Um Olhar Diferente – Visões sobre a Contemporaneidade

Por Gustavo Medeiros

Depois do Carnaval, a vida normal

Após a catarse que o carnaval provocou em meio tantos acontecimentos negativos que marcaram o inicio deste ano,a tragédia ocorrida em Suzano na última quarta (13) veio fomentar mais o clima de ressaca da folia momesca e nos chamar à reflexão sobre à realidade, algo que já estava sendo sentido nos resquícios da Tragédia em Brumadinho, na agudização do caos com a interminável crise na Venezuela entre outros assuntos que levaram o cidadão comum a pegar o controle remoto e desligar a tevê.

O caso dos rapazes que assassinaram estudantes e coordenadora da Escola Estadual Professor Raul Brasil não pode ser considerado como um fardo a ser carregado diante do rosario de tragédias que foi desfiado no país desde o final de janeiro. Devemos encarar a realidade,pois temos muito o que enfrentar, e em diversas frentes, sobre temas como a precarização do ensino, o abandono maternal, a relação familia-escola, bem como as questões voltadas à juventude e suas angústias.

Mais do que isso, esse triste fato ocorrido mostra a síntese da nossa sociedade e os miasmas que ficaram do “não” debate eleitoral, onde a cultura do ódio e a falta de diálogo predominaram e reverberaram com os ecos do medo e da violência pelos extremos,tanto a direita,quanto a esquerda entre outras coisas que marcaram um passado que se mostra presente em nossas carnes. Ainda temos algumas pendências com a história e as nossas feridas ainda não cicatrizaram direito com os paliativos morais que foram tomados ao longo dos últimos anos de democracia e conquistas de direitos.

Diante de tantos problemas, vários espelhos. O brasileiro começou a se ver nas minucias, nos detalhes “imperceptíveis”, legados da nossa negligência com os mais vulneráveis e com a natureza em si, contados em mais de 500 anos de sangue, suor e muita exploração. Relegamos, nos recônditos do nosso domicílio carmico, todos os carmas que moldaram a nossa sociedade e estão nos atormentando com bastante intensidade atualmente.

Se sofremos com a violência nos morros, nas escolas, nas ruas e entre a juventude é porque isso nada mais é do que uma resposta dura a uma realidade que não nos favorece,ou melhor, a execução cruel da lei de retorno, tão explicada e decantada em tese e prosa pela Física.

De janeiro para cá tudo o que vemos como tragédia parece ter tomado uma enorme amplitude, assim como a barragem que se rompeu,largando pelo caminho os rejeitos de nossa história. Brumadinho abriu, como comportas, a era das lamentações em um país que deveria enfrentar a realidade com um ar de seriedade e serenidade.

O ciclone Idai e o sentido de humanidade

Quando a vida do outro não é tão importante para a grande mídia

Foto – Reprodução (Facebook)

Moçambique, Zimbábue e Malaui estão passando por uma situação de calamidade após o ciclone Idai destruir cidades e vilarejos, produzindo um grande número de mortos e desabrigados. Pessoas perderam vidas e tudo o que construiu ou ganhou com suor de um trabalho árduo.

Diante de tal fato grave, vemos a postura fria e distante da imprensa e das redes sociais perante um fato que nos dá um sentido e a dimensão tão grande do que significa ser humano e sentir essa humanidade. Durante a semana, o nome dos três países africanos não estiveram nos trending topics do Twitter ou então serviu de pauta secundária dos jornalões por aqui.

O drama dos nossos irmãos do Sul da África não importa (ou pouco importa) às grandes potências como os Estados Unidos, pois não há nada de interessante para eles. Não há petróleo, muito menos riquezas que crescem aos olhos do Império que chama interesse de caridade.

Tragédias como essa vem nos chamar a atenção sobre o exercício de descobrir a essência da humanidade enquanto houver tempo,pois ele está correndo e urge olhar para dentro e achar na consciência o baú dos valores. Talvez seja essa a lição que o ano de 2019 nos reserva ao longo dos meses.

Se o drama em que vive os habitantes dos três países da África não cabe em um textão lacrador, não caberá no coração de quem só vê diálogo por meio dos 140 caracteres do Twitter. Se a situação de calamidade não te comove, certamente existe cumplicidade nessa relação ardilosa entre o poder- mídia- tevê.

Na contramão disso tudo, anônimos e pessoas formadoras de opinião estão aproveitando a brecha dada pelo fenômeno do distanciamento e estão chamando a atenção sobre o que está acontecendo nos países localizados ao Sul da África. Isso vai além do que os jornalões andam pautando ultimamente,mostrando que através de um pequenos gestos se sensibiliza uma massa de pessoas.

Vale lembrar que este pequeno blog também está engajado e acompanha as notícias que vem do outro lado do oceano. Neste sentido, seguimos os critérios de noticiabilidade e estamos noticiando, seja em matérias ou artigos opinativos.