Café com pimenta

Por Juliana Barbosa

Anna Carolina de Souza Neves, de 8 anos, foi baleada na cabeça no bairro Parque Esperança, no município da Baixada Fluminense. Ela estava no sofá de casa. O crime foi na madrugada desta sexta-feira (10).

Segundo a Polícia Militar, não havia operação na região em que Anna Carolina foi baleada. A família informou à corporação que disparos foram ouvidos pouco antes de a menina ser atingida.

De acordo com a polícia, agentes foram abordados por moradores quando passavam pela Avenida Joaquim da Costa Lima. Em seguida, o pai de Anna Carolina de Souza Neves apareceu carregando a menina nos braços até a viatura, que levou a criança até o Hospital de Saracuruna. No local, ela não resistiu aos ferimentos.

O corpo de Anna Carolina estava no Instituto Médico Legal de Duque de Caxias, na mesma região, na manhã desta sexta-feira (10). 

A Secretaria de Estado de Vitimização informou que estava em contato com os familiares da criança e ofereceu auxílio, assistência social e psicológica aos parentes. Ela é a 3ª vítima de bala perdida no estado do RJ este ano.

Não é possível falar do assassinato de Anna Carolina sem lembrar de Ágatha Félix, também morta aos 8 anos, no complexo do alemão, dentro de uma Kombi, quando voltava pra casa com a mãe, também numa sexta feira, no dia 20 de setembro de 2019.

Ambas mortas pelo estado. Mortas por aqueles que deveriam protegê-las. Vítimas da necropolítica.

Em 2019, seis crianças foram assassinadas na região Metropolitana do Rio.

Não, poderia simplesmente fazer a nota e pronto. Precisava colocar no papel todo repúdio, toda dor, toda lástima de perceber que este ano não tem nada de novo. Toda vez que uma criança é atingida por uma bala disparada pelo estado, a notícia é de que o corpo que encontrou essa “bala perdida” é um preto, pobre e periférico.

E, para os governantes, é só mais um CPF cancelado.

Feliz ano novo para quem? Novo? Como!? Onde? Feliz?

Novo deslizamento de terra interdita Avenida Niemeyer

Uma casa na encosta foi atingida, mas não há informação de vítimas. Deslizamento cruzou a pista e a ciclovia. De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), a via está interditada para circulação de veículos desde 7h12

Por Juliana Barbosa

Avenida Niemeyer: deslizamento de terra causou o fechamento da via Foto: TV Globo

Avenida Niemeyer , principal via que liga a Zona Oeste a Zona Sul do Rio foi interditada na manhã desta quinta-feira após um deslizamento de terra.

A queda de barreira aconteceu após uma noite de chuva moderada e ocasionalmente forte . Novas pancadas caíram na região no início da manhã.

Equipes da Prefeitura foram acionadas para o local. Segundo o Centro de Operações (COR), os motoristas devem seguir pela Autoestrada Lagoa-Barra e o Alto da Boa Vista, já apresentava engarrafamento às 8h.
A terra tomou a pista da avenida e até parte da ciclovia. O trecho onde ocorreu o deslizamento é o mesmo que havia sido atingido por um forte temporal em abril deste ano. Com a chuva desta quinta, outras partes da encosta desmoronaram.

Casa foi atingida por deslizamento de terra na Avenida Niemeyer — Foto: Reprodução / TV Globo

De acordo com a prefeitura, desde a chuva forte que atingiu a cidade em fevereiro desse ano, equipes da Defesa Civil atuam na região. O tempo chuvoso continuará na cidade nesta quinta-feira. Segundo o sistema Alerta Rio, há previsão de chuva fraca a moderada isolada a qualquer momento do dia podendo ser forte em curtos períodos de tempo. A temperatura mínima será de 18 graus e a máxima de 27.

Ciclovia Tim Maia está interditada, mas pedestres pulam barreira e transitam pelo local na manhã desta quinta (16) — Foto: Reptodução / TV Globo

Segundo a Marinha, ondas de até 2,5 metros podem atingir a orla do Rio até as 21h de sexta-feira.

Transtornos causados pela chuva

Uma chuva forte atingiu vários pontos do Rio no fim da noite desta quarta-feira. De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), o temporal teve maior intensidade na Rocinha e no Vidigal, onde foram registrados 6 e 5 milímetros de água, respectivamente. O município havia entrado em estágio de Atenção nesta terça-feira e retornou ao estágio de normalidade às 23h24 desta quarta.

