB). Um vídeo, postado no Instagram, mostra um aluno de camisa amarela indicando para a professora deixar um papel sobre a mesa, em uma suposta recusa em pegar o documento nas mãos da professora Isabel Cristina Ferreira dos Reis.

A situação causou repudio do Centro Acadêmico de História. De acordo com alguns relatos de estudantes e da professora, o aluno já possui um histórico de declarações racistas. Segunda a professora Luciana Brito, responsável pelo colegiado do curso, o estudante já vinha praticando tais atos com negros e gays.

“Já vinha causando problemas, até que ontem chegou nesse limite. Ele faz essas afirmações de que negro fede e é um estudante que já foi expulso pelos estudantes na moradia estudantil da UFRB. Até que teve o episódio extremado ontem.”

Professora Luciana Brito

De acordo com o vice-diretor do CAHL, Gabriel Àvila, o estudante ainda não foi ouvido. Ele pode ser suspenso por 15 dias, caso haja a comprovação do fato e após denuncia formalizada. A reitoria, que ainda não se pronunciou sobre o assunto, é a unica que pode decidir pela expulsão.

Fonte – Metro 1 e Correio da Bahia

Marca de móveis tira a palavra ‘criado-mudo’ do catálogo

O termo, que é considerado racista, deve ser substituído por ‘Mesa da Cabeceira’.

Por Juliana Barbosa

Arte: Georlando Barbosa Neto

Certas expressões populares se tornam de tal forma parte de nosso vocabulário e repertório que é como se sempre tivessem existido. Dor de cotovelo, chorar as pitangas, dar com os burros n’água, engolir um sapo ou salvo pelo gongo, tudo é dito como se fosse a coisa mais natural e normal do mundo.

Mas se mesmo as palavras mais corriqueiras possuem uma história e sua própria árvore etimológica, naturalmente que toda e qualquer expressão popular, das mais sábias e profundas às mais bestas e sem sentido, possuem uma origem, ora curiosa e interessante, ora sombria e simbólica de um passado sinistro.

Pois muitas das expressões que usamos no dia a dia, e que hoje comunicam somente seu sentido funcional – aquilo que atualmente a frase “quer dizer” – são originarias de um vergonhoso e longo período da história do Brasil: a escravidão.

Ainda que os sentidos originais tenham se diluído em algo trivial, essa origem permanece, como em toda palavra ou frase comum, feito um DNA marcando nossa própria história.

O Brasil foi o país que mais recebeu escravos no mundo, e o último país independente do continente americano a abolir a escravidão. Conhecer o sentido original e a história de uma expressão é saber, afinal, o que é que estamos falando.

Em 1820, os escravos que faziam os serviços domésticos eram chamados de criados. Alguns desses homens e mulheres passavam dia e noite imóveis ao lado da cama com um copo d’água, roupas ou o que mais fosse. Mesmo sem se mexer, alguns senhores achavam incômodo o fato de eles falarem, e muitos chegavam a perder a língua. Outros sofreram duras punições para “aprender” a nunca se movimentar quando houvesse alguém dormindo.

Um dia, surgiu a ideia de uma pequena mesa para ficar ao lado da cama, usada basicamente para apoiar objetos. Esse móvel exercia a mesma função do escravo doméstico e foi chamado de criado. Então, para não confundir os dois, passaram a chamar o móvel de criado-mudo.

Dois séculos depois, sem nos dar conta, ainda carregamos termos racistas como esse, mas sabemos que é sempre tempo de mudar e evoluir.

Por isso, a rede de móveis Etna está começando a abolir o nome “criado-mudo” de todas as suas lojas, virtual e físicas.

Usando a #CriadoMudoNuncaMais, a rede convida o público a participar da campanha e abolir o termo do vocabulário.

Ah, e como podemos chamá-lo daqui pra frente? 
Bem, ele já tem um sinônimo: mesa de cabeceira.

Fontes: Etna, Ceert.Org, FKsa