Também choveu de moderado a fraco na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá, na Zona Oeste, e em Copacabana e no Humaitá, na Zona Sul. Já no Jardim Botânico, os índices foram de chuva fraca.

Nos demais regiões da cidade, a intensidade da chuva variou de fraca a moderada. No entanto, isso não impediu que alguns transtornos fossem encontrados. Na Rua Cosme Velho, no bairro Cosme Velho, na Zona Norte do Rio, uma árvore caiu altura do nº 98, e interditou a via parcialmente.

Mais cedo, uma árvore caiu e interditou parcialmente a Praça Cuauhtémoque, no bairro Flamengo, na Zona Sul. Não houve informações de feridos no incidente.

Queda de árvore interdita pista no Flamengo Foto: Reprodução

Muro cai na Linha 2 do Metrô

Um muro caiu, durante a madrugada desta quarta-feira, entre as estações Pavuna e Colégio, o que deixou parte da circulação da Linha 2 do metrô interrompida por mais de uma hora. Segundo o MetrôRio, o funcionamento aconteceu apenas entre as estações de Botafogo e Irajá. A concessionária informou ainda que, uma obra era feito do lado de fora do metrô.

Do Alto, dá para se ter a noção do perigo e do estrago causado pelo deslizamento, na Av. Niemeyer

Deslizamento de terra na Avenida Niemeyer na manhã desta quinta-feira (16) — Foto: Reprodução / TV Globo

Fontes, G1 e O Globo

Morre Luciano Macedo, segunda vítima por fuzilamento de militares no Rio de Janeiro.

Internado desde 7 de abril, Macedo tentou ajudar o músico Evaldo Santos quando este foi alvejado por militares.

Por Juliana Barbosa

Reprodução: Internet

Baleado ao tentar socorrer a família que estava no carro que foi fuzilado por mais de 80 tiros por militares do Exército em Guadalupe, na Zona Norte do Rio, no último dia 7, o catador de materiais recicláveis, Luciano Macedo de 27 anos, morreu na manhã desta quinta-feira (18).

Macedo estava internado desde o dia 7 de abril no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. As cinco pessoas que estavam dentro do veículo iam para um chá de bebê: Evaldo dos Santos Rosa; a esposa dele; o filho, de 7 anos; o sogro de Evaldo (padastro da esposa); e uma amiga da família.

Evaldo morreu na hora. O sogro dele, Sérgio Guimarães de Araújo, foi baleado nos glúteos e segue internado no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo. A esposa, o filho de 7 anos e a amiga não se feriram.

Na quarta-feira (17), a Justiça ordenou que Luciano fosse transferido para o Hospital Moacyr Carmo, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A Secretaria Estadual de Saúde, no entanto, informou que a transferência não seria possível devido ao estado gravíssimo de saúde de Luciano.

Luciano Macedo, que levava o nome da mãe no braço, Aparecida Macedo, deixa a esposa, Daiana Horrara, grávida de cinco meses.

Dos 12 militares em patrulha naquele dia, nove seguem presos e serão investigados e julgados pela Justiça Militar. O tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo, oficial de mais alta patente entre os envolvidos, é reconhecido como o primeiro a atirar, ao que se seguiram os outros. A Polícia Civil encontrou apenas no carro 80 marcas de tiro.

Militares afastados

Dez dos 12 militares do Exército que estavam na patrulha no dia que o carro foi atingido foram presos após prestarem depoimento sobre a ação. Nove seguiram presos após audiência. A investigação do caso ficará a cargo da Justiça Militar.

No dia dos disparos, o Comando Militar do Leste (CML) informou, por meio de nota, que os agentes tinham respondido a “injusta agressão” de criminosos ao desferir os tiros. A Polícia Civil informou na ocasião que “tudo indica” que o veículo foi confundido com o de criminosos.

Em um boletim de ocorrência registrado na 30ª DP (Marechal Hermes), um motorista contou que foi assaltado por cinco homens em um sedã branco por volta das 14h (meia hora antes do incidente) na mesma região.

Na manhã do dia seguinte à morte do motorista atingido pelos disparos, uma segunda-feira, o CML disse que identificou “inconsistências” entre os fatos reportados pelos militares e informou que os agentes acabaram afastados.

“Esse procedimento prolongou-se pela madrugada, tendo sido coletado também, até o presente momento, o depoimento de uma testemunha civil. Um membro do Ministério Público Militar acompanhou todo o procedimento”, diz a nota.

Repercussão oficial

“O Exército não matou ninguém, não”.

Com essas palavras, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) comentou pela primeira vez, na última sexta-feira (12), a morte de Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, no Rio de Janeiro.

A frase foi dita por Bolsonaro durante a inauguração de um aeroporto em Macapá (AP).

“O Exército é do povo, e não pode acusar o povo de ser assassino, não. Houve um incidente, uma morte”, acrescentou o presidente. “No Exército sempre tem um responsável”.

Bolsonaro havia se manifestado sobre o tema por meio do porta-voz, Otávio Rêgo Barros, na última terça (9), pedindo que o caso fosse esclarecido “rapidamente”.

Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, se manifestou apenas uma vez sobre o caso, de maneira genérica: “Lamentavelmente esses fatos podem acontecer”.

Honraria

Fazendo a defesa dos militares, o advogado – e militar da reserva – Paulo Henrique Pinto de Mello consta da lista publicada no DOU (Diário Oficial da União) nesta terça-feira (16) entre 300 pessoas que receberão a Medalha da Vitória, em alusão ao papel do Brasil na Segunda Guerra Mundial e em missões de paz.

A honraria, que será concedida pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), é normalmente concedida a ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial ou de missões de paz, além de civis que tenham prestado serviços relevantes na avaliação do Ministério da Defesa.

Fontes: G1, Revista Fórum, Brasil de Fato.

Delegado diz que ‘tudo indica’ que veículo fuzilado com 80 tiros, foi confundido com o de criminosos. Dez militares são presos após ação do Exército.

Três homens foram baleados; um deles, Evaldo Rosa, de 51 anos, não resistiu.
Polícia Civil ajudou a realizar a perícia no local:

Por Juliana Barbosa

Traseira do carro ficou perfurada de balas — Foto: Reprodução/TV Globo

O fuzilamento de um carro em Guadalupe, Zona Norte do Rio, causando a morte do músico Evaldo Rosa, de 51 anos, e deixou dois feridos, na tarde de domingo (7), levou o Exército a prender 10 militares nesta segunda-feira (8).

Carro roubado

A hipótese de os militares terem se confundido seria reforçada com um registro de ocorrência feito na 30ª DP (Marechal Hermes).

Um motorista – que não teve a identidade divulgada – informou que foi assaltado por cinco homens em um sedã branco por volta das 14h (meia hora antes do incidente) na própria Estrada do Camboatá, perto do Piscinão de Deodoro.

Num primeiro momento, o Comando Militar do Leste afirmou que o morto era um assaltante. Depois, citando “inconsistências” nos depoimentos, determinou a prisão em flagrante de 10 dos 12 militares ouvidos, “em virtude de descumprimento de regras de engajamento”. A investigação ficará a cargo do Exército. Para o delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, “tudo indica” que os militares do Exército se confundiram.

“Não foi encontrada nenhuma arma. Tudo que foi apurado é que eles eram realmente pessoas, uma família normal, de bem, e que acabaram sendo vítimas dos militares”, afirmou.

Embora o caso esteja com a Polícia Judiciária Militar, o delegado vê a possibilidade de prisão. “Fica muito difícil tomar uma posição diferente dessa. Ao que tudo indica, não vejo uma legítima defesa. Os indícios apontam pra uma prisão em flagrante.”

“O Exército Brasileiro (…) repudia veementemente excessos ou abusos que venham a ser cometidos quando do exercício das suas atividades”, afirmou o CML.

O músico Evaldo dos Santos Rosa — Foto: Reprodução/Facebook

Os militares foram ouvidos na Delegacia de Polícia Judiciária Militar. Ocaso é investigado pelo Exército devido a uma lei sancionada em 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB).

Foto: Fábio Teixeira/AP

O Fato

O que seria um domingo comum, terminou em tragédia. O músico Edvaldo dos Santos Rosa, junto com a família, iam para um chá de bebê. Além do músico que dirigia o veículo, a esposa, o filho de sete anos, o sogro e a afilhada do casal, também estavam no carro. Por volta de 14h40 , veículo que seguia pela Estrada do Camboatá, em Guadalupe, quase chegando ao acesso à Avenida Brasil, foi alvo de pelo menos 80 disparos de fuzis de soldados do Exército. Evaldo morreu na hora. O sogro dele, Sérgio, foi baleado nos glúteos. Seu quadro era estável até a noite de domingo. A esposa, o filho de 7 anos e a amiga não se feriram. Um pedestre que passava no local também ficou ferido ao tentar ajudar. Ainda não há informações sobre seu estado de saúde.


Veja com foi ação militar em Guadalupe — Foto: Infográfico: Wagner Magalhães/G1

O professor Guilherme Boulos, foi candidato a presidência em 2018 questionou a ação nas redes sociais.

Reprodução Twitter

A deputada estadual Renata Souza (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), afirmou que pretende entrar com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo à instituição que investigue a morte de Evaldo. 

A versão da família

  1. A afilhada do casal que estava no carro afirma que o grupo estava indo para um chá de bebê e que Evaldo, que dirigia o Ford Ka sedan, era segurança e músico;
  2. O trânsito fluía sem problemas e não havia blitz na estrada;
  3. Um tiro entrou pelo vidro e atingiu Evaldo, que morreu na hora;
  4. Com o motorista desacordado, o sogro dele, Sérgio Gonçalves, que estava no carona, controlou a direção por mais 200 metros;
  5. Os tiros continuaram;
  6. A mulher de Evaldo, o filho do casal e uma amiga, no banco de trás, se abaixaram e depois saltaram do carro;
  7. Sérgio foi baleado do lado de fora do carro;
  8. Nove soldados com fuzis se aproximaram do carro, sem cessar os disparos;
  9. Um morador foi tentar ajudar Sérgio e também foi atingido no peito;
  10. Blindados do Exército cercaram o local.

“Não tinha blitz, não tinha arrastão, não tinha vestígio de nada, estava normal. A gente foi pego de surpresa”, diz a amiga da família. “O carro perdeu a direção, o Evaldo foi baleado, e mesmo assim eles continuaram atirando. A gente está sem entender até agora”, emenda.

Luciana Nogueira, esposa do músico Evaldo dos Santos Rosa, morto no último domingo. Foto: Wilson Júnior/Estadão Conteúdo

Segundo a viúva, moradores chegaram a tentar socorrer seu marido, Evaldo Rosa, mas militares continuaram atirando. ‘Perdi meu melhor amigo’, lamentou Luciana Nogueira. O meu filho estava no carro, viu tudo. Ele quer a foto do pai. Eu falei que o pai está no hospital. Por que o quartel fez isso? Os vizinhos começaram a socorrer, mas eles continuaram atirando. E falei: ‘moço, socorre o meu esposo’. Eles não fizeram nada e ficaram de deboche“, disse ela, emocionada.

Luciana contou que estavam indo para um chá de bebê, e que pegaram aquele caminho próximo ao quartel porque se sentiam seguros. “Eu falei: ali é calmo, ali é nossa área. E eu vi o quartel. Tava protegida, da mesma forma que, quando eu vejo um policial, eu me sinto protegida”, relatou.

Ela comentou um pouco mais sobre o marido, que além de ser músico, trabalhava como segurança em uma creche.

“Eu perdi meu melhor amigo. Eu estava com ele há 27 anos. Adorava música, um homem caseiro, trabalhador. Cuidava de mim como ninguém. Meu deus, meu deus”, repetia ela.

O filho mais velho do músico, Daniel Rosa da Silva, de 29 anos, contou que além dos 80 tiros disparados contra o carro de sua família, foram encontradas mais de 200 cápsulas no chão.

Despedida

Conhecido como Manduca, Evaldo era músico e segurança. O corpo dele foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) e deve ser enterrado nesta terça-feira.

Nas redes sociais, o grupo Remelexo da Cor postou uma homenagem. “Olho pro céu e peço a Deus / Que mande a paz do sentimento verdadeiro dos mortais / Aqui embaixo o pesadelo está, demais, demais / Demais, demais, demais😢😔 Neste domingo perdemos um grande amigo ,o primeiro cavaquinista do Grupo Remelexo da Cor (Manduca). Deixamos aqui um abraço é nosso sentimento para todos familiares”.

Sempre as mesmas desculpas.
Matou por confundir guarda chuvas com Fuzil; 
matou por confundir Furadeira com revólver
Matou por confundir Saco de pipoca com drogas;
Matou por confundir Celular com arma de fogo
Matou por confundir Ferramenta com arma de fogo
Matou Músico por confundir com assaltante; 
Mas, uma coisa é inconfundível: A cor. 
Muito Racismo, Muitas “Confusões”.

Fontes: G1, Diário do Centro do Mundo, Estadão